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Chile encerra votação em referendo sobre nova Constituição

Marcada pela tranquilidade e pelo alto comparecimento, o Chile encerrou às 18h (hora local, 19h de Brasília) a votação deste domingo, 4, sobre aproposta de nova Constituição do país. As seções foram fechadas, mas quem ainda está nas filas pode continuar votando. O presidente Gabriel Boric lidera um comitê político no Palácio La Moneda e deve discursar assim que encerrada a apuração, na noite deste domingo.

A ministra porta-voz do governo do Chile, Camila Vallejo, fez um balanço positivo sobre dia de votação. Em declarações à imprensa, ela exaltou que não tenham sido registrado incidente.

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"Temos um balanço positivo desta jornada, não somente pela alta participação dos cidadãos e cidadãs, mas sim também porque funcionaram nossas instituições, o serviço eleitoral (Servel), os locais de votação", disse a ministra porta-voz.

"Queremos agradecer a todos que estão contribuindo para que essa jornada seja participativa, seja segura, seja tranquila, seja democrática", completou Vallejo.

Presidente chileno Gabriel Boric fala com a imprensa após votar no referend, em Punta Arenas Foto: Presidência chilena/AFP - 04/09/2022

Durante toda a manhã, a maioria dos ministros do governo presidido por Gabriel Boric, fizeram convocações aos chilenos para que fossem às urnas.

'Jogo da Vergonha'

O local que mais simbolizou o dia do referendo foi a maior zona eleitoral do Chile, o estádio Nacional, em Santiago, um ícone da ditadura. Mais de 13 mil eleitores votaram no palco da decisão da Copa de 1962, vencida pelo Brasil.

"É um palco de muitas alegrias esportivas e recreativas, pois é usado para shows e espetáculos, mas também é um lugar de profunda dor, tristeza e violência", afirmou a historiadora Carla Peñaloza.

Pelos porões do estádio passaram 50 mil prisioneiros, entre setembro e novembro de 1973, quando o local foi fechado como centro de detenção.

"O Estádio Nacional parou de receber presos políticos porque era preciso jogar contra a União Soviética pelas eliminatórias da Copa de 1974?, lembra Peñaloza. "Em protesto contra a ditadura, os soviéticos não entraram em campo."

Chilenos fazem fila para votar na maior zona eleitoral do Chile, o estádio Nacional, em Santiago, um ícone da ditadura Foto: Alberto Valdés/EFE - 04/09/2022

A partida ficou conhecida como "Jogo da Vergonha" e o Chile se classificou com um gol patético, após uma troca de passes entre os jogadores chilenos sem time adversário.

Na fila para entrar estava Ana Velázquez, que ficou presa por duas semanas no estádio quando tinha 21 anos. "Saí por milagre, graças à Cruz Vermelha", disse Velázquez. "Temos de jogar no lixo a Constituição de Pinochet, que foi escrita com sangue e fogo. Agradeço aos jovens do Chile, que se uniram na revolta social e iniciaram esse processo."

Para Entender

    Paola Castro, de 45 anos, mostrou otimismo, acreditando que a mudança "está mais perto do que nunca", ao admitir que votou pela aprovação do texto. "Vir votar no Estádio Nacional não é só exercer um direito, mas é reconhecer nossa história", disse.

    Santiago, no entanto, é um ponto fora da curva na votação deste domingo. A região é um reduto dos apoiadores do novo texto constitucional. A questão, porém, era saber se o voto dos moradores da capital seria suficiente para levar o nova Carta à vitória no referendo.

    A rejeição do texto constitucional teria um profundo impacto no governo Boric, que dependia do novo marco legal para adotar as reformas que propôs na campanha. Agora, analistas e líderes políticos divergem sobre os próximos passos.

    Há poucas saídas. Uma vez rejeitada, a Constituição atual, herança de Pinochet, permanece em vigor, e o Chile volta à estaca zero. "Em termos jurídicos, segue vigente a Constituição de 1980. Mas em termos políticos, há um entendimento de que a atual Carta não tem legitimidade", disse Pamela Figueroa, professora do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Santiago.

    Antes da votação, Boric havia afirmado que pretendia alterar a ordem constitucional em qualquer dos cenários. "Vou em busca de um Chile unido por uma nova Constituição, quer ganhe o aprovo ou o rechaço", disse. A confiança do presidente tem como base o fato de quase 80% dos chilenos terem votado em favor de mudar a Constituição, em um plebiscito, em outubro de 2020.

    "Os problemas do Chile a gente resolve de maneira democrática", disse Boric, às vésperas do referendo, no sábado. Agora, lhe resta a possibilidade de convocar uma novo processo constituinte. "Teremos de enfrentar uma nova convenção, que vai demorar mais. Mas o povo do Chile já definiu que quer um novo texto escrito de forma democrática, paritária, com mais participação."/EFE, AFP e AP


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