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Cientistas e médicos alertam para riscos de festas de Ano Novo e do carnaval em PE diante do aumento de casos de Covid na Europa

Espetáculo na orla de Boa Viagem, no Recife, deu as boas vinda ao Ano Novo de 2019 — Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press/Arquivo

Espetáculo na orla de Boa Viagem, no Recife, deu as boas vinda ao Ano Novo de 2019 — Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press/Arquivo

As academias Pernambucana de Ciências (APC) e de Medicina (APM) emitiram uma nota conjunta, nesta quinta-feira (25), com um alerta sobre os riscos da realização das festividades de final de ano e do carnaval no estado, diante da persistência da pandemia de Covid-19. No texto, pedem que sejam evitadas aglomerações para evitar uma nova onda.

As duas entidades apontam o aumento de casos em países como Alemanha e Holanda como sinal de alerta para o Brasil. O documento foi direcionado ao governo estadual e também à sociedade, segundo o presidente da APC e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Anísio Brasileiro (veja nota na íntegra mais abaixo). Além dele, assina o texto o médico Hilton Azevedo, presidente da APM.

“A ciência tem o entendimento de que o aumento de casos de Covid na Europa, o abrandamento de medidas ligadas ao não-uso de máscara e criação de aglomerações podem ser fatais no ponto de vista de uma possível retomada com intensidade da Covid-19 em Pernambuco”, disse.

Anísio Brasileiro é professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e presidente da APC — Foto: Reprodução/TV Globo

Anísio Brasileiro é professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e presidente da APC — Foto: Reprodução/TV Globo

A Europa corresponde por mais da metade da média mundial de infecções nos últimos 28 dias, segundo o levantamento, desta quinta-feira (25), da universidade americana Johns Hopkins. Lockdown, passaporte com validade e vacinação estão entre algumas das medidas adotadas por países europeus.

“É impossível manter as regras de distanciamento social e de uso de máscara em um contexto festivo dessa natureza [carnaval e Ano Novo]. É muito arriscado. As probabilidades de contágio aumentam exponencialmente com as aglomerações”, declarou Brasileiro.

A média móvel de casos de Covid, em Pernambuco, chegou a 260 nesta quinta. Isso significa 22% de queda em relação a 12 de novembro, quando a média era de 336 casos diários.

Já a média de mortes, que está em dez confirmações, é 10,31% maior que a média de 15 dias atrás, quando eram registrados sete óbitos diariamente.

Esta semana, a prefeitura de Carpina, na Zona da Mata pernambucana, anunciou o cancelamento dos festejos de Reis e eventos de carnaval para o próximo ano.

“A pandemia não está controlada, ela vai e volta em ondas. É um alerta e um pedido [...] para que seja evitada, para que não aconteçam essas aglomerações que podem causar o aumento da Covid”, declarou o presidente da APC.

O professor afirmou compreender que as festas, especialmente o carnaval, fazem parte da cultura e são importantes.

“A gente sabe que o turismo é muito importante, sabe que os eventos são geradores de renda, mas é preciso que a gente faça um grande esforço agora”, disse, acrescentando acreditar que, passando por essas datas sem aglomerações, é possível ter um retorno à normalidade em 2022.

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Mais do que não realizar grandes eventos que gerem aglomeração, Brasileiro apontou que é necessário avançar na vacinação contra a doença.

“Não adianta não ter nada e não vacinar. Tem que vacinar, usar máscara e evitar aglomerações que sejam desnecessárias na conjuntura que estamos vivendo”, declarou.

Até a quarta-feira (24), 5.570.112 pessoas que vivem em Pernambuco completaram seus esquemas vacinais, o que equivale a 72,41% da população. Para Brasileiro, o ideal é chegar ao menos a 80% até o final deste ano.

“A experiência no mundo inteiro, ao longo das décadas, é que a única forma de combate o vírus é através da vacinação”, afirmou.

Brasileiro afirmou que, neste fim de ano, acredita ser possível realizar encontros de família, mas reforçando o pedido de cuidados.

“É da natureza do espírito humano [querer estar junto]. O humano é cooperativo, quer estar junto, mas para isso é preciso que ele esteja vacinado, que use máscara, para que não tenhamos uma recaída”, disse.

O g1 entrou em contato com o governo do estado para saber se iriam comentar a nota conjunta das academias, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.

Mais cedo, quando Carpina anunciou que cancelaria os eventos de carnaval, o estado havia dito que ainda não há definição sobre a realização ou não do carnaval de 2022 no estado.

Nota das Academias Pernambucana de Ciências (APC) e de Medicina (APM)

"Nos últimos dias, a Europa vem tendo uma média diária de 250 a 300 mil novos casos de COVID-19 e de 3500 a 4300 óbitos por dia, decorrentes da doença. Com efeito, a média móvel dos últimos 7 dias (MM-7) de casos confirmados no Reino Unido aumentou 11 vezes desde 1º de junho até 21/11/2021. Na Alemanha, o aumento foi até maior atingindo 17 vezes. Estamos realmente em uma quinta onda da pandemia varrendo o velho continente. Vários países como Reino Unido, Alemanha, França, Áustria, Holanda e Dinamarca estão retomando o uso de fortes restrições sanitárias.

O aumento de casos na Europa se deve ao relaxamento das medidas restritivas, principalmente, concernentes ao não uso de máscaras e a permissão de aglomerações (campeonato Europeu, por exemplo) além da reduzida vacinação em alguns países como a Rússia. O que está acontecendo na Europa é uma prévia do que poderá acontecer no Brasil em 2022, visto que o risco atual no Brasil é superior, por exemplo, ao da Espanha quando iniciou o relaxamento das medidas restritivas com taxa de vacinação superior à nossa.

Se ocorrerem as aglomerações de final de ano e do carnaval, com probabilidade muito elevada, poderemos vir a repetir em 2022 lockdowns restritos ou parciais com consequências nefastas para a nossa já combalida economia. Está mais do que provado cientificamente que mesmo sendo as vacinas o método mais efetivo de controle de pandemias, outras medidas são necessárias, pois países que vacinaram altas proporções de suas populações, mas que relaxaram as medidas de segurança sanitária, viram surgir novas ondas da pandemia com muita agressividade.

A vacinação é uma estratégia muito importante para reduzir de forma substancial o volume de óbitos decorrentes da infecção e de casos graves, evitando o internamento hospitalar. O uso de máscaras, o distanciamento social e a proibição de aglomerações desnecessárias, são primordiais para que consigamos sair da situação crítica que vivenciamos desde março de 2020. Sabe-se que a probabilidade de contágio aumenta exponencialmente com o tamanho de qualquer aglomeração e não existe a menor possibilidade de festas de réveillon e, principalmente, de carnaval, evento grandioso, ocorrerem respeitando as medidas de segurança.

Nestas circunstâncias, a realização das festividades de final de ano e do carnaval trazem a possibilidade concreta de gerar um novo surto da pandemia, motivo pelo qual alertamos às autoridades públicas que assumam a responsabilidade de preservar a saúde e a vida da população, continuando com a vacinação para todos, mantendo o distanciamento social e o uso contínuo de máscaras que são condições essenciais para o controle e superação da doença COVID-19.

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