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Adolescente de 15 anos acusa dirigente do Náutico de importunação sexual; clube diz que ele foi demitido

Errisson Melo é irmão do presidente executivo do clube, Edno Melo — Foto: Reprodução/Redes sociais

Errisson Melo é irmão do presidente executivo do clube, Edno Melo — Foto: Reprodução/Redes sociais

Mais uma mulher acusou o superintendente financeiro do Clube Náutico Capibaribe de importunação sexual. Uma adolescente de 15 anos prestou queixa, nesta quinta-feira (25). Por nota, o clube informou que Errisson Rosendo de Melo, alvo de denúncias de outras quatro vítimas, foi demitido.

  • "Era uma coisa nojenta", relatou uma das vítimas

O Boletim de Ocorrência foi registrado pela adolescente, que não teve o nome divulgado, na manhã desta quinta, na Delegacia de Polícia de Crimes contra Crianças e Adolescentes (DPCA), no Recife.

Errisson Melo, que é irmão do atual presidente do Náutico, Edno Melo, já havia sido denunciado por importunação sexual e crimes contra a honra, como calúnia, injúria e difamação, pela ex-diretora da mulher e de operações do clube, Tatiana Roma (veja vídeo abaixo).

Mais mulheres acusam superintendente financeiro do Náutico de assédio sexual e moral

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O caso está sendo investigado em segredo de Justiça. Em entrevistas ao ge, outras mulheres também acusaram Errisson de assédio sexual e moral, porém sem registrar queixa (veja vídeo abaixo).

Quarta mulher denuncia superintendente financeiro do Náutico por assédio moral

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O ge teve acesso ao Boletim de Ocorrência e conversou com a mãe e a adolescente, que têm relação familiar com Errisson Melo. Elas disseram ter tomado a iniciativa de procurar a Delegacia da Mulher após a divulgação das primeiras denúncias contra Errisson Melo.

De acordo com a menor, o primeiro assédio teria ocorrido justamente em uma festa familiar, quando ela tinha 14 anos. A adolescente contou que todos estavam em um bar e, no final da festa, tudo aconteceu.

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Ela afirmou que Errisson perguntou várias coisas sobre que faculdade e qual a profissão ela gostaria de ter.

"E toda vez que ele falava alguma coisa ele colocava a mão na minha perna e ia mexendo como que fosse subir. E quando eu olhava, ele tirava a mão e disfarçava. Depois colocava a mão de novo. Achei muito estranho", contou.

Em outra ocasião, novamente em uma comemoração familiar, em dezembro do ano passado, a adolescente disse ter notado outro comportamento estranho de Errisson.

"Enquanto a gente estava andando, ele foi mexendo na minha cintura com movimentos para cima e para baixo, como se quisesse tocar no meu peito. Quando a gente voltou, ele foi se despedir de mim e sussurrou no meu ouvido que eu era muito gostosa", relatou.

A situação mais grave relatada pela jovem no Boletim de Ocorrência ocorreu na casa do próprio Errisson. Ao completar 15 anos, a adolescente ganhou uma viagem e por questão de logística precisou dormir na casa dele.

Foi quando ela alega ter sido tocada nos seios. Por causa dos outros episódios, a menor decidiu gravar a ação.

"Ele começou a falar: “Ah, tu vai fazer 15 anos, vou te falar uma coisa. Isso vai acontecer muito porque você agora é uma mulher, não é mais uma moça. Você tem que saber que quando chegar em um menino, o menino vai chegar em você e vai fazer isso." E nisso ele colocou a mão no meu peito."

A adolescente disse também que percebeu a ação e tirou a mão dele. "Aí ele disse que tinha feito isso para me alertar. Meu coração acelerou e eu fiquei sem reação. Esse tipo de coisa vinha acontecendo, mas nunca imaginei que ele seria capaz de algo a mais. Nisso, ele abaixou a cabeça, olhou para frente e saiu", acrescentou.

Todos esses relatos só foram revelados para a mãe da adolescente depois da denúncia feita por Tatiana Roma. A mãe da garota, então, decidiu procurar a polícia.

“Foi um choque muito grande porque isso vem acontecendo desde novembro do ano passado. Eu tomei conhecimento essa semana. Estava sozinha, lavando os pratos, minha filha saiu do quarto e falei com ela sobre a reportagem. Ela disse que era verdade e que tinha sido vítima. Fiquei sem chão", afirmou a mãe.

A mãe da jovem também disse que está passando por um momento muito difícil. "Nunca pensei que teria que ir na delegacia expor a minha filha. Perguntei a ela se ela queria denunciar e ela disse que sim. Procurei um amigo advogado que disse que eu não tinha opção. Aquilo era um pedido de socorro da minha filha", declarou.

Ela declarou que procurou a polícia para que no futuro nenhuma mãe chore o quanto ela chorou. "Nenhuma mãe passe pelo que eu estou passando. E agora com essa denúncia talvez mais mães tenham coragem e venham aqui falar", completou.

Procurado pelo ge, o advogado de Errison Melo, José Augusto Branco não quis comentar o novo Boletim de Ocorrência.

“Quanto a esse procedimento não posso falar, pois não fui contratado por ele em relação a este procedimento e sim por outro lado. Como trata-se de procedimento que envolve menor não posso falar sobre o mesmo. Os casos que envolvem menor correm em segredo de Justiça e a menor vai ser entrevistada pelo pessoal especializado. Por isso neste caso eu não vou falar", disse o advogado.

Nota do Náutico

O Náutico postou uma nota no site. A instituição afirmou que a demissão de Errisson Melo “era inevitável, diante dos recentes fatos”.

A agremiação disse que “não há, desde a última segunda-feira (22), qualquer vínculo do profissional com o clube".

O Náutico também disse que vai “criar imediatamente uma comissão feminina, com a primeira reunião marcada para acontecer na próxima semana”.

Ainda segundo o clube, esta comissão será composta por duas representantes da agremiação, duas representantes do conselho deliberativo e quatro representantes da torcida.

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