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'Abandonados pelo resto do mundo': África vacinou cerca de 3% da população contra Covid

Pessoa segura cartaz pedindo vacinas contra a Covid-19 durante protesto em Pretória, na África do Sul, em 25 de junho de 2021 — Foto: Siphiwe Sibeko/Reuters

Pessoa segura cartaz pedindo vacinas contra a Covid-19 durante protesto em Pretória, na África do Sul, em 25 de junho de 2021 — Foto: Siphiwe Sibeko/Reuters

Autoridades alertam para os baixos índices de vacinação contra a Covid-19 na África: cerca de 3,5% da população totalmente imunizada, segundo dados divulgados na terça-feira (14).

O balanço foi anunciado pelo diretor do centro africano de controle e prevenção de doenças (Africa CDC), John Nkengasong, durante uma coletiva de imprensa. Ele lembrou que o índice é bem inferior ao objetivo oficial de 60% almejado pelas autoridades.

Diante da situação, o enviado especial da União Africana para a Covid-19, Strive Masiyiwa, lançou um apelo para que os fabricantes facilitem a venda de imunizantes para a região, que conta com um nível de doações internacionais bem abaixo do esperado.

"Compartilhar as vacinas é uma boa coisa. Mas nós não deveríamos ter que contar com a doação de vacinas", afirmou Masiyiwa na sede da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Genebra. "Nós queremos comprar vacinas".

Ele lembrou que a União Africana criou um Fundo africano para a aquisição de imunizantes (Avat), e que os fabricantes têm a “responsabilidade moral” de vender doses para os países da região. "Esses fabricantes sabem muito bem que nunca nos deram o acesso apropriado [às vacinas]".

Enfermeira mede a temperatura de pessoas que se preparam para receber a vacina contra a Covid-19 da Moderna em Lagos, na Nigéria, em 25 de agosto de 2021 — Foto: Sunday Alamba/AP

Enfermeira mede a temperatura de pessoas que se preparam para receber a vacina contra a Covid-19 da Moderna em Lagos, na Nigéria, em 25 de agosto de 2021 — Foto: Sunday Alamba/AP

Quebra de patentes e fim restrições de exportações

Masiyiwa também pediu à comunidade internacional que quebre as patentes sobre os imunizantes disse que o mais urgente agora é que os países suspendam as restrições de exportações de vacinas de seus insumos.

Segundo um balanço feito pela agência de notícias France Presse, foram administradas 9 doses de vacinas para cada 100 habitantes na África, contra 118 nos Estados Unidos e Canadá, 104 na Europa, 85 na Ásia, 84 na América Latina e Caribe, 69 na Oceania e 54 no Oriente Médio.

Os países africanos "foram abandonados pelo resto do mundo", resumiu o diretor geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus.

A entidade, que espera imunizar pelo menos 40% da população do continente até o final do ano, pediu novamente que os países ricos não lancem campanhas de terceira dose da vacina, como já ocorre em Israel e na França.

Estados Unidos, Alemanha e Suécia também anunciaram que vão lançar uma campanha de aplicação de uma dose de reforço, mas o diretor da OMS defende que a prioridade seja dada a uma distribuição das doses em todos os países, não apenas nas nações mais ricas.

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Trabalhador de saúde descansa em estação de trem improvisada como centro de vacinação contra a Covid-19 em East Rand, na África do Sul, em 27 de agosto de 2021 — Foto: Siphiwe Sibeko/Reuters

Trabalhador de saúde descansa em estação de trem improvisada como centro de vacinação contra a Covid-19 em East Rand, na África do Sul, em 27 de agosto de 2021 — Foto: Siphiwe Sibeko/Reuters

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