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Nova ação na Justiça pede a anulação da nomeação de delegado preso como conselheiro da Agenersa

Marcos Cipriano — Foto: Reprodução/ TV Globo

Marcos Cipriano — Foto: Reprodução/ TV Globo

Os deputados Alexandre Freitas (Podemos) e Felipe Poubel (PL), além do vereador do Rio Pedro Duarte (Novo), buscaram novamente a Justiça para tentar anular a nomeação do delegado Marcos Cipriano como conselheiro da Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Rio de Janeiro (Agenersa).

Os parlamentares pedem a reapreciação de uma tutela de urgência para a suspensão da nomeação de Marcos Cipriano. A primeira ação popular com esse pedido foi registrada em outubro de 2021, mas foi rejeitada em primeira e segunda instância no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Segundo os deputados, o novo pedido de anulação se faz necessário por conta da prisão do delegado na última terça-feira (10). Marcos Cipriano foi um dos alvos da Operação Calígula, onde ele é investigado por ligação com Ronnie Lessa, réu pela morte da vereadora Marielle Franco. O delegado é suspeito de envolvimento em esquema do jogo do bicho.

"Essa prisão não é uma surpresa, já que apontamos essa possibilidade já na ação popular que assinamos no ano passado. Seria inadmissível ter alguém com a reputação gravemente afetada e de idoneidade moral suspeita ocupando um cargo de suma importância em uma agência reguladora, afrontando nosso ordenamento jurídico", comentou o deputado Alexandre Freitas.

No primeiro pedido de anulação, os parlamentares argumentaram que Cipriano não teria conhecimento técnico para exercer a função de conselheiro da Agenersa e nem mesmo 'ilibada reputação e insuspeita idoneidade moral', como determina a legislação.

"Espero que esse fato seja levado em conta pelo Tribunal de Justiça no julgamento do pedido de anulação da nomeação de Cipriano, já que seria um escândalo caso não o fosse, visto a clara inadequação do delegado ao cargo de conselheiro", argumentou o parlamentar do Podemos.

Envolvimento com o jogo do bicho

De acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro, os presos na Operação Calígula atuavam em uma rede de jogos de azar comandada pelo bicheiro Rogério Andrade e pelo PM reformado Ronnie Lessa — réu pela morte da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes — e acobertada por policiais.

Segundo o MPRJ, Cipriano teria intermediado um encontro entre Ronnie Lessa, a também delegada Adriana Belém e o inspetor de polícia Jorge Luiz Camilo Alves, culminando em acordo que viabilizou a retirada em caminhões de quase 80 máquinas caça-níquel apreendidas em casa de apostas da organização criminosa, tendo o pagamento da propina sido providenciado por Rogério Andrade.

Durante a operação da última terça, promotores do Ministério Público encontraram na casa do delegado Marcos Cipriano uma cópia da decisão da Justiça que determinava a prisão do próprio delegado. De acordo com o MPRJ, isso pode indicar que a operação vazou. O fato também está sendo investigado.

A defesa de Cipriano diz que sua prisão "é absolutamente desnecessária e afrontosa à legislação, que exige que os fatos sejam contemporâneos. Diz ainda que causa estranheza uma prisão ser decretada por fatos ocorridos em 2018 e que "sua inocência será provada na Justiça”.


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