Carregando...

'É um novo show em espírito e impulso', diz Ney Matogrosso sobre apresentação em Pernambuco

Ney Matogrosso apresenta turnê 'Bloco na Rua' no sábado (27), em Olinda, no Grande Recife — Foto: Marcos Hermes/Divulgação

Ney Matogrosso apresenta turnê 'Bloco na Rua' no sábado (27), em Olinda, no Grande Recife — Foto: Marcos Hermes/Divulgação

“É um novo show em espírito e impulso”, declarou o artista Ney Matogrosso, que aos 80 anos se apresenta com a turnê "Bloco na rua", em Pernambuco, no sábado (27). Com início previsto para as 21h, no Classic Hall, em Olinda, a apresentação é a segunda realizada por Ney com essa turnê no estado.

Após mais de um ano e meio longe dos palcos devido à pandemia da Covid-19, Ney se apresentou em São Paulo no último dia 9 de outubro. Nesta quinta-feira (25), ele leva sua turnê a Natal, no Rio Grande do Norte. O show em Pernambuco é o terceiro do retorno ao público.

Recém-chegado em terras potiguares na tarde da quarta-feira (24), Ney recebeu, em uma entrevista coletiva virtual, um grupo de jornalistas pernambucanos para uma conversa que durou pouco mais de 40 minutos. Sorridente e tranquilo, ele contou que a emoção de voltar a receber o carinho do público é a mesma de sempre.

“Para mim é muito prazeroso estar voltando a cantar, estar nos palcos, claro que com todos os cuidados. Em São Paulo, por exemplo, pediram antes do show começar para que as pessoas não se levantassem, não se aproximassem do palco, não tirassem as máscaras. E, olha, as pessoas acataram isso com muita alegria de estar vivendo aquilo, por estar ali”, relatou.

Ney Matogrosso em apresentação da turnê 'Bloco na Rua' — Foto: Marcos Hermes/Divulgação

Ney Matogrosso em apresentação da turnê 'Bloco na Rua' — Foto: Marcos Hermes/Divulgação

O repertório apresentado na turnê tem canções como a que deu o nome à apresentação, “Eu quero é botar meu bloco na rua”, de Sérgio Sampaio, “A maçã”, de Raul Seixas, “Como 2 e 2”, de Caetano Veloso e “Pavão Mysteriozo”, de Ednardo.

Ao todo, 20 clássicos da MPB devem ser apresentados pelo artista, que disse ter montado o repertório, assim como todos os outros de sua carreira, a partir das letras das músicas.

“Tudo que eu canto é pela letra. Eu, para chegar nesse repertório, tinha feito outros dez antes. Esse foi o décimo. Eu tenho muitas relações de músicas que eu quero cantar. Peguei aquilo tudo e fui fazendo”, disse.

Sempre político sem ser panfletário, o artista declarou que enxerga e atualidade das letras que escolheu cantar, cada vez mais com o passar do tempo.

“O problema é que quando mais o tempo rola, mais atual aquela conversa fica, é muito doido. Infelizmente, você cantar hoje em dia ‘Tem gente com fome’ tem muito mais sentido do que quando eu comecei a fazer a turnê”, refletiu.

Em atividade constante desde o início da carreira na década de 1970, Ney contou que acabou se esquecendo de algumas marcações de palco que tinha na apresentação, mas disse que isso não é um problema.

“Eu me esqueci de tudo que eu tinha como marcação de palco, mas como não sou dirigido por ninguém, sou eu que invento, eu comecei a inventar coisas. Mas é assim mesmo, aos poucos eu vou lembrar de tudo. Como eu vinha fazendo com regularidade [os shows], já tinham muitas coisas que eu tinha marcado e que me esqueci completamente. Mas deu tudo certo, porque qualquer coisa que eu faça está valendo. Eu estou lá no palco, acreditando no que estou fazendo”.

Pandemia e novo disco

Capa do disco 'Nu com a minha música', de Ney Matogrosso — Foto: Marcos Hermes

Capa do disco 'Nu com a minha música', de Ney Matogrosso — Foto: Marcos Hermes

O período da pandemia foi de produção para Ney, que gravou um novo disco de estúdio após um hiato de anos longe das gravações. “Nu com a minha música”, composição de Caetano Veloso que deu nome ao disco de 12 faixas, foi o tom de liberdade que atribuiu sentido a esse período de isolamento social para o artista.

“[A pandemia] me estimulou a fazer um disco de estúdio, coisa que há muitos anos que eu não fazia, porque foi a maneira que eu encontrei de sair daquela baixa que a gente vivia. Cada um trancafiado dentro de cada corpo, porque era isso, não era só estar preso em casa, era estar preso em cada corpo. Quando eu comecei a fazer o disco minha liberdade voltou”, declarou.

O desafio, então, foi montar um repertório à distância que fizesse sentido para o artista. A ideia não é levar o disco para os palcos, mas sim deixá-lo como registro desse período.

“É um registro de um momento da minha história, da minha vida, da história da humanidade. Foi um disco de estúdio, coisa que eu não fazia há muitos anos. Para você ter uma ideia, os tons foram tirados por telefone, o que é uma temeridade, porque depois você só vai ouvir a coisa pronta. O que aconteceu é que por se tratar de um disco de estúdio onde eu não tinha cantado ao vivo, está tudo mais calmo, mais tranquilo. O que eu acho muito bom para um repertorio também”, salientou.

Ney Matogrosso apresenta 20 canções na turnê 'Bloco na Rua' — Foto: Marcos Hermes/Divulgação

Ney Matogrosso apresenta 20 canções na turnê 'Bloco na Rua' — Foto: Marcos Hermes/Divulgação

80 anos de vida

O lançamento de “Nu com a minha música” acompanhou a data de aniversário do artista, que completou nova idade em 1° de agosto. Em plena atividade artística há quase 50 anos, Ney comentou sobre as oito décadas de vida e disse que, diariamente, faz ginástica e procura se alimentar bem.

“Minha mãe está com 99 anos. Ela fez agora e está lúcida, bem. Avó dela eu conheci com 105 anos, então tem uma coisa genética sim. E eu sempre me cuidei, teve um momento que eu era meio louco, não dormia direito, não comia direito, vivia na praia, mas a partir de um momento eu decidi que eu tinha que me alimentar bem, parei de tomar Coca-Cola no lugar de água, parei de fumar cigarro... Algumas coisas que eu fiz intuitivamente e vejo que teve reflexo depois”, ponderou.

A relação do artista com a natureza também faz parte dos pequenos hábitos que ele mantém desde a infância. Em sua conta do Instagram, ele sempre compartilha registros de sua casa, animais e plantas.

“Eu preciso disso [natureza], desde criança eu sou ligado à natureza. Eu preciso, necessito desse contato. E eu considero tudo sagrado. O planeta terra que eu piso é sagrado, as águas, as florestas. Eu tenho esse tipo de mentalidade que não me envergonho de falar dela. Tem gente que acha que ‘Ah, ele está pirado’, mas estou absolutamente consciente com a minha mente”.

Sobre a força em seguir na rotina de apresentações, Ney contou que o prazer dos palcos é o de sempre, mesmo depois de tantos anos.

“Eu posso te dizer que eu continuo aguentando fazer o show sem sofrimento. Não vou te dizer que eu não acabe cansado, mas eu acabava cansado em 1973, em 1976... Isso faz parte do que eu me propus fazer na vida. Mas a emoção é a mesma. O contato com as pessoas é muito estimulante para mim”, contou.

Figurino do show de Ney Matogrosso foi criado sob medida pelo estilista Lino Villaventura — Foto: Marcos Hermes/Divulgação

Figurino do show de Ney Matogrosso foi criado sob medida pelo estilista Lino Villaventura — Foto: Marcos Hermes/Divulgação

Relação com Pernambuco

A relação do artista com o estado de Pernambuco teve início ainda no começo da sua carreira. Ele contou que a primeira apresentação na capital pernambucana foi catártica, realizada em 1973, ano de lançamento do primeiro disco do trio Secos & Molhados, onde Ney se lançou nacionalmente.

“Foi uma coisa muito impressionante, um ginásio enorme, lotado de gente, as pessoas começaram a forças as portas. Lembro que conseguiram derrubar uma porta de ferro, no final tinham invadido, tinha pessoas no palco. Foi muito bom, voltei muitas vezes nesse local. A primeira vez foi em 73. Foi na batida, saiu o disco e a gente fez uma turnê pelo Brasil. Lembro que teve até um parto durante o show”, disse.

Próximos anos

A turnê anterior do artista, intitulada de “Atento aos sinais” durou cinco anos. Segundo ele, “Bloco na rua” não tem data para deixar de desfilar, desde que o público queira recebê-lo.

“Não sei até quando esse durará, o show anterior atento aos sinais durou cinco anos, teve um momento quando chegou dois anos e meio eu pensei que estava na hora de parar, mas não podíamos parar, tinha uma demanda muito grande pelo show. Com esse ele vai enquanto tiver demanda, eu não estabeleço o momento de acabar. Claro que se chegar em cinco anos eu também já vou estar muito velho, mas não quero parar”, contou.

Apresentação da turnê Bloco na Rua, de Ney Matogrosso, no Grande Recife, acontece no sábado (27) — Foto: Marcos Hermes/Divulgação

Apresentação da turnê Bloco na Rua, de Ney Matogrosso, no Grande Recife, acontece no sábado (27) — Foto: Marcos Hermes/Divulgação

Ingressos de 2020

A apresentação original do artista estava marcada para 4 de abril de 2020. Por conta da pandemia, o show foi adiado. De acordo com a produção, aqueles que adquiriram os ingressos anteriormente têm entrada válida para esse sábado (27).

A ocupação, que antes seria em pé, deve ser feita nas cadeiras, por ordem de chegada. Aqueles que quiserem adquirir os ingressos podem comprar pelo site ou diretamente na bilheteria da casa de eventos. Demais informações podem ser consultadas pelo telefone (81) 3427-7501.

Serviço

Show "Bloco Na Rua", de Ney Matogrosso

Sábado (27), às 21h; abertura dos portões às 20h

Classic Hall - Avenida Agamenon Magalhães, s/n, Salgadinho - Olinda

Classificação: 16 anos

Ingressos à venda na bilheteria e na internet:

  • Cadeira Front Inteira: R$ 280
  • Cadeira Front Meia: R$ 140
  • Cadeira Front Inteira Social: R$ 160
  • Mesa Premium: R$ 1.400
  • Mesa Setor 1: R$ 1.200
  • Mesa Setor 2: R$ 1.000
  • Camarote 1° Piso - R$ 2.000
  • Camarote 2° Piso - R$ 1.900
  • Camarote 3° Piso - R$ 1.800

* Estagiária sob a supervisão e Luiza Mendonça, editora do g1 PE.

VÍDEOS: Mais assistidos de PE nos últimos 7 dias

200 vídeos


Deixe uma resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados*