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Ucranianos contêm ataques russos no leste e Otan diz temer guerra de 'anos'

bandeira rasgada da Ucrânia pendurada em um fio em frente a um prédio de apartamentos destruído — Foto: Alexander Ermochenko/File Photo/REUTERS

bandeira rasgada da Ucrânia pendurada em um fio em frente a um prédio de apartamentos destruído — Foto: Alexander Ermochenko/File Photo/REUTERS

O Exército ucraniano anunciou, neste domingo (19), que conseguiu frear os ataques russos perto da cidade de Severodonetsk, no leste do país, palco de intensos combates durante semanas nesta guerra que, de acordo com a Otan, poderá durar "anos".

"Nossas unidades conseguiram frear o assalto na região de Toshkyvka", declarou o Exército ucraniano em publicação no Facebook. "O inimigo se retirou", acrescentou a corporação. Serguii Gaidai, governador de Lugansk, região onde fica Severodonetsk, classificou como "mentiras" as declarações, segundo as quais a Rússia controla toda localidade. "É verdade que eles controlam a maior parte da cidade, mas não completamente", frisou.

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Em Severodonetsk há mais de 500 civis, incluindo 38 crianças, entrincheirados em uma fábrica de produtos químicos para se proteger dos bombardeios, relatou Gaidai, acrescentando que a planta voltou a ser atingida por ataques aéreos nas últimas horas. Há vários dias, tenta-se estabelecer um corredor humanitário, mas sem sucesso. Russos e ucranianos acusam uns aos outros pelo fracasso da operação de retirada de civis.

De Moscou, o Ministério russo da Defesa afirmou que "a ofensiva contra Severodonetsk está sendo realizada com sucesso". "Unidades da milícia popular da República Popular de Lugansk, apoiadas pelas Forças Armadas russas, libertaram a cidade de Metolkin", a sudeste de Severodonetsk, relatou o ministério à imprensa.

"Não há lugar seguro"

Depois de fracassar em sua tentativa de tomar Kiev no início da ofensiva, em 24 de fevereiro passado, o objetivo da Rússia agora parece ser assumir o controle total do Donbass, composto pelas regiões de Lugansk e Donetsk. Desde 2014, esta região já é parcialmente controlada por separatistas pró-Rússia apoiados por Moscou.

"Não há lugar seguro", admitiu o governador em uma entrevista à AFP, de Lysychansk, na região de Lugansk. Os russos "bombardeiam nossas posições 24 horas por dia", descreveu. "Tem um ditado que diz: você tem que se preparar para o pior, e o melhor virá", diz Gaidai. "Claro que temos que nos preparar", reitera o funcionário, que teme que os russos cerquem a cidade e bloqueiem as estradas que garantem o abastecimento.

Com uma população de cerca de 100.000 habitantes antes da guerra, apenas 10% permanecem em Lysychansk. E, na cidade, tudo e todos parecem estar se preparando para combates nas ruas: os soldados cavam buracos e colocam arame farpado; a polícia coloca carros incendiados para parar o trânsito; e muitos moradores que ainda estavam lá decidiram, enfim, ir embora.

"Largamos tudo e vamos embora. Ninguém pode sobreviver a um ataque desses", lamenta a professora de história Alla Bor.

Presidente da Ucrânia visita cidades que têm sido alvos frequentes de ataques da Rússia

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"Não vamos dar o sul para ninguém"

Neste domingo, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, manifestou sua determinação de continuar resistindo no sul, após uma visita às cidades de Mykolaiv e Odessa no sábado.

"Não daremos o sul para ninguém. Vamos recuperar tudo. O mar será ucraniano e será seguro", prometeu, em um vídeo publicado no Telegram, após retornar para a capital do país, Kiev. "Estão confiantes e, olhando nos olhos deles, é óbvio que não duvidam de sua vitória", acrescentou Zelensky, referindo-se às suas tropas.

"As perdas são importantes, muitas casas foram destruídas, a logística civil foi afetada, e há muitos problemas sociais", admitiu Zelensky. "Pedi que as pessoas que perderam seus entes queridos recebam uma maior assistência. Vamos reconstruir tudo o que foi destruído. Os mísseis russos são menores do que a vontade de viver do nosso povo", declarou.

Mykolaiv tinha meio milhão de habitantes antes da guerra e segue sob controle ucraniano, mas fica perto de Kherson, uma região praticamente ocupada pelos russos.

Além disso, está localizada na estrada para Odessa, o maior porto da Ucrânia. Esta última também está sob controle ucraniano e no centro das negociações, pois há milhões de toneladas de grãos ucranianos bloqueados ali. A Rússia, que controla esta zona do mar Negro, argumenta que as águas estão minadas.

Guerra pode durar 'anos'

O otimismo de Zelensky diverge, no entanto, do panorama sombrio apresentado pelo secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg. Em entrevista publicada neste domingo pelo jornal alemão Bild, ele avalia que a guerra pode durar "anos" e, por isso, os países ocidentais devem se preparar para um apoio duradouro à Ucrânia. "Temos de estar preparados para que isso dure anos", afirmou Stoltenberg.

"Não devemos esmorecer em nosso apoio à Ucrânia, mesmo que os custos sejam altos, não apenas em termos de apoio militar, mas também no aumento dos preços da energia e dos alimentos", completou.

Esta semana, a Rússia reduziu o fluxo de gás para a Europa Ocidental, alegando problemas técnicos. Em reação, a Alemanha anunciou medidas de emergência, neste domingo, para garantir seu abastecimento de energia. Isso significará recorrer mais ao carvão.

Trata-se de uma guinada de 180 graus para o governo de coalizão alemão, que inclui ambientalistas e que prometeu abandonar o uso do carvão no país até 2030. "É amargo, mas é indispensável reduzir o consumo de gás", disse o ministro da Economia, o ambientalista Robert Habeck, em um comunicado.

Já o Catar anunciou que o grupo italiano ENI vai-se unir à empresa francesa TotalEnergies no projeto North Field East, cujo objetivo é aumentar em 60% a produção de gás natural liquefeito no país do Golfo, até 2027.


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