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MP retoma depoimentos da investigação do suposto esquema de rachadinha no gabinete de Carlos Bolsonaro

Carlos Bolsonaro — Foto: JN

Carlos Bolsonaro — Foto: JN

O Ministério Público do Rio retomou nesta quarta-feira (22) os depoimentos dos investigados no suposto esquema de "rachadinha" e contratação de "funcionários fantasmas" no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos).

O órgão ouviu Gilmar Marques, ex-cunhado de Ana Cristina Siqueira Valle, que é ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro, e trabalhou como funcionário de Carlos Bolsonaro na câmara até 2008. No mesmo ano, Ana Cristina deixou o cargo de chefe de gabinete de Carlos.

A função ocupada por Gilmar era a de assessor parlamentar na Câmara do Rio de Janeiro. Entretanto, a investigação aponta que ele tinha endereços cadastrados em três municípios de Minas Gerais: Rio Pomba, Juiz de Fora e Silveirânia - a quase 300 quilômetros de distância da Câmara - além de outros dois endereços no Rio.

Um deles aparece na prestação de contas de 2006 ao Tribunal Regional Eleitoral como pertencendo a Jair Bolsonaro.

A casa, na Barra da Tijuca, também foi registrada na Câmara do Rio como residência de outros três parentes da ex-mulher de Jair Bolsonaro, além de Gilmar. Todos trabalhavam no gabinete de Carlos.

Gilmar, Ana Cristina e outras 24 pessoas tiveram – junto com Carlos Bolsonaro - o sigilo bancário e fiscal quebrado pela Justiça, em maio deste ano na investigação sobre um esquema de “rachadinha” - como foi mostrado com exclusividade na Globonews.

Ana Cristina Valle foi chefe de gabinete do vereador de 2001 a 2008, ano em que se separou de Jair Bolsonaro.

Ela encabeça um dos seis núcleos investigados pelo Ministério Público do Rio.

A equipe de reportagem da GloboNews também teve acesso com exclusividade ao relatório de inteligência financeira do Coaf – citado pelo MP – que aponta operações atípicas na conta de Ana Cristina Valle.

O Coaf apontou que Ana Cristina recebeu depósito de elevadas quantias de dinheiro em espécie em sua conta bancária. Como um depósito de mais de R$ 191 mil em março de 2011 e outro de mais de R$ 341 mil em julho do mesmo ano.

Um dos depósitos foi feito em uma agência do Banco do Brasil no município de Resende.

As transações e ligações chamaram a atenção do Ministério Público. Os promotores apontam que Ana Cristina seria a responsável pela indicação de parentes para ocupar cargos comissionados no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro – e investiga se eles faziam a rachadinha.

A defesa de Ana Cristina Valle afirmou que não vai se manifestar, já que o processo tramita em segredo de Justiça.

Por telefone, a defesa de Gilmar Marques confirmou o depoimento, mas não deu um posicionamento a respeito dos fatos citados pelo Ministério Público.

A defesa de Carlos Bolsonaro foi procurada, mas ainda não se manifestou.


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