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Uma em cada três pessoas no Grande Rio que planejam se mudar pretendem morar de aluguel, diz estudo

Ideia de se mudar nos próximos dois anos corresponde a 32% dos moradores da região — Foto: Arquivo pessoal/Danilo Alyrio

Ideia de se mudar nos próximos dois anos corresponde a 32% dos moradores da região — Foto: Arquivo pessoal/Danilo Alyrio

Um em cada três moradores da Região Metropolitana do Rio de Janeiro que planejam se mudar nos próximos dois anos pretende alugar um imóvel. O levantamento inédito, feito pelo Grupo QuintoAndar e pelo Instituto Datafolha, apontou que percentual de 32% é o maior entre as regiões metropolitanas de todo o Brasil.

De acordo com a pesquisa, o aluguel já corresponde a 34% da renda das famílias - mais do que em São Paulo (25%) e Belo Horizonte, por exemplo. Os moradores pagam, em média, R$ 834 - quase R$ 150 a mais do que a média nacional (R$ 686).

Essa é a realidade dos irmãos Danilo Alyrio, de 21 anos, e Camila César, de 27. Após 15 anos em uma casa própria com os pais no Jardim Guanabara, na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio, os dois decidiram se mudar juntos em maio para um imóvel alugado, em Copacabana, na Zona Sul.

Danilo e Camila se mudaram para imóvel alugado após 15 anos em casa própria — Foto: Arquivo pessoal

Danilo e Camila se mudaram para imóvel alugado após 15 anos em casa própria — Foto: Arquivo pessoal

O estudante de odontologia comparou a visão dos pais, anos atrás, à dele e à irmã, médica – única fonte de renda da nova casa.

“Sinto que eles compraram a casa em um momento em que as coisas eram muito estáveis e a gente pretendia ficar no mesmo lugar por muito tempo. Foi aquele plano de família de estabelecer estruturas, e uma das estruturas era a casa: comprar e morar”, afirma.

Segundo a pesquisa, esse ainda é a vontade de 56% dos entrevistados. Cerca de 82% consideravam a compra de uma casa própria e a saída do aluguel como um “sonho”.

Enquanto isso, Danilo vê o novo apartamento como um “momento de transição”. Nem ele nem a Camila pretendem morar juntos por muito tempo e veem a casa como uma oportunidade prática de conhecer o bairro sem um compromisso duradouro.

“Nem passou pela cabeça [comprar um imóvel] quando a gente foi se mudar. Teve a questão financeira, obviamente, em relação a, em curto prazo, conseguir algo dentro de um valor que [a gente] conseguiria se virar. Eu também, em curto prazo, consegui sair de uma situação de moradia para a outra, fazer uma transição muito rápida. Em uma, duas semanas a minha casa já estava pronta, vivendo bem aqui”, relembra.

Danilo conta que eles visitaram o imóvel numa terça-feira e, na segunda seguinte, já começaram a mudança. A casa tinha sido indicação de conhecidos, mas antes eles já tinham feito buscas online.

A procura por imóveis na internet – em sites ou aplicativos - foi mencionada por mais da metade das pessoas no levantamento – 50% citaram o Google; 43%, as redes sociais. Foi assim, pela busca online, que a professora de inglês Paula Costelha, de 35 anos, e a mãe dela, Lise Franco, de 62, chegaram até a nova casa.

Paula e Lise voltaram a morar juntas, em uma casa alugada no Rio — Foto: Arquivo pessoal

Paula e Lise voltaram a morar juntas, em uma casa alugada no Rio — Foto: Arquivo pessoal

No fim de 2021, a aposentada tinha acabado de se divorciar e decidiu deixar a casa própria em Irajá, na Zona Norte do Rio. Paula, que morava com uma amiga na Tijuca, decidiu então voltar a morar com a mãe, e foi em um site de buscas que elas encontraram um novo imóvel, em Vista Alegre.

Ao visitar a casa, elas se depararam com o imóvel ao lado: exatamente como queriam. As duas procuravam uma casa maior, para dar conforto aos animais de estimação, e também não se viam fazendo uma compra.

Enquanto Paula pretende se casar nos próximos anos e alugar novo lugar para morar, Lise faz um tratamento de saúde no Rio de Janeiro. Assim que acabar, a aposentada pretende se mudar para outra cidade. Enquanto isso, elas usam o aluguel da casa própria para ajudar a pagar as próprias despesas com o novo imóvel.

“A flexibilidade do aluguel permite que a gente tome esse tipo de decisão sem maiores preocupações, como colocar um imóvel para vender ou ter que colocar um imóvel para alugar, uma vez que a gente já tem esse imóvel [a casa anterior de Lise] que a gente tem que ter esse tipo de preocupação”, conta Paula.

E a preocupação de comprar uma casa própria não pode ser deixada de lado, assim como as formas de pagamento ou financiamento - intenção de 53% dos entrevistados.

“A dica é sempre levar em conta o custo efetivo total. Ou seja, analisar a forma de correção das parcelas, o custo do seguro. É preciso fazer contas. Se a pessoa não estiver segura com todos os cálculos para fazer um financiamento, o ideal é procurar ajuda, conversar com amigos, pesquisar mais”, recomenda Jonas Marchetti, diretor de Crédito do QuintoAndar.

O Censo QuintoAndar de Moradia realizou 3.186 entrevistas com a população brasileira a partir de 21 anos, nas cinco regiões do país, entre 11 e 21 de outubro de 2021.

*Estagiária sob a supervisão de João Ricardo Gonçalves


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