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Alexia, de 'Uh la la la', desacelera: 'Não te reconhecem mais, porque você engordou por estar grávida'

Quando eu hitei: Alexia mostra que não vive só de 'Uh, La La La'

Quando eu hitei: Alexia mostra que não vive só de 'Uh, La La La'

A cantora italiana Alessia Aquilani foi backing vocal do Ice MC e colega de gravadora do Double You e da Corona. No auge, perambulou por programas de auditório brasileiros no final dos anos 90 cantando hits como “Uh la la la” e “Summer is Crazy”.

Alexia, nome artístico dela, conversou com Xuxa, cantou com Sandy & Junior, ouviu o “Loucura, loucura” de Luciano Huck e dançou com Angélica.

Também riu sem graça das piadas machistas de Jô Soares e Otávio Mesquista, ouviu o “fala garota” de Serginho e se esquivou da mãozinha pinça-cintura de Raul Gil.

“Foi intenso”, define Alexia ao G1 (veja entrevista no vídeo acima). “Foi uma pressão, porque quando você é um sucesso tão grande você tem que se repetir. As pessoas esperam as mesmas coisas. Você se sente um pouco no vazio, em uma gaiola que você tem que cantar 130 BPM toda vez que você faz um disco.”

A cantora italiana Alexia nos anos 90 e em foto recente — Foto: Divulgação

A cantora italiana Alexia nos anos 90 e em foto recente — Foto: Divulgação

Alexia queria desacelerar as batidas por minuto, ser mais romântica, cantar em italiano. É o que ela vem fazendo isso nos últimos anos, em canções como “Come La Vita In Genere”, “Biancaneve” e “Notte”.

“Decidi mudar um pouco para a música pop italiana, porque queria compartilhar uma experiência com um grande produtor italiano, que se chama Mario lavezzi. Ele fez muitas coisas boas nos anos 70, 80 e 90 com grandes cantoras italianas como Ornela Vanoni e Loredana Bertè.”

Antes disso, Alexia fez muito, muito sucesso com um pop eletrônico super dançante. Embora estivesse sempre em festivais de eletrônica e no “Top of the pops” (o famoso programa inglês de paradas de sucesso), ela queria mesmo era estar em outro tipo de evento.

“Eu queria ir ao Festival de San Remo com uma balada, porque eu queria mostrar para as pessoas que eu era uma cantora, eu era uma compositora, eu era uma produtora e tinha tanta coisa dentro de mim, não iria deixar pra lá”, desabafa.

Capas de álbuns e singles dos anos 90 lançados por Alexia — Foto: Divulgação

Capas de álbuns e singles dos anos 90 lançados por Alexia — Foto: Divulgação

Mais do que um 'rostinho bonito'

Por trás de tantas batidas e gritinhos em inglês, um ouvido mais atento percebia que ela cantava bem. Alexia não costumava dublar, era tarefa fácil notar potência vocal e afinação ali.

“O fato de você notar isso faz eu realmente agradecer. É porque você é brasileiro e o povo brasileiro é muito musical, muito talentoso e tenho um grande respeito, muito mais do que pelo povo americano.”

Alexia lembra que era comum ouvir coisas do tipo "tudo bem, ela é tão cool. É um rosto bonito, algo bem produzido, mas é só isso".

“Eu tive que lutar para mostrar quem eu era e provar para esses m... Eu tive que ir ao palco do Festival de San Remo duas vezes para provar que eu era uma artista, 100% uma artista.”

Alexia posa em ensaio do álbum 'Tu puoi se vuoi', de 2015 — Foto: Divulgação

Alexia posa em ensaio do álbum 'Tu puoi se vuoi', de 2015 — Foto: Divulgação

O Festival de San Remo é um evento bem tradicional. Desde 1951, acontece na Itália com o tradicional esquema de competição de canções, como havia no Brasil. Alexia venceu em 2003, com “Per dire di no”. A vitória foi logo antes de uma pausa na carreira.

“Foi estranho quando em 2004 eu decidi dar um tempo, ter filho e me casar. Isso foi realmente estranho”, recorda, rindo.

“Quando eu vejo vídeos antigos nos meus stories, porque meus fãs do Brasil me mandam alguns clipes, eu fico tão surpresa de me ver. Tão diferente, tão jovem, tão magra, tão enérgica... ‘Essa sou eu. Oh meu Deus, 20 anos atrás? Oh, merda’. Mas, você sabe, isso é a vida.”

Não ser mais reconhecida nas ruas também mexeu um pouco com a cabeça dela. “Você para e percebe que as pessoas não te reconhecem mais, porque você não está na TV toda hora, porque você mudou o cabelo, porque você está um pouco diferente, porque você engordou por estar grávida. Ou você acabou de ter um bebê e as pessoas apenas olham para você e dizem que você parece familiar, mas não sabem por quê.”

Alexia acompanhada das filhas, nos anos 2000 e em foto recente — Foto: Reprodução/Instagram da cantora

Alexia acompanhada das filhas, nos anos 2000 e em foto recente — Foto: Reprodução/Instagram da cantora

Então, ela responde: “Sim, eu sou Alexia”. “‘Oh meu Deus. É você. Por que você parou de cantar?’ Eu não ‘parei’ de cantar. Eu só decidi ser mãe e ser mamãe não é tão simples se você está no palco, no avião, pelo mundo todo. Se você tem um bebê, o bebê precisa de você. Então, foi complicado.”

Nesse momento de transição da fama para uma vida menos acelerada, Alexia conta que foi em busca de ajuda médica. “Eu não sou tímida, não é uma vergonha para mim, mas eu tenho que confessar: eu tive que procurar ajuda, e eu tive que falar sobre mim e tive que processar tudo isso, esse momento tão difícil.”

A volta à carreira também foi um pouco mais suave graças à terapia. “Não era tão fácil subir no palco, depois de quase dois anos sem cantar, sem usar vestido, sem ficar vestida apropriadamente para o palco, ou o que quer que seja.”

Alexia na capa do álbum 'The Party', de 1998 — Foto: Divulgação

Alexia na capa do álbum 'The Party', de 1998 — Foto: Divulgação

Hoje, as “bebês” de Alexia têm 14 e dez anos. “Elas são muito diferentes uma do outra”, compara. “Uma é uma garota durona, tem um estilo bem masculino, calça larga. Ela é rapper, toca guitarra, bateria eletrônica, baixo, piano.”

A caçula, por sua vez, é “muito menininha e ama K-pop”. “Ela tem muito orgulho da mãe de uma forma diferente da outra. A outra é, provavelmente, muito tímida para mostrar isso.”

Alexia gosta de observar como as filhas se relacionam com a música. Também por isso, ela se mostra bem atualizada ao comentar o pop atual. Billie Eilish, Dua Lipa, Frank Ocean e Harry Styles são citados como os favoritos dela.

Alexia ao lado de Ice MC, de quem era backing vocal no começo dos anos 90 — Foto: Divulgação

Alexia ao lado de Ice MC, de quem era backing vocal no começo dos anos 90 — Foto: Divulgação

“No meu tempo, às vezes eu dizia ‘Oh meu Deus, eu poderia fazer isso? Não, não posso’. Agora, existe um desapego. É muito, muito, muito diferente, tem uma bravura.”

Ela se diz admirada com os jovens artistas que usam “uma forma diferente de se expressar, com as palavras, com sílabas, com síncopes muito, muito estranhas, mas muito musicais”.

“Na Itália, é algo que nem imaginamos fazer com a nossa língua, com a nossa tradição. Agora, temos uma certa coragem na Itália, com o trap e com o rap, sem medo de ousar com as palavras.”

If you wannabe Alexia...

Com o mesmo jeito tímido de toda a entrevista, Alexia conta uma história que protagonizou com as Spice Girls. Foi em Acapulco, no México, durante um festival, em 1997.

Alexia em foto recente — Foto: Divulgação

Alexia em foto recente — Foto: Divulgação

Nos bastidores, do lado do palco, as Spice Girls a viram cantar e dançar. Ao mesmo tempo. Elas foram ao empresário da italiana e perguntaram como era possível aquilo, sem vocais pré-gravados e dublagem.

“Elas disseram ‘Oh meu Deus, mas ela está cantando e tipo, ela está dançando? Como ela pode fazer isso?’ E meu empresário me contou isso quando eu terminei o show.”

A reação de Alexia foi meio de desdém: não por se achar melhor, mas por achar que estava ali fazendo o mínimo.

“Eu falei ‘oh meu Deus, não é nada mais’. Eu tento ensaiar todos os dias. É o meu trabalho. É normal. Então, é uma historinha engraçada.”


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