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Líderes mundiais reagem à chegada do Talibã ao poder no Afeganistão

a aaaaaa — Foto: ChristopheArchambault/AFP

a aaaaaa — Foto: Christophe Archambault/AFP

Líderes mundiais se manifestaram nesta segunda-feira (16) sobre a chegada do Talibã ao poder no Afeganistão, um dia depois de o grupo extremista tomar a capital, Cabul, e de o presidente Ashraf Ghani deixar o país.

A preocupação com a retomada do terrorismo foi mencionada pelo presidente da França, Emmanuel Macron, e também pelo Conselho de Segurança da ONU, que se reuniu de forma emergencial.

"A comunidade internacional deve se unir para garantir que o Afeganistão nunca mais seja usado como plataforma ou refúgio de organizações terroristas", disse o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres.

Os 15 membros do Conselho emitiram uma declaração na qual pedem o fim imediato da violência e "uma solução pacífica por meio de um processo de reconciliação nacional liderado e pertencente aos afegãos" e com um novo governo "que seja unido, inclusivo e representativo, incluindo a participação plena, igual e significativa das mulheres".

Dever da França

Segundo o presidente francês, grupos terroristas existentes naquele país tentarão se aproveitar da instabilidade deste momento.

Macron negou, porém, a possibilidade de intervenção, mesmo dizendo que fará de tudo para que a “Rússia, os Estados Unidos e a Europa cooperem de maneira eficaz” na luta contra o terrorismo. Segundo ele, o Afeganistão “tem seu destino em suas mãos”.

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Em um discurso transmitido pela TV, Macron lembrou os 13 anos em que o Exército francês esteve no Afeganistão ao lado dos norte-americanos (entre 2001 e 2014), e disse que a França vai continuar a repatriar afegãos que trabalharam para o país durante esse período.

Ele afirmou que cerca de 800 deles já teriam chegado ao país e que dois aviões e forças especiais continuam empenhados na retirada de mais pessoas.

“É nosso dever e nossa dignidade proteger aqueles que nos ajudaram: tradutores, motoristas, cozinheiros e tantos outros”, disse.

Alemanha repatria 10 mil

A primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, durante pronunciamento sobre a tomada do poder no Afeganistão pelo Talibã, na segunda-feira (16) — Foto: Odd Andersen/Pool/AFP

A primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, durante pronunciamento sobre a tomada do poder no Afeganistão pelo Talibã, na segunda-feira (16) — Foto: Odd Andersen/Pool/AFP

Já a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, chamou a situação de “amarga, dramática e aterrorizante” e enfatizou que é preciso focar no resgate de estrangeiros e também de afegãos que ajudaram as forças aliadas da Otan.

Ela disse ainda que esforços serão feitos para oferecer apoio e refúgio, especialmente para a equipe de apoio afegã que ajudou os militares alemães.

A Alemanha deve repatriar 10 mil pessoas no total, incluindo mais de 2,5 mil afegãos que ajudaram as forças da OTAN durante o período de combate ao Talibã, além de advogados e militantes de direitos humanos.

VÍDEO: Veja cronologia da tomada de poder do Talibã no Afeganistão

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Merkel ressaltou também que é preciso garantir ajuda aos países vizinhos que devem receber muitos afegãos em fuga para evitar uma nova crise de refugiados.

“Não devemos repetir o erro do passado quando não demos fundos suficientes para o ACNUR e outros programas de ajuda humanitária e as pessoas deixaram a Jordânia e o Líbano em direção à Europa”, lembrou.

Reino Unido não consegue retirar todos

Nesta segunda-feira, o secretário de Defesa do Reino Unido, Ben Wallace, admitiu que “algumas pessoas não conseguirão sair”, ao dizer que o país não conseguirá retirar do país todos os seus aliados afegãos.

Soldados britânicos no Afeganistão, em foto de 22 de agosto de 2011 — Foto: AP Photo/Brennan Linsley

Soldados britânicos no Afeganistão, em foto de 22 de agosto de 2011 — Foto: AP Photo/Brennan Linsley

Contendo as lágrimas, ele estimou que ainda existem 4 mil pessoas, entre britânicos e afegãos que prestaram serviços ao Reino Unido, como tradutores, por exemplo, que precisam ser retirados do Afeganistão, e disse que a expectativa é de que as forças britânicas consigam remover mil por dia.

Ele acrescentou que alguns dos afegãos terão que fazer pedidos de asilo, possivelmente para outros países.

Um porta-voz do premiê Boris Johnson negou que tenha havido falhas no sistema de inteligência, que subestimou o prazo para a retirada do pessoal, acreditando que a queda de Cabul levaria mais tempo.

Combatentes do Talibã assumem o controle do palácio presidencial afegão em Cabul, capital do Afeganistão, após o presidente Ashraf Ghani fugir do país em 15 de agosto de 2021 — Foto: Zabi Karimi/AP

Combatentes do Talibã assumem o controle do palácio presidencial afegão em Cabul, capital do Afeganistão, após o presidente Ashraf Ghani fugir do país em 15 de agosto de 2021 — Foto: Zabi Karimi/AP

“Eu não descreveria dessa forma. Obviamente, trabalhamos em estreita colaboração com o governo anterior do Afeganistão para apoiá-lo em várias frentes diferentes e temos monitorado a situação de perto”, disse o porta-voz. "É evidente que o Talibã se moveu rapidamente por todo o país".

No domingo, após o grupo extremista assumir o controle da capital Cabul, Johnson afirmou que nenhum país deverá reconhecer o Talebã como governo do Afeganistão. "Queremos uma posição unida entre os que pensam da mesma forma, o tanto quanto pudermos", disse, em um pronunciamento em vídeo.

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China e Rússia

Nesta segunda, porém, a China afirmou que deseja manter “relações amistosas” com o Talebã. China e Afeganistão são países vizinhos e têm 76 km de fronteiras comum.

A China "respeita o direito do povo afegão a decidir seu próprio destino e futuro e deseja seguir mantendo relações amistosas e de cooperação com o Afeganistão", afirmou à imprensa a porta-voz da diplomacia chinesa, Hua Chunying.

Já o encarregado russo para o Afeganistão, Zamir Kabulov, afirmou nesta segunda-feira que o embaixador de seu país em Cabul se reunirá na terça-feira (17) com os talibãs e que a Rússia decidirá se reconhece ou não o governo do Talibã de acordo com as ações do grupo.

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