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Ex-namorado que matou modelo no Pará alega 'legítima defesa'; Polícia considera caso como feminicídio

Ex-namorado que matou modelo no Pará diz que agiu em 'legítima defesa'. — Foto: Reprodução / TV Liberal

Ex-namorado que matou modelo no Pará diz que agiu em 'legítima defesa'. — Foto: Reprodução / TV Liberal

Lúcio Magno Quadros, de 22 anos, ex-namorado da modelo Geordana Natally Sales Farias, de 20 anos, alegou, em depoimento à Polícia Civil, que matou a jovem em legítima defesa. A Policia, no entanto, considera o caso como crime de feminicídio, pela desproporção de força da vítima em comparação ao agressor.

De acordo com o suspeito, a faca usada no crime estava com a vítima e teria sido ela a primeira a desferir golpe contra ele. O homem alega que revidou e feriu a jovem com três facadas. Em seguida, voltou pra casa sem prestar socorro à vítima. Ele disse à polícia que não sabia que Geordana estava morta.

Segundo relato de familiares, o último contato da jovem com a família foi na noite da terça-feira (31). Ela passou a noite na residência do ex-namorado e foi morta quando retornava pra casa, por volta de 5h, em uma rua bem próxima de onde morava.

Em depoimento, o homem alega que ele e a vítima tiveram uma discussão por causa de mensagens que a modelo viu no celular do ex-namorado. Segundo relato do agressor, os dois dormiram juntos e pela manhã, antes de saírem, a jovem pegou uma faca e levou consigo sem que ele percebesse. O suspeito afirma que, no caminho, eles voltaram a discutir e, após isso, Geordana puxou a faca e golpeou o ex-namorado na mão. Ele conta que reagiu e matou a jovem.

Vizinhos relatam que não ouviram gritos, mas foram despertados por latidos de cachorros. Foi quando encontraram o corpo de Geordana em passarela que dá acesso às WEs 82 e 83, na Cidade Nova 6, em Ananindeua. Os moradores avisaram os familiares, que reconheceram o corpo da jovem assassinada. Ao longo da manhã desta quarta, familiares e amigos compareceram à casa da vítima para prestar solidariedade.

Modelo é morta a facadas pelo ex-namorado em Ananindeua, no Pará

Modelo é morta a facadas pelo ex-namorado em Ananindeua, no Pará

Relacionamento abusivo

Segundo a Polícia Civil, a vítima, já tinha registrado ocorrência contra o ex-namorado, em maio deste ano, na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), em Ananindeua. Desde então, Geovana tinha medida protetiva contra o agressor.

A família relata que o assassino foi o primeiro namorado de Geordana e o relacionamento foi marcado por idas e vindas. Uma das tias da vítima lamenta a perda e a interrupção dos planos que a jovem tinha. Ela diz, ainda, que a família não sabia o que a modelo sofria no relacionamento com o ex-namorado.

“A gente não sabia que ele ameaçava ela. Ela não se abria pra gente. É uma perda irreparável. Uma menina boa, dócil, todo mundo gostava dela. Ninguém nunca ouviu falar que alguém tinha antipatia por ela. Ela tinha muitos sonhos, o ideal de se tornar uma modelo profissional, de fazer faculdade", diz tia da vítima.

"Ela ia fazer faculdade agora nesse período. Infelizmente acabaram os sonhos dela”

Jovem modelo foi morta a facadas pelo ex-namorado, segundo a família— Foto: TV Liberal/Reprodução

Jovem modelo foi morta a facadas pelo ex-namorado, segundo a família — Foto: TV Liberal/Reprodução

Feminicídio

Apesar de o agressor ter alegado ação em legítima defesa, a polícia trabalha considerando o caso como crime de feminicídio.

"Ele confessa a agressão que levou à morte, mas alega que teria agido sob situação de legítima defesa. Só que pela quantidade de golpes, a forma, a diferença das compressões físicas, todos esses elementos que são carreados dentro do auto de inquérito policial, a gente vê que são construções a título apenas de justificativa do que é injustificável”, afirma o delegado Daniel Castro, diretor de polícia metropolitana de Belém.

O delegado explica que uma das principais características de um relacionamento abusivo é o chamado "Ciclo da lua de mel", que é quando o agressor consegue convencer a vítima a uma reconciliação, muitas vezes sob promessas de mudança. Em muitos casos, como o da jovem Geordana, esse ciclo se encerra de forma fatal.

No Pará, segundo a Secretaria de Segurança Pública (Segup), houve um aumento de 40% nos casos de feminicídio do estado em 2020. Entre janeiro e dezembro do ano passado, 66 casos foram registrados no Pará. No mesmo período, em 2019, havia registro de 47 casos.


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