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Bolsonaro convida Crivella para ser embaixador do Brasil na África do Sul

Presidente Jair Bolsonaro e Marcelo Crivella em evento em setembro do ano passado — Foto: Alan Santos/PR/Divulgação

Presidente Jair Bolsonaro e Marcelo Crivella em evento em setembro do ano passado — Foto: Alan Santos/PR/Divulgação

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) convidou Marcelo Crivella (Republicanos), ex-prefeito do Rio, para ser embaixador do Brasil na África do Sul.

O convite foi feito há dois meses, após um encontro no Palácio do Planalto, em Brasília. O nome de Crivella precisa ser aprovado pelas autoridades da África do Sul.

O Ministério das Relações Exteriores enviou ao governo da África do Sul um documento conhecido como "agreement", que é uma consulta que sinaliza a intenção de uma indicação.

A informação foi confirmada pela TV Globo com fontes ligadas a Crivella e ao partido dele, Republicanos. O documento questiona se o governo sul-africano tem alguma restrição à sugestão.

A indicação foi vista como um afago de Jair Bolsonaro ao Republicanos, que está na base de apoio do presidente.

Pessoas ligadas ao partido afirmam que a bancada evangélica ficou irritada com a omissão do presidente em relação à deportação de missionários brasileiros de Angola, no mês passado. A indicação seria uma forma de tentar conter a crise.

O Republicanos é ligado à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), da qual Crivella é bispo licenciado.

Houve um racha entre bispos brasileiros e angolanos pelo comando da igreja em Angola. Os angolanos afirmam que os brasileiros enviaram dinheiro para o Brasil de maneira ilegal.

A Procuradoria Geral da República de Angola investiga o caso, segundo agências internacionais.

Crivella é sobrinho do principal líder da IURD, o bispo Edir Macedo, e já morou na África do Sul quando foi missionário.

O bispo licenciado foi prefeito do Rio entre 2017 e 2020, de onde saiu preso suspeito de corrupção no caso conhecido como QG da Propina.

Para se tornar embaixador, o nome do ex-prefeito tem que ser aprovado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal.

O que dizem os citados

A IURD diz que a Igreja em Angola não é investigada no inquérito e os bispos e pastores sequer tiveram acesso ao procedimento.

A igreja em Angola, segundo a nota, é vítima de uma trama elaborada por um grupo de ex-oficiais que foram expulsos em decorrência de desvios de conduta, além de ataques, invasões, saques e notícias falsas.

Segundo a Iurd, não houve qualquer irregularidade da igreja ou de seus bispos e pastores.

O ex-prefeito e o Palácio do Planalto não responderam o RJ1 até a última atualização desta reportagem.


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