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Dois moradores de rua morrem e outro é internado em estado grave após passarem mal na mesma região, em menos de um mês, em Suzano

Bruno Wilson Santos Barbosa, de 27 anos, vivia em situação de rua e morreu após passar mal em Suzano — Foto: Ana Daniele dos Santos Machado/Arquivo Pessoal

Bruno Wilson Santos Barbosa, de 27 anos, vivia em situação de rua e morreu após passar mal em Suzano — Foto: Ana Daniele dos Santos Machado/Arquivo Pessoal

Dois moradores de rua morreram e outro foi internado em estado grave após passarem mal na mesma região, em menos de um mês, em Suzano.

De acordo com a Polícia Civil, os três viviam em uma mesma rua da Vila Maluf e não tinham sinais de violência. Eles passaram por exames periciais e a causa dos óbitos é investigada.

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As mortes ocorreram nos dias 31 de outubro e 22 de novembro. A primeira vítima foi Bruno Wilson Santos Barbosa, de 27 anos. Segundo o depoimento de um vigilante à polícia, o rapaz estava acompanhado de um homem quando entrou em um hipermercado da Avenida Vereador João Batista Fitipaldi para usar o banheiro. Ao sair, ele desmaiou no estacionamento.

O boletim de ocorrência afirma que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado. O resgate chegou em menos de 15 minutos e logo a morte foi confirmada. Um perito que avaliou o local não encontrou indícios de violência. O corpo de Bruno tinha uma única lesão no braço, que pode ter sido causada pela queda.

Menos de um mês depois, outro homem morreu de forma parecida. A vítima, que tinha 65 anos, vivia na mesma rua e também foi encontrada no estacionamento do supermercado. Um funcionário teria dito à equipe de resgate que ele teve um mal estar e o Corpo de Bombeiros e o Samu foram chamados. As equipes tentaram reanimá-lo, mas ele não resistiu e acabou morrendo.

Neste mesmo dia, um terceiro morador de rua teria passado mal e precisou ser internado. O delegado responsável pelo caso informou que ele está em estado grave e que precisou ser intubado. Por esse motivo, ainda não foi ouvido. A Polícia Civil pediu exames necroscópico e toxicológico e o caso é acompanhado pelo 2º DP de Suzano.

“Ocorreram duas mortes. Houve um intervalo entre elas de um mês. Em princípio, a natureza não está definida. A causa da morte não tem, porque a gente está esperando o laudo do IML. Tem também o rapaz que está hospitalizado. A gente não conseguiu falar com ele porque ele está intubado”, informou o delegado Lourival Noronha.

Mortes suspeitas

Ana Daniele dos Santos Machado, irmã de Bruno, espera que o caso seja esclarecido. Ela conta que o rapaz vivia em situação de rua há cerca de sete anos, desde a morte da mãe. Assim como outras pessoas que vivem nas ruas daquela região, ele tinha o hábito ir ao supermercado para usar o banheiro ou cuidar da higiene pessoal.

Como trabalhou no estabelecimento há cerca de 10 anos, ele tinha um bom relacionamento com os funcionários. “Ele era muito querido. O gerente do mercado, a moça do caixa, todo mundo conhecia ele. Ele era de boa, bem conhecido, sempre na dele. Quando tinha dinheirinho, comprava bala e vendia no farol. A questão é que ele não queria viver na casa de ninguém”, diz.

Na foto, Bruno apareceu ao lado da irmã Daniele — Foto: Ana Daniele dos Santos Machado/Arquivo Pessoal

Na foto, Bruno apareceu ao lado da irmã Daniele — Foto: Ana Daniele dos Santos Machado/Arquivo Pessoal

Daniele teme que os episódios tenham sido causados de forma proposital. Ela soube por testemunhas que Bruno havia convulsionado instantes antes de morrer e que o mesmo teria ocorrido com os outros dois homens afetados posteriormente. Porém, destaca que o irmão tinha epilepsia e era usuário de drogas.

“Por volta de 2013, a gente não sabe como, ele foi atacado e tomou pauladas na cabeça. Ficou internado um tempo e começou a ter ataque epilético. Ele só tomava remédio quando ficava no albergue. A gente só quer descobrir o que foi. Não era normal ter assim seguido. As vezes tinha, caía, mas ele mesmo se controlava”.

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