Carregando...

Macron perde maioria no Parlamento francês, segundo projeção

Partido do presidente francês não terá bancada suficiente para aprovar projetos, segundo estimativa. Nova coalizão de esquerda será a maior força de oposição, e extrema direita teve o melhor resultado da sua história.O partido do presidente francês, Emmanuel Macron, perdeu a maioria governamental na Assembleia Nacional, a câmara baixa do Parlamento da França, de acordo com projeção do resultado do segundo turno das eleições legislativas, realizadas neste domingo (19/06) em todo o país.

Macron deixa cabina de votação após votar no segundo turno das eleições legislativas
Macron deixa cabina de votação após votar no segundo turno das eleições legislativas
Foto: DW / Deutsche Welle

A legenda de Macron, A República em Marcha, seguirá tendo a maior bancada da Assembleia Nacional, mas não terá os 289 assentos necessários para uma maioria governamental. Segundo a projeção da TF1, o partido do presidente francês terá de 230 a 240 assentos.

  • Homem que desistiu de ser humano mostra sua nova rotina como um cão
  • Putin arquiteta plano de fome na Europa, diz historiador
  • As notícias do dia você acompanha na capa do Terra; confira!

O resultado, incomum na França, irá dificultar a governabilidade de Macron e afeta a sua capacidade de implementar as reformas prometidas na eleição presidencial, realizadas em abril, que deu a ele um segundo mandato.

A Nova União Popular Ecológica e Social (Nupes), uma coalizão de esquerda liderada por Jean-Luc Mélenchon, do partido A França Insubmissa, que abrange também o Partido Socialista, os comunistas e os verdes, deverá ser a principal força de oposição, com de 165 a 175 assentos.

A extrema direita, representada pelo partido Reagrupamento Nacional, de Marine Le Pen, deve ganhar de 80 a 85 assentos - contra oito assentos conquistados nas eleições anteriores. A direita tradicional, representada pelo Os Republicanos/União dos Democratas e Independentes, terá de 62 a 68 assentos. Os demais partidos devem conquistar um total de 23 cadeiras, segundo a projeção.

Risco de paralisia no Parlamento

O forte desempenho da coalizão de esquerda tonará muito mais complexa para Macron a tarefa de implementar seu programa de governo, que inclui cortes de impostos e o aumento da idade mínima de aposentadoria de 62 para 65 anos.

Se as projeções se confirmarem, Macron precisará negociar caso a caso com os parlamentares da centro-esquerda ou da direita tradicional para tentar aprovar os projetos de interesse do governo.

O governo francês também poderia usar ocasionalmente uma medida especial prevista pela Constituição do país que permite a edição de uma lei sem uma votação no Parlamento.

A coabitação - como é chamado um governo de minoria na França - ocorreu pela última vez em 2002, entre o presidente conservador Jaques Chirac e seu primeiro-ministro socialista, Lionel Jospin, e geralmente leva a impasse político.

As eleições parlamentares deste ano foram marcadas em grande parte pela apatia do eleitorado - mais da metade dos eleitores aptos a votar não compareceram às urnas.

Audrey Paillet, 19 anos, que votou em Boussy-Saint-Antoine, no sudeste de Paris, estava triste por tão poucas pessoas terem comparecido. "Algumas pessoas lutaram para votar. É uma pena que a maioria dos jovens não faça isso", disse.

Agenda doméstica exigirá mais de Macron

Macron fez um forte apelo aos eleitores no início desta semana, antes de uma viagem à Romênia e à Ucrânia, advertindo que uma eleição inconclusiva, ou um Parlamento paralisado, colocaria a nação em perigo.

"Nestes tempos conturbados, a escolha que vocês farão neste domingo é mais crucial do que nunca", disse ele na terça-feira, antes de decolar para visitar militares franceses mobilizados perto da Ucrânia. "Nada seria pior do que acrescentar uma desordem francesa à desordem mundial'', disse.

Alguns eleitores concordaram, e se posicionaram contra a escolha de candidatos dos extremos políticos que vinham ganhando popularidade. Outros argumentaram que o sistema francês, que concede amplo poder ao presidente, deveria dar mais voz ao um Parlamento multifacetado e funcionar com mais controles sobre o Executivo.

"Não tenho medo de ter uma Assembleia Nacional mais dividida entre os diferentes partidos. Espero um regime que seja mais parlamentar e menos presidencial, como você pode ter em outros países", disse Simon Nouis, um engenheiro que votou no sul de Paris.

O fracasso da Macron em obter uma maioria poderia ter ramificações pela Europa. Alguns analistas prevêem que o líder francês terá que gastar o resto de seu mandato concentrando-se mais em sua agenda doméstica em vez de sua política externa, reduzindo espaço para a atuação de Macron como estadista do continente.

bl (AP, Reuters)


Deixe uma resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados*