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Fatos Primeiro: Ciro erra ao dizer que Brasil importa 86% de medicamentos

O pré-candidato à Presidência da República Ciro Gomes (PDT) afirmou que o Brasil importa 86% de todos os remédios que consome. Disse ainda que um medicamento simples, como o Tylenol, vem do exterior, sendo que o país teria condições de resolver isso renovando a patente vencida do produto. A fala foi feita durante uma live transmitida em 22 de março.

Diferentemente do que apontou, em 2019 o país importou 26,8% dos medicamentos e produziu 73,2% deles. Em 2021, a receita gerada nas farmácias pelas vendas de caixas de medicamentos dos laboratórios nacionais foi de 80,39%. No mesmo período, mais de 90% dos insumos farmacêuticos ativos foram importados.

A assessoria da Johnson & Johnson confirmou ainda que o Tylenol, cuja patente foi quebrada em 2007, tem produção 100% nacional.

O que Ciro afirmou:

O Brasil importa 86% de todos os remédios que nós usamos. Um simples Tylenol, que você compra na farmácia, vem do estrangeiro. O Brasil teria capacidade de resolver isso, até porque a patente está vencida, basta a gente copiar e colar

Ciro Gomes, pré-candidato à Presidência pelo PDT, em live transmitida em 22 de março

Importação de medicamentos

Segundo os dados do Conta-Satélite de Saúde 2010-2019, documento mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o tema, o Brasil importou 26,8% dos medicamentos para uso humano e produziu 73,2% em 2019. Os dados diferem dos 86% apontados por Ciro.

Levantamento do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), do mesmo ano, mostra que as vendas de caixas de medicamentos para farmácias dos laboratórios nacionais representavam 79,15%, enquanto os estrangeiros compunham 20,85%.

De acordo com a entidade, em 2019, a comercialização dos produtos de laboratórios nacionais ou com produção nacional corresponderam a 58,49% da receita. Já a venda dos medicamentos importados gerou uma receita que representou 41,51% do total.

Em 2021, as vendas por farmacêuticas brasileiras passaram para 80,39%, e as de laboratórios estrangeiros caíram para 19,61%. Naquele ano, a receita gerada pela venda dos medicamentos produzidos por laboratórios nacionais foi de 60,23%, contra 39,77% das das farmacêuticas estrangeiras.

Os principais países que vendem medicamentos para o Brasil, segundo a Secretária de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério da Economia, são Estados Unidos, China, Alemanha e Bélgica.

Com a movimentação econômica e o consumo de medicamentos, o Brasil alcançou, em 2020, a quinta posição no mercado farmacêutico mundial, segundo o levantamento feito pela IQVA, empresa multinacional especializada em saúde e pesquisa clínica.

A dependência de insumos do exterior

O Brasil precisa importar grande parte dos princípios ativos necessários para fabricar os medicamentos, conhecidos como insumos farmacêuticos ativos (IFAs). De acordo com informações de 2021 da Associação Brasileira de Produtos da Indústria Farmacêutica (Abiquifi), o Brasil produz hoje apenas 5% dos IFAs que utiliza.

O Relatório de Inspeção Internacional de IFAs, feito pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), indica que os principais países exportadores de insumos para o Brasil são China e Índia.

Quando considerada a importação direta do insumo pelo Brasil, a Índia aparece em primeiro lugar, representando 37% das importações; e em segundo, a China, com 35%.

A quebra de patentes

Durante a transmissão, Ciro errou ao afirmar que o Tylenol é importado por estar com a patente vencida.

O remédio foi criado em 1955 nos Estados Unidos e teve sua patente quebrada em 2007. Fabricado pela Janssen-Cilag, do grupo Johnson & Johnson, está presente no mercado brasileiro desde 1974.

O medicamento tem produção 100% nacional, segundo a empresa. A farmacêutica possui uma fábrica em São José dos Campos (SP).

Outros dois medicamentos, o Xarelto (Bayer) e o Dorflex (Sanofi), que aparecem como os mais vendidos no Brasil na lista da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), também perderam suas patentes e são comercializados como genéricos por outros laboratórios.

O Xarelto, usado no tratamento de trombose venosa profunda, não é fabricado no Brasil. Mas o Dorflex, indicado para o alívio de dores musculares, sim. A farmacêutica francesa Sanofi, que produz o remédio, tem duas fábricas instaladas no país: uma em Suzano e outra em Campinas. De acordo com ela, mais de 90% dos medicamentos vendidos no país pela empresa são produzidos em território nacional.


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