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Família de Agnaldo Timóteo entra com processo para remover inventariante dos bens do cantor

Agnaldo Timóteo: cantor morreu de Covid em abril desse ano — Foto: Flavio Moraes/G1

Agnaldo Timóteo: cantor morreu de Covid em abril desse ano — Foto: Flavio Moraes/G1

A família do cantor Agnaldo Timóteo - que morreu em abril desse ano de Covid -, deu entrada em um processo para a remoção do inventariante do testamento do cantor.

O processo foi aberto na 1ª Vara de Família, no Rio de Janeiro, em nome dos irmãos do cantor, Ruthinete Timotheo Pereira, Maria Timotheo Pereira e Cícero Timotheo Pereira. Eles querem retirar o advogado Sidnei Lobo Pedroso da condução dos bens de Agnaldo sob alegação de que ele estaria sonegando informações e usufruindo de imóveis do cantor.

Procurado pelo G1, Sidnei negou as acusações e disse que se trata de "alvoroço de pessoas em cima daquilo que não construíram".

A decisão de remover o inventariante ganhou ainda mais força na semana passada, depois que uma casa de Agnaldo, na Barra da Tijuca, foi alvo de depredação. A família descobriu que o imóvel também havia sido colocado à venda, e que tem dívidas de IPTU acumuladas no valor de quase R$ 45 mil.

Casa de Agnaldo Timóteo na Barra com placa de vende-se: bem não foi inventariado — Foto: Reprodução

Casa de Agnaldo Timóteo na Barra com placa de vende-se: bem não foi inventariado — Foto: Reprodução

Após começarem a checar a condução dos bens do artista, a família descobriu ainda que um apartamento de São Paulo também teria sido colocado para locação sem qualquer tipo de comunicação aos herdeiros ou à Justiça.

“Demos entrada em uma ação de remoção de inventariante contra o senhor Sidnei, uma vez que ele está fazendo uso dos bens como se fossem seus e sonega informações no processo principal, que é o do inventário. Estamos cobrando a prestação de contas do inventário, pois até o momento ele não informou nada para Justiça, nem para os herdeiros do que meu pai deixou em testamento”, disse Marcelo Vasconcelos, filho de criação de Agnaldo e descrito no testamento como afilhado, ao G1.

Apartamento do cantor também foi colocado para locação sem que herdeiros soubessem — Foto: Reprodução

Apartamento do cantor também foi colocado para locação sem que herdeiros soubessem — Foto: Reprodução

Testamento proíbe venda de bens

Marcelo, que falou em nome dos tios idosos, explica ainda que a colocação de um bem do espólio de Timóteo à venda fere um item do próprio testamento do cantor, cuja intenção seria a de preservar a maior parte do patrimônio, deixada para Keyty Cologni, de 14 anos, e perfilhada após a morte do cantor.

“Ficamos muito felizes com a adoção da Keyty, que era um desejo do meu pai. Ela, aliás, era criada no Rio com ele e meus tios, mas após o surgimento do testamento foi levada para São Paulo. É tudo muito estranho porque a Justiça não deu a guarda para o inventariante, mas ela está com ele”, diz.

Item 7 do testamento diz que bens só podem ser vendidos após herdeira completar 40 anos — Foto: Reprodução

Item 7 do testamento diz que bens só podem ser vendidos após herdeira completar 40 anos — Foto: Reprodução

O testamento de Agnaldo Timóteo, elaborado um mês antes dele falecer, prevê a divisão do patrimônio de 50% para Keyty, 10% para cada um dos filhos de criação – descritos no documento como afilhados -, Marcelo e Márcio; e 15% para cada um dos irmãos Cícero e Ruthinete. A irmã Maria ficaria com um apartamento em Vila Valqueire, na Zona Oeste do Rio.

Apesar do detalhamento desses percentuais, os herdeiros dizem que não conseguem saber exatamente sobre que bens eles incidem, já que o inventariante Sidnei ainda não apresentou à Justiça certidões e documentos que comprovassem a propriedade dos bens inventariados, possíveis dívidas e créditos vindos de direitos autorais.

Sidnei Pedroso e Agnaldo Timóteo: cantor colocou o advogado como testamenteiro e inventariante — Foto: Divulgação

Sidnei Pedroso e Agnaldo Timóteo: cantor colocou o advogado como testamenteiro e inventariante — Foto: Divulgação

Advogado diz que pode dispor dos bens

O advogado Sidnei Pedroso, que foi o testamenteiro de Agnaldo Timóteo, inventariante e apontado como tutor de Keyty no documento, diz que pode, sim, vender ou alugar os bens, desde que os valores sigam para uma conta judicial.

"Posso alugar, sim. Não vou deixar uma casa fechada dando prejuízo. Posso alugar, posso botar para vender, desde que vá para uma conta judicial. Cuido do patrimônio do Agnaldo e tenho autorização judicial para fazer isso. Acho que se o Agnaldo me colocou como tutor, inventariante e testamenteiro é porque conhecia as pessoas que ele tinha como parente. Só estou fazendo a vontade dele e não posso sair um milímetro disso. Estou criando a Keyty como se fosse minha filha", disse.

Sidnei falou ainda que está tendo gastos na administração do patrimônio, uma vez que Agnaldo não tinha dinheiro, deixou apenas bens. Disse que arcou com a troca do vidro que foi quebrado na semana passada na casa da Barra da Tijuca e a colocação de funcionários no local para vigiar o imóvel.

"Troquei o vidro, que custou R$ 550, coloquei cadeado, fechadura, além de uma pessoa para ficar na casa e reformá-la. Também coloquei câmeras para proteger a casa. Eu presto satisfações, sim, mas dentro do processo", disse.

A casa da Barra com cadeado e o vidro quebrado já trocado — Foto: Divulgação

A casa da Barra com cadeado e o vidro quebrado já trocado — Foto: Divulgação


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