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Príncipe ameaçou 'estabilidade', diz vice-premiê da Jordânia

Diversas pessoas foram presas no último sábado (3) na Jordânia por "razões de segurança", inclusive membros da família real e ex-assessores da monarquia, em meio a uma disputa de poder no país comandado há quase 22 anos pelo rei Abdullah II.

O rei Abdullah II comanda a Jordânia desde 1999
O rei Abdullah II comanda a Jordânia desde 1999
Foto: EPA / Ansa - Brasil

Entre os detidos está o ex-príncipe herdeiro Hamzah bin Hussein, meio-irmão do monarca e que diz ter sido colocado em prisão domiciliar. Em um vídeo enviado à BBC, Hamzah critica o regime de Abdullah II e diz não ser o "responsável pela corrupção e pela incompetência que prevaleceram no governo nos últimos 15 ou 20 anos".

"Estamos no ponto em que ninguém pode falar ou expressar opiniões sobre qualquer coisa sem ser vítima de prisões e ameaças", declarou. Mais tarde, seu advogado mandou à rede britânica uma gravação na qual o ex-príncipe herdeiro diz que "removeram" sua segurança e seu acesso a internet e telefone.

Ele alega não fazer parte de "nenhuma conspiração", mas afirma que o país está bloqueado pela "corrupção, pelo nepotismo e pelo desgoverno". Já o major Yousef Huneiti, chefe do Estado Maior das Forças Armadas jordanianas, negou que o príncipe tenha sido detido, mas afirmou que "pediram que ele parasse algumas atividades que poderiam ser usadas contra a estabilidade e segurança" do país.

O vice-primeiro-ministro da Jordânia, Ayman Safadi, citado pela agência oficial Petra, disse neste domingo (4) que "entre 14 e 16 pessoas foram presas". Sobre Hamza, Safadi declarou que o príncipe e os outros suspeitos "ameaçaram a segurança e a estabilidade" do país.

"Os serviços de segurança monitoraram uma pessoa ligada a serviços estrangeiros que se comunicavam com o príncipe Hamzah", acrescentou o vice-premiê, salientando que havia sido oferecido um avião para ela deixar a Jordânia. Entre os detidos também estão dois ex-assessores próximos da família real: Bassem Awadallah e Sharif Hassan bin Zaid.

A rainha Noor, mãe do príncipe Hamza, chamou as acusações contra seu filho de "calúnias perversas". "Rezo para que a verdade e a justiça possam prevalecer", declarou.

Hamzah é o filho mais velho do rei Hussein (1935-1999) com a rainha Noor e uma figura influente com líderes tribais. O rei Abdullah II o apontara como príncipe herdeiro em 1999, em linha com o desejo de seu pai, mas removeu o título em 2004 e o passou para seu filho mais velho, também chamado Hussein.

Apoio

O Departamento de Estado dos EUA afirmou que "acompanha de perto" os eventos em um de seus principais aliados no Oriente Médio e disse que o rei Abdullah II é um "parceiro estratégico" que tem seu "total apoio".

A mesma linha foi adotada pelas monarquias do Golfo Pérsico, das quais depende grande parte da economia da Jordânia. O governo dos Emirados Árabes Unidos declarou que defende "todas as medidas tomadas pelo rei para preservar a segurança e a estabilidade", enquanto a Arábia Saudita expressou "pleno apoio" às ações de Abdullah II.  

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