Carregando...

Com muito plástico enroscado no manguezal e garrafas boiando, Rio Capibaribe pede socorro no Recife

Barqueiros e moradores reclamam de lixo no Rio Capibaribe

Barqueiros e moradores reclamam de lixo no Rio Capibaribe

Um dos cartões-postais de Pernambuco, o Rio Capibaribe pede socorro. Em meio ao período de fortes chuvas, cada vez mais, o lixo invade as águas e as margens, prejudicando quem conhece bem e depende dele para sobreviver. Tem de tudo: garrafa boiando e plástico enroscado no manguezal (veja vídeo acima).

São 248 quilômetros de extensão, do Agreste até o Recife. Nesse caminho o Capibaribe corta 42 cidades pernambucanas.

  • Compartilhe no WhatsApp
  • Compartilhe no Telegram

Para mostrar os impactos da sujeira que degrada o rio, uma equipe da TV Globo conversou com barqueiros, comerciantes e moradores do entorno. Para todos, a situação está bem pior.

Barqueiro há 35 anos, Carlos Francisco Peixoto, de 55 anos, sustenta a família com o dinheiro que ganha com passeios.

Imagem aérea mostra sujeira no Rio Capibaribe, no Recife— Foto: Reprodução/TV Globo

Imagem aérea mostra sujeira no Rio Capibaribe, no Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

Em uma volta pelo trecho do rio no Marco Zero do Recife, no Centro, ele mostra sacos plásticos pendurados na vegetação do mangue e garrafas PET boiando na água barrenta.

Com saudade dos tempos em que o rio era bem mais limpo, ele conta que a vida era mais fácil para quem dependia do Capibaribe para tirar o sustento.

"Era mais fundo e não tinha essa poluição toda não. Na época, as mariquitas e as saunas pulavam, porque tinham sobrevivência para eles. Agora, só tem peixinho pequeno”, afirma.

Carlos também reclama da infraestrutura urbana na área do rio. "Quando cheguei aqui, tinha o porto com navios de grande porte atracando e os faróis bem preservados. Agora, está tudo com as muretas caindo e o lixo se acumulando”, declarou.

O barqueiro cobra ações ao poder público. “O governo deve preservar tudo isso aqui, fazer uma limpeza geral e botar pessoas dentro dos mangues. Quando a maré estiver seca, precisa ir retirando o lixo, os galhos. Está muito feio o negócio", afirmou.

Plástico enroscado em árvores no mangue é exemplo da degradação do Rio Capibaribe — Foto: Reprodução/TV Globo

Plástico enroscado em árvores no mangue é exemplo da degradação do Rio Capibaribe — Foto: Reprodução/TV Globo

Para ele, a poluição assusta quem vem ao Recife passear e fazer turismo. Segundo Carlos, as pessoas olham e se espantam com o lixo.

"Eu digo que, quando chove muito, desce muito lixo de todos os cantos, de todos os canais. O lixo afeta a pescaria, a circulação dos barcos e os manguezais. As garças têm que ficar bem no olhinho do mangue para não ficar no lixo", afirmou.

No passeio pelo Capibaribe, a equipe da TV Globo encontra o pequeno comerciante José Wilson. Ele tem um a barraca que vende doces, no bairro de Santo Antônio, no Centro da capital pernambucana.

Wilson conta que a sujeira do rio atrapalha até quem trabalha e vive em terra firme. “Passam muitas coisas por aqui. Quando a maré baixa, fica muita sujeira. Atrapalha aqui na cidade, porque os bueiros ficam cheios", disse.

Aos 47 anos, Sandro Saturnino de Barros trabalha levando passageiros para passear pelo Capibaribe. Ele diz que fica desolado quando se deparada com a degradação.

Garrafas boiando mostram como está a sujeira no Rio Capibaribe— Foto: Reprodução/TV Globo

Garrafas boiando mostram como está a sujeira no Rio Capibaribe — Foto: Reprodução/TV Globo

Ele afirma que fica triste com a falta de compromisso dos governantes para manter, no mínimo, as condições básicas de limpeza.

"O rio está sempre de pior a pior e não vai melhorar. Esse rio era muito limpo e todo mundo sobrevivia dele, comia peixe e tudo. Hoje, você não vê um peixe. Com a cor da água, você via os peixes. Agora, você não vê mais, só lixo", declarou.

Ele lamenta a falta de ações dos governantes para tenta amenizar os problemas. "A gente fica sem saber o que fazer, porque não adianta recorrer ao governo. Ninguém respeita o outro mais. O rio está se acabando", desabafou.

Chegando até a Zona Norte do Recife, a equipe da TV Globo encontrou o ajudante de carpinteiro Ademir de Lima. Ele Nasceu no bairro do Poço da Panela, por onde passa o Capibaribe.

Triste com a situação, ele faz uma previsão: “Se continuar desse jeito, vai acabar. Aí, vão ver o que é bom. A natureza quer compartilhar, mas a gente não quer saber, só quer destruir. Se não cuidar, se acaba".

O que diz o poder público

Por meio de nota, a Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb) informou que a limpeza dos rios é de competência do governo do estado.

Também por nota, a Secretaria Estadual de Recursos Hídricos disse que vai “formalizar uma parceria com a prefeitura do Recife para resolver a situação do lixo no Capibaribe”.

A pasta disse, ainda, que necessário contar com a “colaboração dos moradores para não jogar lixo no rio."

VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

200 vídeos


Deixe uma resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados*