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Polícia faz reprodução simulada da agressão de PMs contra vereadora atingida com spray de pimenta no rosto, durante protesto

Perícias foram realizadas pelo Instituto de Criminalística— Foto: Reprodução/TV Globo

Perícias foram realizadas pelo Instituto de Criminalística — Foto: Reprodução/TV Globo

Foi realizada, na manhã desta quinta-feira (29), uma reprodução simulada da agressão praticada por policiais militares contra a vereadora do Recife Liana Cirne (PT). Nesta quinta completam-se dois meses do caso, que aconteceu durante o primeiro de uma série de protestos contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e a favor de vacinas, na capital pernambucana.

Segundo a polícia, as perícias foram realizadas pelo Instituto de Criminalística (IC). A corporação fez um ofício solicitando a presença do policial militar que apertou o spray de pimenta em direção ao rosto da parlamentar, o soldado Lucas França da Silva, que chegou ao local encapuzado.

De acordo com o boletim de ocorrência do caso, também estiveram envolvidos na agressão o sargento Ronaldo Santos de Lima e os soldados Paulo Henrique Ferreira Dias e Aberlryton José Mendes de Aguiar (veja vídeo abaixo).

Divulgados nomes dos policiais afastados pelo Governo, após manifestação, no Recife

Divulgados nomes dos policiais afastados pelo Governo, após manifestação, no Recife

A viatura utilizada na ocorrência e frascos de spray de pimenta foram levados para a simulação que aconteceu nas imediações da delegacia de Santo Amaro, na área central do Recife. De acordo com a polícia, os peritos queriam investigar questões como a distância do lançamento do spray de pimenta e as circunstâncias do caso.

Segundo a perita Magda Pedroza, o soldado França da Silva disse que estava no banco atrás do motorista e que apertou o spray passando o braço por cima do outro colega que estava no banco ao lado dele. A perita não deu entrevista para a TV Globo, mas informou que todos os policiais militares da Rádio Patrulha também foram atingidos pelo spray de pimenta.

Durante a simulação, o advogado Rafael Nunes que representa os policiais voltou a afirmar que os policiais foram provocados pela vereadora e que ela fez a cena para se autopromover.

"Objetivo dessa perícia é deixar claro perguntas que só uma perícia pode responder. [...] Eu tenho certeza que sairá da forma que a defesa espera. A vereadora, o tempo inteiro dirigindo seus artifícios falando de política, querendo a todo custo aparecer, querendo se autopromover. Ela criou essa situação. [...] Ela ficou o tempo inteiro buscando confronto", declarou.

A vereadora não participou da simulação, mas deu entrevista à TV Globo e afirmou que a responsabilidade da agressão, no boletim de ocorrência, havia sido assumida pelo sargento Santos de Lima e não pelo soldado França da Silva.

"O Brasil inteiro viu a violência de que fui vítima. Como a defesa não tem argumentos para se defender, ela mente. Mentiu no boletim de ocorrência, prestado no dia 29 de maio, que é um documento oficial, eles disseram que eu não me identifiquei como vereadora. Agora eles colocaram um soldado raso para assumir a responsabilidade que foi assumida no boletim por um sargento", declarou.

Ela se defendeu, ainda, das acusações de autopromoção. "Eles estão dizendo que eu fiz de propósito para me promover. Para fazer de propósito eu tinha que ter adivinhado a rota dos carros, o horário em que eles teriam passado pela ponte e, principalmente, eu teria que adivinhar que eu seria agredida violentamente".

Imagens da agressão

PMs agridem vereadora do Recife com spray de pimenta em protesto contra Bolsonaro

PMs agridem vereadora do Recife com spray de pimenta em protesto contra Bolsonaro

A agressão, que aconteceu em 29 de maio deste ano, foi filmada e divulgada nas redes sociais (veja vídeo acima). Pelas imagens foi possível ver Liana apontando a carteira de identificação como vereadora para os policiais. Ao fundo, vários tiros eram disparados pela polícia, que utilizou spray de pimenta para dispersar as pessoas próximas às viaturas.

A gravação mostra, ainda, os policiais entrando na viatura e a vereadora, na pista e próximo à janela do veículo, tentando conversar com eles. Nesse momento, ela foi atingida por um jato de spray de pimenta no rosto e caiu no chão, tossindo.

Daniel da Silva foi atingido no olho por bala de borracha atirada pela PM durante o protesto; ele perdeu o globo ocular — Foto: Hugo Muniz

Daniel da Silva foi atingido no olho por bala de borracha atirada pela PM durante o protesto; ele perdeu o globo ocular — Foto: Hugo Muniz

Durante o ato, que até a dispersão policial era pacífico, a corporação atirou balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes. Dois homens foram atingidos nos olhos e perderam parte da visão.

Na data, a vereadora contou que não participava do protesto, mas tinha disponibilizado o seu telefone para prestar assistência jurídica para quem sofresse repressão policial durante o ato. Após receber ligações, foi para o local. Ela classificou a ação como desproporcional e de violência.

Investigação

Após dois meses da ação violenta da Polícia Militar, o governo ainda não divulgou oficialmente de quem partiu a ordem para dispersar os manifestantes no protesto pacífico.

Um documento interno da PM mostrou que a determinação foi do comando-geral da PM. A Corregedoria da SDS investiga também a omissão de socorro a Daniel Campelo.

No dia 6 de julho, a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco informou que concluiu as nove investigações preliminares sobre a ação da polícia. Sete processos administrativos disciplinares foram abertos pela Corregedoria-Geral contra os envolvidos.

Além disso, o Ministério Público de Pernambuco abriu um inquérito civil sobre a ação truculenta da PM.

Após a repercussão do caso, o secretário de Defesa Social e o comandante geral da PM deixaram os cargos. O então titular da SDS, Antônio de Pádua, foi substituído por Humberto freire, que era o secretário-executivo. O coronel Vanildo Maranhão foi para a reserva remunerada.

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