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Em meio à forte alta no preço dos combustíveis, Bolsonaro diz ter 'vontade de privatizar' a Petrobras

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (14) que tem “vontade de privatizar a Petrobras”. Ele não deu detalhes de como seria o processo de venda da estatal e declarou que o tema será discutido com a equipe econômica do governo federal.

Segundo Bolsonaro, que concedeu entrevista a uma rádio cristã, ele não pode “melhor direcionar” os valores cobrados por combustíveis e gás de cozinha, porém é responsabilizado quando os preços sobem.

"É muito fácil. Aumentou a gasolina. Culpa do Bolsonaro. Eu tenho vontade... Já tenho vontade de privatizar a Petrobras. Tenho vontade, vou ver com a equipe econômica o que a gente pode fazer. O que acontece? Eu não posso... Não é controlar. Eu não posso melhor direcionar o preço do combustível, mas quando aumenta a culpa é minha. Aumenta o gás de cozinha e a culpa é minha, apesar de ter zerado o imposto federal, coisa que não acontece por parte de muitos governadores", disse o presidente.

Na campanha eleitoral de 2018, Bolsonaro disse que "não gostaria" de ver a Petrobras privatizada. Na ocasião, declarou que a medida só seria feita "se não houver solução".

Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu no mês passado que a Petrobras entre na "fila" das privatizações nos próximos anos.

Alta no preço dos combustíveis

Bolsonaro tem demonstrado irritação pelas cobranças em razão dos preços dos combustíveis e do gás de cozinha. De acordo com os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgados pelo IBGE, no acumulado nos últimos 12 meses até setembro, a gasolina subiu 39,6% no país e o gás de botijão avançou 34,67%.

Levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostrou que o preço médio da gasolina comum nas bombas atingiu R$ 6,092 por litro na última semana de setembro — na 8ª alta semanal consecutiva.

No caso dos combustíveis, a explicação para o aumento dos preços está em vários fatores, mas, principalmente, no valor do petróleo e no câmbio. A alta do preço do barril e a desvalorização do Real perante o dólar dificultam a redução dos valores cobrados.

O dólar e a cotação do petróleo têm mais influência sobre os preços no Brasil desde 2016, quando a Petrobras passou a praticar o Preço de Paridade Internacional (PPI), que se orienta pelas flutuações do mercado internacional.

ICMS

Bolsonaro elogiou o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), pela aprovação de um projeto que muda o cálculo da tributação a fim de se alcançar a redução nos preços dos combustíveis. O texto ainda precisa do aval do Senado.

A proposta determina que o ICMS cobrado em cada estado será calculado com base no preço médio dos combustíveis nos dois anos anteriores.

Atualmente, o ICMS aplicado nos combustíveis tem como referência o preço médio da gasolina, do diesel e do etanol nos 15 dias anteriores em cada estado. Ou seja, a cada 15 dias, a base de cálculo muda – e passa a incluir a oscilação recente no preço.

Bolsonaro disse que não se trata do “projeto ideal”, mas que Lira aprovou “o que foi possível”. O deputado estima que a redução nos preços pode chegar a 7% neste ano.

Bolsonaro tenta há meses responsabilizar os governadores pela alta dos preços dos combustíveis e do gás de cozinha, em razão da cobrança de ICMS, um tributo estadual que incide nesses produtos.


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