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Gerente de bar em Copacabana, Rio, acusa cliente de racismo: ‘Me dá alergia ficar perto de crioulo’

Gerente de bar em Copacabana registra boletim de ocorrência por ofensas racistas de cliente — Foto: Arquivo pessoal

Gerente de bar em Copacabana registra boletim de ocorrência por ofensas racistas de cliente — Foto: Arquivo pessoal

O gerente de um bar em Copacabana, na Zona Sul do Rio, registrou um boletim de ocorrência nesta segunda-feira (7) em que afirma ter sofrido ofensas racistas de uma cliente do estabelecimento em mais de uma ocasião.

No registro, Roberto Siqueira conta que uma cliente o chamou de “macaco fedorento” e “crioulo maldito” e disse ainda que “odeia macaco”, se dirigindo a ele.

No relato, o gerente do bar Copabossa diz que preferiu não confrontar a autora das ofensas por estar no ambiente profissional — apenas pediu que outra funcionária atendesse a mesa.

Ele afirma que deseja representar criminalmente contra a mulher.

"No domingo, aconteceu algo comigo que nunca tinha passado! Ainda estou sem chão com uma mistura de raiva e tristeza. Ainda estou digerindo tudo o que aconteceu. Transformarei minha tristeza em revolta. Ela será processada por mim", afirmou a vítima ao G1.

Ele conta que estava atendendo a cliente e perguntou se ela desejaria dois copos, já que estava sentada junto com uma amiga. A mulher teria respondido: “Você acha que tenho duas bocas? Preto é burro. Por isso que não gosto de preto, me dá alergia ficar perto de crioulo. Ô, raça ruim”.

A vítima afirma ainda que uma testemunha citada na ocorrência, amiga dele e da mulher que proferiu as ofensas, tentou controlar a agressão, mas a outra continuou com os xingamentos.

“Pela primeira vez senti o racismo de forma tão agressiva e direta. Antes eu até dizia que algumas pessoas se vitimizam, mas agora percebo o impacto dessa violência. Esse tipo de agressão mexe com você de uma forma diferente, não é como perder alguma coisa ou alguém. Aquilo volta toda hora na cabeça, é uma ferida que não cicatriza”, afirma Roberto.

Dois dias antes, na sexta-feira (4), ele conta que já tinha percebido risos em sua direção vindos dela e que ouviu frases racistas, mas não acreditou que seriam direcionadas a ele.

“Como é o meu ambiente profissional, apenas me afastei nas duas ocasiões. Se eu tenho alguma reação, sou eu quem perco meu emprego e a razão. Da primeira vez, não acreditei que ela estivesse falando comigo. Mas da segunda, foram ofensas diretas e que aumentaram quando ela percebeu que eu estava por perto. Fez para humilhar mesmo”, diz o gerente.

Ele afirma ainda que “a pior parte foram as amigas ao redor rindo da situação”.

“Rindo do quê? Da minha não reação? Da minha humilhação? Racismo não é engraçado”, completa.

Apoio de amigos

Conhecidos e amigos de Roberto se juntaram no bar onde ele trabalha para mandar apoio após o ocorrido. No local, gritaram juntos “racismo é crime!” e foram acompanhados por outros frequentadores do estabelecimento.

“Minha família de pele. Negra!”, comentou o gerente sobre o apoio dos amigos.

Amigos de gerente que afirma ter sofrido racismo em bar de Copacabana se juntam para mandar apoio — Foto: Arquivo pessoal

Amigos de gerente que afirma ter sofrido racismo em bar de Copacabana se juntam para mandar apoio — Foto: Arquivo pessoal

*Estagiário, sob supervisão de Eduardo Pierre

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