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Índice de qualidade da água do Rio Tietê apresenta piora em Suzano em 2021, aponta estudo

Dia do Rio Tietê é nesta quarta-feira; especialista fala sobre condições de umdos maiores rios do Estado de SP

Dia do Rio Tietê é nesta quarta-feira; especialista fala sobre condições de um dos maiores rios do Estado de SP

O índice de qualidade da água (IQA) do Rio Tietê, em Suzano, apresentou piora em agosto de 2021, na comparação com setembro de 2020. A conclusão é do relatório Observando o Tietê 2021, divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica nesta quarta-feira (22), dia em que o rio é celebrado.

De acordo com o estudo, na coleta realizada em setembro do ano passado, a qualidade da água no município era regular. Agora, passou para ruim. Outros quatro pontos na região do Alto Tietê também foram analisados e permaneceram estáveis (confira a tabela abaixo).

O IQA registrado na região contraria a tendência estadual, que aponta para uma melhora desde 2016, quando a qualidade predominante da água nas bacias monitoradas passou a ser regular em grande parte dos pontos de coleta.

Índice de Qualidade da Água (IQA) do Rio Tietê

MUNICÍPIOIQA 2020IQA 2021
Biritiba-MirimRegularRegular
ItaquaquecetubaRuimRuim
Mogi das CruzesRegularRegular
SalesópolisBoaBoa
SuzanoRegularRuim
Fonte: Fundação SOS Mata Atlântica
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Segundo a fundação, os dados do Índice de Qualidade da Água apresentados no relatório foram elaborados com base na legislação vigente e em seus respectivos protocolos de coleta e medição. Entre os parâmetros utilizados na metodologia de pesquisa estão:

  • temperatura da água;
  • temperatura do ambiente;
  • turbidez;
  • espumas;
  • lixo flutuante;
  • odor;
  • material sedimentável;
  • peixes;
  • larvas e vermes vermelhos;
  • larvas e vermes brancos;
  • coliformes totais;
  • oxigênio dissolvido (OD).

Imagem de 2018 mostra trecho do Rio Tietê em Suzano — Foto: Reprodução/TV Diário

Imagem de 2018 mostra trecho do Rio Tietê em Suzano — Foto: Reprodução/TV Diário

Balanço estadual

O monitoramento é realizado por voluntários da SOS Mata Atlântica ao longo de 576 quilômetros do rio principal, desde a nascente, em Salesópolis, até a jusante da eclusa do Reservatório de Barra Bonita. Os dados foram obtidos com a média do IQA em 53 pontos de coleta distribuídos por 21 rios (Tietê e afluentes) em 25 municípios.

Neste último balanço, o total de pontos com qualidade regular passou de 66,3% para 67,9%. A água de boa qualidade também vem aumentando, passando de 7,2% em 2020 para 11,3% em 2021. Com isso, a água boa e regular, que permite usos múltiplos e vida aquática, estendeu-se a 407 quilômetros do rio – o que representa 70,63% de todo o trecho monitorado.

Trecho do Rio Tietê no Mogilar, em Mogi das Cruzes — Foto: Reprodução/TV Diário

Trecho do Rio Tietê no Mogilar, em Mogi das Cruzes — Foto: Reprodução/TV Diário

A água com qualidade ruim, que representava 44,95% em 2015, foi reduzida a 25,3% no ano passado e caiu para 13,2% em 2021. Dessa forma, se em 2020 havia uma mancha de poluição atingindo 150 quilômetros do rio, em dois trechos não contínuos, este ano ela foi reduzida em 65 quilômetros ou quase 50%.

Por outro lado, além de pontos de coleta com água de ótima qualidade não serem observados desde 2010, a categoria péssima apresentou crescimento. Entre 2010 e 2020 a queda foi de 9,86% para 1,2%. Em 2021, o patamar retornou aos 7,5%. Esses registros foram feitos em pontos de afluentes na Bacia do Alto Tietê: sendo um no Ribeirão dos Meninos e outros três no Rio Pinheiros.

Impactos preocupantes

Um dos problemas é que, no trecho metropolitano, com base na legislação vigente, o rio é enquadrado na norma que define os padrões de qualidade como classe 4 – ou seja, não estabelece limites de concentração de poluentes a serem diluídos na água, como explica Gustavo Veronesi, coordenador técnico do projeto Observando os Rios.

“É urgente que a Bacia do Alto Tietê, através do seu Comitê de Bacia Hidrográfica, passe a propor metas progressivas de enquadramento dos corpos d'água para que o Rio Tietê possa chegar à classe 3 no trecho metropolitano e, dessa forma, levar água de melhor qualidade ao interior do estado”.

“Para isso, seus afluentes e subafluentes na Região Metropolitana de São Paulo também devem ser reclassificados. É preciso ainda eliminar a classe 4 como uma categoria de qualidade de água prevista nas normas legais no Brasil”, destaca.

Ainda segundo a SOS Mata Atlântica, a condição de qualidade da água regular e a melhora registrada neste ciclo de monitoramento são frágeis e podem ser comprometidas por acidentes ou pela gestão inadequada de água. Danos ambientais decorrentes de manejos de barragens e despejos irregulares de poluentes que acarretam na contaminação e podem ter efeitos duradouros.

A exemplo disso, em agosto de 2021 houve o descarregamento de sedimentos da barragem de Pirapora, que despejou rio abaixo um alto fluxo de água contaminada, ocasionando mortandade de peixes e o acúmulo de resíduos sólidos gerados na bacia do Alto Tietê. A contaminação se arrastou por cerca de 300 quilômetros de rio, tornando a água péssima.

Malu Ribeiro, diretora de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica, explica que o dano ambiental registrado por uma situação ocasional pode gerar um impacto duradouro na água de rios e represas. Ela lembra que políticas públicas são necessárias para garantir a qualidade dos rios e punir que contribui com a poluição.

“A efetivação da legislação que pune e torna caro poluir nossos rios é mais do que necessária. Atualmente é muito barato poluir e, por isso, os meios de evitar danos não são efetivados. Ao tornar caro poluir, espera-se haver maior atenção aos processos que potencialmente possam gerar danos e uma melhoria na gestão dos recursos hídricos”, diz.

“Em tempos em que a emergência climática traz diversos desafios ao acesso a água com qualidade e quantidade, um rio da dimensão do Tietê deve ser tratado como uma importante alternativa à segurança hídrica no Estado de São Paulo”, afirma Malu.

“Para que isso aconteça, é necessária a integração de políticas públicas de recuperação da Mata Atlântica, em margens de rios e mananciais, com as metas de universalização do saneamento e despoluição de rios urbanos importantes, da bacia do Tietê, como o Pinheiros, Ipiranga, Jundiaí, Sorocaba e Piracicaba”, finaliza.

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