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PSOL quer cassar deputado que discutiu com Talíria Petrone em reunião na Câmara

O PSOL apresentou nesta semana pedido de cassação do deputado federal José Medeiros (PL-MT) após este interromper fala da deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) durante uma audiência na Câmara dos Deputados na última quarta-feira (15).

A confusão aconteceu em audiência pública conjunta das comissões de Direitos Humanos e do Trabalho da Câmara para ouvir o ministro da Justiça, Anderson Torres, e o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, sobre a morte de Genivaldo de Jesus Santos durante abordagem por policiais rodoviários federais.

A deputada Talíria Petrone cobrou explicações a Anderson Torres sobre o caso Genivaldo e o desparecimento do indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips na Amazônia, além de criticar o governo federal.

Integrante da base aliada governista, Medeiros então começou a criticar Talíria por supostamente estar fugindo do assunto da audiência. Quando ela pediu que ele não a interrompesse, o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) interveio contra Medeiros e eles começaram a discutir. O tumulto foi amenizado com pedidos de calma por outros colegas presentes.

Segundo o documento do PSOL, Medeiros não deixou Talíria concluir a pergunta ao ministro, interrompeu-a e “gerou uma confusão” durante a audiência.

“Diante da interrupção, a deputada Talíria respondeu: ‘Eu gostaria de ter a minha palavra respeitada’. Com o dedo em riste, o bolsonarista Medeiros bradou: ‘Não, não vai ter não, você fala no tema. Você fala no tema!’, no que foi replicado pela parlamentar: ‘O senhor não comece a tumultuar!’. Medeiros, então, parte para cima de Paulo Teixeira, que pedia que o parlamentar representado respeitasse o tempo da colega do PSOL. As cenas chocaram pela agressividade e virulência do deputado José Medeiros”, diz trecho do texto.

O pedido, assinado pelo presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, afirma que José Medeiros cometeu quebra de decoro parlamentar. Classifica ainda o caso como sendo de violência política de gênero.

“A deputada federal Talíria Petrone – desde a época de vereadora em Niterói/RJ – vem sendo submetida a um grau de violência política de gênero e de raça estarrecedor, denotando um alto nível de racismo e misoginia nas nossas instituições. A tentativa do deputado José Medeiros de intimidar uma parlamentar mulher negra – com voz ativa na política institucional – é prova cabal disso.”

No pedido, o PSOL diz que os parlamentares, nos termos da Constituição, são cobertos “pelo manto da imunidade material, sendo invioláveis pelas suas opiniões, palavras e votos, salvo os abusos, a misoginia, o machismo e todas as formas de violações de direitos humanos”.

O documento ainda deve ser encaminhado ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados para análise.

Após a audiência, naquele mesmo dia, Medeiros e Talíria tiveram novo bate-boca perto de um dos estacionamentos da Casa, segundo ambos relataram à reportagem. Cada um alega que foi provocado pelo outro.

Procurado pela CNN sobre o pedido de cassação por parte do PSOL, Medeiros disse não estar preocupado com a representação. Afirmou ainda que o documento é “gasto de papel e não serve para limpar chão”.

Medeiros disse que ele pediu uma questão de ordem – termo técnico para tempo de fala utilizado na Câmara – enquanto Talíria ainda discursava, porque, se a esperasse, ela já teria acabado sua declaração sobre os desaparecimentos e as mortes de Pereira e Phillips na Amazônia. A seu ver, ela deveria se ater somente ao caso Genivaldo.

Ele se diz agredido com “palavras horrendas” e defende que hora nenhuma indicou que bateria em alguém. “Eu me defendo, eu reajo e eles querem se passar por vítima.”


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