Carregando...

Pacientes com sintomas de Covid-19 que morreram na fila para UTI esperaram, em média, 3 dias por leito no Pará

Leito de UTI destinado para paciente de Covid-19 em Belém. — Foto: Reprodução / Agência Pará

Leito de UTI destinado para paciente de Covid-19 em Belém. — Foto: Reprodução / Agência Pará

Três dias foi a média de espera por vaga em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para 1.240 pessoas que morreram na fila com suspeita ou confirmação para Covid-19 no Pará, entre 1º janeiro e 26 de abril de 2021.

Entre os casos, está o maior tempo médio de aguardo na fila - aproximadamente 10 dias e 20 horas para UTI Pediátrica registrada em fevereiro. Já em março, um paciente esperou por 3 dias e 14 horas para vaga na UTI Adulto Centenária, mas veio a óbito.

As informações de pessoas que morreram à espera de leito de UTI constam em relatório com dados do Sistema Estadual de Regulação, obtido pelo G1 via lei de acesso à informação e divulgado nesta terça (8). O documento é elaborado por equipe técnica contratada pela Secretaria de Saúde Pública do Pará (Sespa).

O G1 solicitou à assessoria da Sespa dados de óbitos à espera de leitos e também sobre ações para garantir leitos a todos que precisam, mas não havia obtido resposta até a publicação da reportagem.

De acordo com o relatório, os cancelamentos para ocupação de UTI, por causa de morte, foram levantados considerando pessoas em tratamento dos seguintes quadros de saúde:

  • afecções necróticas e supurativas das vias aéreas inferiores;
  • doenças respiratórias que afetam principalmente o interstício;
  • infecções pelo coronavírus - Covid-19;
  • doenças do aparelho respiratório;
  • doenças causadas por vírus (B25 a B34);
  • infecções agudas das vias aéreas inferiores;
  • e pneumonias ou influenza (Gripe).

No período analisado, as maiores médias de espera foram para leitos em UTI Adulto. Em janeiro, a espera teve média de 2 dias e 20 horas; em fevereiro foi de 2 dias e 10 horas; em março foram 3 dias e 15 horas; e em abril foi de 2 dias e 6 horas, confira no gráfico abaixo:

Espera por leito de UTI em casos de óbitos registrados no PA

Tipo de leitoMêsMédia de espera
UTI PediátricoJaneiro/202115 horas
UTI PediátricoFevereiro/202110 dias e 20 horas
UTI PediátricoMarço/20211 dia e 1 hora
UTI PediátricoAbril/202123 horas
UTI InfantilJaneiro/202118 horas
UTI InfantilFevereiro/202118 horas
UTI InfantilMarço/202111 horas
UTI AdultoJaneiro/20212 dias e 20 horas
UTI AdultoFevereiro/20212 dias e 10 horas
UTI AdultoMarço/20213 dias e 15 horas
UTI AdultoAbril/20212 dias e 6 horas
UTI Adulto CentenáriaMarço/20213 dias e 14 horas
UTI Neonatal (pública)Abril/202123 horas
Fonte: Sistema de Regulação Estadual / Sespa
deslize para ver o conteúdo

À época destas mortes à espera de leito, a secretaria não divulgava o quantitativo de pessoas na fila, nem pessoas que morriam aguardando por vaga.

A falta de informação chegou a ser motivo de recomendação à Sespa feita em março pelo Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do Pará (MPPA) e Defensoria Pública da União (DPU). A recomendação enviada ao governador do Pará, Helder Barbalho, e ao secretário estadual de Saúde, Rômulo Rodovalho, não foi acatada e posteriormente virou assunto de ação civil pública contra o Estado.

Com as mortes em queda, a Sespa passou a divulgar mais informações a respeito da disponibilidade de leitos. Mesmo assim, o número de óbitos à espera de leito continua não sendo divulgado.

Em decisão recentemente divulgada, a Justiça do Pará determinou a divulgação diária do quantitativo de pacientes que aguardam em fila de espera por leitos clínicos e de UTI Covid-19. A informação deve constar, segundo a determinação, no website de transparência da Sespa e nos demais meios de comunicação, como nas redes sociais, além da lista de pacientes no aguardo por internação.

A decisão acata parcialmente a liminar pleiteada pelo MPPA em ação civil pública ajuizada em abril sobre transparência dos dados epidemiológicos. De acordo com a Justiça, o Estado deve providenciar ainda a divulgação da correta quantidade de leitos exclusivos para tratamento da Covid-19 efetivamente disponíveis, em conformidade com Sistema Estadual de Regulação (SER), deixando de informar leitos “reservados” e “aguardando confirmação de reserva” como leitos disponíveis.

A Justiça no entanto não acatou pedido para divulgação diária das mortes de pacientes em fila de espera por vaga em leito.

Situação dos leitos exclusivos para Covid-19 no Pará antes das 18h de 8 de junho de 2021. — Foto: Reprodução / Portal de Monitoramento (Sespa)

Situação dos leitos exclusivos para Covid-19 no Pará antes das 18h de 8 de junho de 2021. — Foto: Reprodução / Portal de Monitoramento (Sespa)


Deixe uma resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados*