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Colômbia encerra votação do segundo turno da eleição presidencial em clima de incerteza após disputa acirrada

Eleitor vota em Bucaramanga, na Colômbia, neste domingo (19) — Foto: AP Photo/Ivan Valencia

Eleitor vota em Bucaramanga, na Colômbia, neste domingo (19) — Foto: AP Photo/Ivan Valencia

A votação do segundo turno da eleição presidencial na Colômbia, neste domingo (19), terminou com clima de incerteza após uma disputa muito acirrada entre dois candidatos de perfis opostos que chegaram à disputa em empate técnico, segundo as pesquisas.

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Os concorrentes são:

  • Gustavo Petro, economista e ex-guerrilheiro de esquerda que promete reformas econômicas e sociais para combater a pobreza, a desigualdade e a exclusão;
  • e o independente Rodolfo Hernández, excêntrico empresário que propõe cortar os gastos do Estado e lutar contra a corrupção, apesar de ele próprio estar sendo investigado por suspeita de cometer o mesmo crime.

O país nunca teve um presidente de esquerda. Petro, que é senador e liderou a votação no primeiro turno (com 40,34%), é o político desse espectro ideológico com a maior chance de ser eleito. Ex-militante de guerrilha do M-19 e ex-prefeito de Bogotá, ele é o candidato do Pacto Histórico e tem como plataforma medidas que despertam temor em empresários e no mercado financeiro.

Já Hernández é um engenheiro de 77 anos que faz parte da Liga de Governantes Anticorrupção. Ele surpreendeu no primeiro turno (com 28,1% dos votos) com uma agenda que prevê, entre outras ações, entregar drogas a dependentes químicos e desestimular o narcotráfico.

Mais de 39 milhões de eleitores estavam aptos para votar no segundo turno na Colômbia. A votação começou às 8h e terminou às 16h deste domingo.

Veja, no vídeo abaixo, mais sobre Petro e Hernández:

Saiba quem são os candidatos na eleição presidencial da Colômbia neste domingo (19)

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Quem são os candidatos

Petro é ex-prefeito de Bogotá e atualmente é um senador. Ele é ex-membro do movimento guerrilheiro M-19, que renunciou à luta armada no fim dos anos 1980.

Ele propôs uma ambiciosa reforma tributária de US$ 13,5 bilhões --equivalente a 5,5% do produto interno bruto da Colômbia-- financiada por impostos mais altos sobre os mais ricos.

Ele prometeu melhorar as condições sociais e econômicas de um país onde metade da população vive em alguma forma de pobreza.

Hernández, um candidato surpresa no segundo turno, foi impulsionado por promessas anticorrupção, planos para encolher o governo e moradia para os pobres.

No entanto, ele enfrenta uma investigação da Procuradoria-Geral por supostamente intervir em uma licitação de coleta de lixo enquanto prefeito de Bucaramanga, para beneficiar uma empresa para a qual seu filho fazia lobby.

Hernández nega as acusações e apoiadores gostam de sua imagem antiestablishment.

Quem é Gustavo Petro? Ex-guerrilheiro é favorito à presidência da Colômbia

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Quem é Rodolfo Hernández? Candidato da direita concorre à Presidência da Colômbia

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É a economia

A economia é um dos principais temas das eleições deste ano, e os dois concorrentes tentam se diferenciar nesse tema, segundo Fabio Sanchez, professor da Escola de Política e Relações Internacionais da Universidade Sergio Arboleda, em Bogotá.

Hernández usa sua imagem de empresário que poderia empregar seus conhecimentos de gerência para o país. “Em seu programa, ele fala de créditos e subsídios para que o país possa ser competitivo em mercados internacionais”, diz Arboleda.

Já Petro propõe uma mudança no modelo extrativista para uma economia produtiva (além de produtora agrícola, a Colômbia também exporta petróleo e minérios).

“Isso passaria por uma reforma agrária, o que pode gerar uma grande resistência em alguns setores”, afirma o professor. O assunto central da discussão econômica nas eleições é como conseguir reduzir a pobreza e melhorar os níveis de desenvolvimento e industrialização, segundo ele.

Esquerda versus incógnita

Apesar do discurso econômico de Hernández ser mais próximo da direita, o candidato não poderia ser classificado como extrema direita, diz Fernanda Nanci Gonçalves, professora da UFRJ e Unilasalle-RJ.

“É difícil definir qual é o espectro político dele. Certamente ele não é de esquerda, mas não é correto, neste momento, afirmar que é da extrema-direita”, afirma ela.

A professora afirma que Hernández, apesar de semelhanças com ex-presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, ou com Jair Bolsonaro, do Brasil, trata-se de um político diferente.

“Durante a campanha, Hernandez disse que se eleito, quer reestabelecer relações com a Venezuela, já falou que não seria contra o aborto, -- e isso é um escândalo em uma sociedade extremamente religiosa como a Colômbia -- e diz que é importante fazer um acordo de paz com a guerrilha Exército de Libertação Nacional (ELN), apesar de ele dizer que a filha foi sequestrada e morta pelo grupo. Não ter uma agenda clara é nitidamente uma estratégia que é utilizada por ele”, diz a professora Gonçalves.

As semelhanças com Trump e Bolsonaro são mais pela forma de fazer política, explica ela: o uso de redes sociais (Hernández faz muitos vídeos no TikTok), a fala direta e objetiva, sem rodeios, e a pauta da anticorrupção, que aparece de forma insistente, mas vaga (ele não diz como pretende combater a corrupção).

A decadência do Uribismo

A candidatura de Hernández não representa a direita tradicional na Colômbia. Esse setor da política é dominado pelo ex-presidente Álvaro Uribe. Depois de deixar a presidência, Uribe conseguiu atuar para eleger dois aliados: Juan Manuel Santos (posteriormente, os dois romperam) e o atual presidente, Iván Duque.

“O governo de Duque teve um índice de aprovação mais baixo desde os anos 1990, e há muitas pessoas contra este governo, o que implicou uma repulsa dos ‘uribistas’”, diz Andres Del Río, professor de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Dificuldade para governar

Antes mesmo das eleições, já se podia dizer que o próximo presidente terá dificuldades com o Legislativo.

A coalizão de esquerda tem cerca de 30% do Legislativo da Colômbia, e o partido de Hernández mal está representado no Congresso, diz Andres. “Apesar da direita ter perdido força no Congresso, ainda é mais ou menos a metade, ainda que segmentada em vários partidos. Seja qual for o presidente, terá várias negociações com esses partidos”, diz ele.


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