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'Perdi minha neta num tiroteio bárbaro', diz avó de grávida morta durante ação da PM

'Perdi minha neta num tiroteio bárbaro', diz avó de grávida morta durante ação no Lins

'Perdi minha neta num tiroteio bárbaro', diz avó de grávida morta durante ação no Lins

"A minha rua tá muito perigosa, eu não queria ter perdido minha neta e perdi desse jeito estupido. Eu perdi minha neta num tiroteio bárbaro".

Foram essas palavras que a avó da designer de interiores Kathlen Romeu, de 24 anos, morta durante ação da Polícia Militar na comunidade Lins de Vasconcelos, na Zona Norte do Rio, usou para descrever o que sentiu ao saber da tragédia que aconteceu nesta terça-feira (8).

Segundo moradores, Kathlen foi vítima de uma bala perdida durante o confronto entre criminosos e policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Lins. A jovem estava grávida de quatro meses.

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Minutos antes de começar o tiroteio, Kathlen e a avó estavam na rua, indo encontrar com a tia da jovem.

"A gente estava indo na firma da minha filha. Quando nós passamos a rua estava tranquila. Foi tudo muito de repente. A minha neta caiu, começou muito tiro, quando puxei ela caiu, eu me machuquei ainda, me joguei para proteger ela, que ta gravida. Eu só vi um furo no braço dela e gritei para eles me ajudarem a trazer. Perdi minha neta e meu bisneto", contou a avó chorando.

Kathlen Romeu morreu vítima de bala perdida na região da Grajaú-Jacarepaguá, na tarde desta terça-feira (8) — Foto: Reprodução redes sociais

Kathlen Romeu morreu vítima de bala perdida na região da Grajaú-Jacarepaguá, na tarde desta terça-feira (8) — Foto: Reprodução redes sociais

Em nota, a Polícia Militar informou que os agentes foram atacados a tiros por criminosos na localidade conhecida como “Beco da 14”, dando início a um confronto.

Segundo a polícia, Kathlen foi encontrada ferida após a troca de tiros. Ela ainda chegou a ser levada para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, mas não resistiu.

Além da avó de Kathlen, outros familiares como a mãe e o marido da jovem também estiveram na porta do Hospital Salgado Filho no início da noite desta terça. Uma moradora do Lins e amiga de Kathlen falou sobre os problemas de violência na região.

"Nós como mães já não aguentamos mais ver crianças e jovens morrendo inocentes. Foram duas vidas, uma carregando a outra. Eu já não aguento mais. Aquilo ali virou terra de ninguém", disse.

Jovem se mudou há um mês

A avó de Kathlen disse também que a neta já não morava mais na região que aconteceu o confronto. Segundo ela, a jovem se mudou com medo da violência.

"A garota tem um mês que saiu dali por causa desses perigos, por causa de tudo daquele Lins. Aquela minha rua tá muito perigosa. Eu não queria ter perdido minha neta e perdi desse jeito estupido. Uma garota que trabalha que estuda, formada. Só isso que eu tenho a dizer, eu não tenho mais nada. Perdi minha neta num tiroteio bárbaro que a gente não culpa de nada", completou.

Agentes fizeram buscas na região e apreenderam um carregador de fuzil, munições de calibre 9mm e drogas.

A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga a morte de Kathlen. Segundo a polícia, testemunhas serão ouvidas e diligências realizadas para esclarecer todos os fatos e identificar de onde partiu o tiro que atingiu a jovem.

Protesto fecha Grajaú-Jacarepaguá

Após a morte da jovem, moradores fizeram um protesto na Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá. A via, que liga as zonas Oeste e Norte do Rio, foi fechada nos dois sentidos por volta das 16h15. A região ficou interditada até às 19h.

VÍDEO: Moradores protestam na Grajaú-Jacarepaguá após morte de jovem grávida

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