Carregando...

Ex-aluna de professor de colégio da Aeronáutica acusado de assédio diz que foi levada para rua deserta: 'Ele é um abusador'

O professor de história Eduardo Mistura, que vem sendo alvo de denúncias de possíveis assédios sexuais por parte de ex-estudantes do Colégio Brigadeiro Newton Braga, na Ilha do Governador, também foi acusado por outra ex-aluna de um curso pré-vestibular.

  • 'Te amarrar e te chicotear', 'te pegar no colo': as mensagens que ex-alunas de colégio da Aeronáutica denunciam ter recebido de professores

Dessa vez, o professor de história teria tentado manter relações sexuais com uma jovem de 17 anos, ex-aluna dele no curso Equipe 1, em Rio Bonito, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Segundo ela, o professor a levou de carro para uma rua escura e deserta e chegando lá, deixou claro que "só queria transar".g

"Ele chegou no carro dele e foi para um lugar mais deserto da cidade. Nesse momento, não teve mais conversa. Eu já percebi que ele queria ter relações sexuais. A gente não foi tomar sorvete, a gente não foi para pizzaria, a gente não teve nada. Ele simplesmente me pegou de carro e foi para um lugar escuro", contou a jovem.

Segundo a ex-aluna de Mistura, o caso aconteceu em 2007, depois que ela teve aulas por apenas seis meses com o professor.

E-mail falando sobre música

A jovem, que pediu para não ter sua identidade revelada, contou ao g1 que sempre achou Eduardo Mistura um excelente professor e uma pessoa muito divertida.

"Ele gostava muito de ficar conversando no corredor com os alunos no intervalo. Ele ficava cercado de alunos, todos rindo e ele contando piada pra caramba. Era um cara divertidão da época", relembrou.

Durante o período do curso, ela disse ainda que os dois tiveram uma relação comum de professor e aluna, sem nenhum tipo de comportamento inadequado.

Contudo, segundo ela, após um e-mail de agradecimento pelas aulas e para contar que tinha ido bem nas provas de vestibular, as coisas mudaram. A jovem contou que depois de algumas mensagens trocadas, ele a convidou para sair.

"Depois que eu fiz as provas, eu escrevi para ele agradecendo e ele me respondeu. Foram no máximo cinco e-mails. Eu gostava das mensagens dele, a gente falava sobre música. E aí ele me mandou uma música que dizia 'eu quero você'. Foi aí que a história começou", disse ela.

A ex-aluna, que ainda era menor de idade, disse que aceitou o convite, mas que em pouco tempo percebeu que o professor tinha planos inapropriados para aquela noite.

Ao entrar no carro de Mistura, ela percebeu que ele estava indo para um lugar mais deserto, aonde muitos casais iam para namorar.

"Ele foi super direto. Era para ter relações sexuais", contou.

"A gente estava no carro, eu não lembro sobre o que a gente falou antes. Eu só tenho alguns flashes na minha cabeça. Mas ele chegou já querendo fazer sexo. E eu fiquei meio assim, sem entender e falei que não queria. Ele saiu, meio que se afastou. Isso tudo dentro do carro. E ele perguntou o que tinha acontecido. Eu falei: 'eu quero ir embora'", relembrou a jovem.

A tentativa frustrada de manter relações sexuais com uma menor de idade que há poucos dias ainda era sua aluna não fizeram o professor de História recuar.

De acordo com a jovem, Mistura mandou um novo e-mail para ela no dia seguinte. Dessa vez, ele teria dito que a amava.

"Ele me escreveu um e-mail dizendo que me amava. Nada a ver", contou

"Eu respondi o e-mail e falei que ele estava exagerando. Que não tinha nada a ver. Depois ele me mandou uma mensagem no Orkut na época, num álbum público, uma coisa meio indevida", completou.

Jovem decidiu falar para evitar novos casos

Ao ler os relatos de outras ex-alunas que estão denunciando Eduardo Mistura, a jovem percebeu que não poderia deixar de contar o que tinha passado.

Segundo a ex-aluna de Mistura, a decisão de expor o que ela passou foi difícil, mas que era necessário tomar essa atitude para que outras meninas não sofram o mesmo que ela.

"Pensei que essa história precisava vir a público porque ele não pode mais dar aula. Ele precisa ser afastado. Ele precisa de tratamento", argumentou.

Hoje com 32 anos, ela entende que é preciso coragem para denunciar casos de possíveis abusos. Segundo ela, na época, tudo parecia só uma situação inapropriada de um professor, mas que hoje ela percebe que isso é bem mais grave.

"Vendo tudo isso que ele fez depois, eu ressignifiquei a minha lembrança. Eu deixei de ver uma coisa normal de um professor "trintão" com alunas mais novas e passei a ver como abuso de fato".

"Eu não acho que prender ele vai resolver. Ele precisa ser tratado. Ele tá doente"., concluiu.

A equipe do g1 tentou contato por telefone com o professor Eduardo Mistura, mas até a última atualização desta reportagem não teve retorno.

Denúncias em colégio da Aeronáutica

Na última terça-feira (10), reportagem do g1 mostrou que um grupo de ex-alunas do Colégio Brigadeiro Newton Braga, na Ilha do Governador, procurou apoio jurídico na Comissão de Direitos Humanos da OAB e apresentou uma série de denúncias contra Mistura e também contra o professor de educação física, Álvaro Luiz Pereira Barros.

As denúncias apontam para abusos que teriam acontecido entre os anos de 2014 e 2020, quando algumas estudantes ainda eram menores de idade.

Ex-alunas de colégio da Aeronáutica denunciam assédio de professores

Ex-alunas de colégio da Aeronáutica denunciam assédio de professores

No material entregue aos advogados da OAB estão prints de trocas de mensagens, áudios e relatos que indicam um comportamento abusivo constante dos dois professores.

Por conta desta primeira denúncia, mais quatro alunas da unidade escolar militar também procuraram a comissão, na última terça-feira, e fizeram novas acusações.

"Você é linda. Quero te pegar no colo. Você é toda especial". "Gostaria de ter você nos meus braços". "Deixa eu te ver e te pegar no colo". Mensagens como essas foram atribuídas ao professor Eduardo Mistura.

ex-alunas do Colégio Brigadeiro Newton Braga apresentaram mensagens que seriam de professores da escola — Foto: Arquivo pessoal

ex-alunas do Colégio Brigadeiro Newton Braga apresentaram mensagens que seriam de professores da escola — Foto: Arquivo pessoal

Segundo a coordenadora do Grupo de Trabalho da Criança, Adolescente e Juventude da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Patrícia Félix, as denúncias devem encorajando que outras meninas procurem as autoridades em casos de assédios. Ela acredita que a comissão também deve trabalhar na garantia de direitos de crianças e adolescentes.

"É importante que essas meninas encorajem outras crianças e adolescentes que passam por situações parecidas, em outros ambientes. Que elas saibam que terão apoio dos órgãos de proteção e de garantia de direitos", completou a advogada.


Deixe uma resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados*