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Amigos e parentes se despedem do compositor Eduardo Gallotti ao som de samba

Morre Eduardo Gallotti, sambista que incentivou rodas de samba no Rio

Morre Eduardo Gallotti, sambista que incentivou rodas de samba no Rio

Foi enterrado na tarde desta quinta-feira (12) no Cemitério São João Batista, em Botafaogo, Zona Sul do Rio, o compositor Eduardo Gallotti. Amigos e parentes tocaram e cantaram sambas na cerimônia de despedida do artista, que ficou conhecido como articulador de algumas das rodas mais importantes do Rio.

A despedida de Gallotti foi um gurufim - nome que se dá a um velório popular em que há música em homenagem ao morto, uma tradição reservada aos grandes sambistas. Companheiros de muitos pagodes se reuniram para celebrar o artista como ele viveu: cantando.

Velório de Gallotti no Cemitério São João Batista, na Zona Sul do Rio — Foto: Reprodução

Velório de Gallotti no Cemitério São João Batista, na Zona Sul do Rio — Foto: Reprodução

Galotti sofria de câncer nas cordas vocais e morreu aos 58 anos. A vida de Gallotti, ou Galo pros mais chegados, pode ser contada a partir das rodas de samba e dos botequins do Rio.

Com o cavaquinho nas mãos, ele escreveu parte da história do renascimento da Lapa, na virada da década de 90 pros anos 2000. O antigo Clube dos Democráticos, na Rua Riachuelo, foi um dos cenários desse renascimento.

"Eduardo Gallotti foi fundamental para historia do samba de Rio de Janeiro. Talvez seja mais importante para retomanda da Lapa. O bairro da Lapa, o bairro boêmio carioca, que em certo momento entrou em declínio, em decadência, até do ponto de vista da vida cultural. Mas, sobretudo a partir do Gallotti, das rodas de samba, na virada dos anos 90 começou a reviver de uma forma muito intensa", relembra o historiador Luiz Antônio Simas.

Gallotti era considerado um mestre para uma geração de sambistas que se formou no Rio a partir do começo dos anos 2000. Os amigos dele costumavam dizer, em tom de brincadeira, que Gallotti era onipresente porque passava por várias rodas de samba da cidade num só dia.

O cantor e compositor Eduardo Gallotti — Foto: Reprodução

O cantor e compositor Eduardo Gallotti — Foto: Reprodução

Repercussão

Artistas de várias gerações, sobretudo do samba, ressaltaram o legado de Gallotti para a cultura do Rio.

"Galotti é referencia para todo mundo que frequentou roda de samba no centro, em santa teresa, na zona sul nas ultimas decadas. Era quase imposssvel não esbarrar em várias rodas e não aprender com ele como conduzir uma roda", diz Manu da Cuíca.

"Tinha arte, tinha sabedoria como ninguem nunca teve de como tocar uma roda emendando um samba de acordo com o tema, de acordo o compositor, sabendo a dinamica, sabendo tocar tocar em conjunto", acrescenta Thiago Prata.

"Eu morava na Vila da Penha e fui morar no Leblon em meados dos anos 90. Cheguei na Zona Sul do Rio e me deparei com um cenário muito diferente do que imaginava. Eu, uma suburbana chegando da Vila da Penha no Leblon, e a Zona Sul só se falava de samba, de samba de raiz e esse samba era falado e ensinado pelo Galotti. Ele tocava no Madrake, em Botafogo; tocava na Lapa, na Rua do Lavradio. Ele ensinou a minha geração e a geração que veio depois de mim", lembra Teresa Cristina.

"Eu devo muito a ele: esse amigo incrível e apaixonada pelo samba, pela música carioca. Quando ele me convidiou para tocar com ele, logo no meu iniciozinho das rodas de samba, eu tocava já com Grupo Semente, Teresa Cristina, Cordão do Boitatá, mas ele foi um cara que me levou para outros lugares. Me trouxe para roda dele. Foi com ele e com Luiz Felipe de Lima que comecei a acompanhar grandes sambistas: Monarco, Xango da Mangueira, Camunguelo, Tantinho e muitos outros. Eu devo muito a ele", diz Pedrinho Miranda.

"O tamanho desse cara é importante para o município, para o estado, para o Brasil inteiro. É um cara de uma importância sem tamanho", diz Marco Basílio.


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