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'Consegui trocar um pouco de lado', diz jovem estudante de medicina que passou no vestibular da UFRGS enquanto fazia hemodiálise

Jovem estudante de medicina que passou no vestibular da UFRGS enquanto fazia hemodiálise

Jovem estudante de medicina que passou no vestibular da UFRGS enquanto fazia hemodiálise

Três anos depois de ter conseguido passar no vestibular de medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) enquanto fazia hemodiálise, a jovem Amanda Vitoria Luciano Gomes está no 5º semestre do curso e diz que está passando por uma experiente enriquecedora. Ela vai trocar de lado, deixar de ser a paciente para ser a médica.

"É difícil [o curso], mas eu amo. O contato com o paciente eu acho que é a melhor parte. Eu consegui trocar um pouco de lado, entre ser a paciente e ser o profissional que está atendendo, eu gosto bastante. A gente tem que conseguir compreender, tem gente que está no hospital há 30 dias e eu como paciente consigo entender um pouco esse lado".

Amanda na faculdade de medicina da UFRGS — Foto: Arquivo pessoal

Amanda na faculdade de medicina da UFRGS — Foto: Arquivo pessoal

Amanda, de 24 anos, tem granulomatose de Wegener, uma doença autoimune que afeta os vasos sanguíneos dos rins, pulmões e vias respiratórias. Ela está na fila para o transplante de rim há seis anos. Por isso, ela segue fazendo hemodiálise três vezes por semana.

"A minha hemodiálise agora é conforme minhas aulas, cada vez que muda o semestre, mudam os dias. Atualmente, eu estou hemodializando segunda, terça e sexta, faço os exames de rotina", conta.

Para conciliar, ela precisa sair cedo e voltar tarde para casa, no bairro Lomba do Pinheiro, Zona Leste da Capital. O Início dos estudos, em 2020 foi difícil.

"Em 2020, na verdade, foi quando eu ingressei na faculdade e fizemos acho que umas duas semanas de aula, e aí interrompeu porque a pandemia [de Covid-19] estourou, né. Foi bem complicado. Ficamos tendo aula online até o 3º semestre, e aí, no 4º, quando começa as práticas, foram presenciais. Mas as teóricas continuaram online. Agora, estou no 5º semestre, quase no meio da faculdade e está totalmente presencial já", diz.

Amanda vacinando a irmã Taynan contra a Covid-19 — Foto: Arquivo pessoal

Amanda vacinando a irmã Taynan contra a Covid-19 — Foto: Arquivo pessoal

Futuro

Amanda já decidiu qual especialidade quer seguir na profissão e tem uma missão bem clara em mente: tratar os pacientes como gosta de ser tratada.

"Eu quero ser neo, que é a parte que cuida das crianças recém-nascidas. A gente aprende muito, muitos pacientes com tempos diferentes, situações diferentes, e eu tento tratar os pacientes da forma como eu queria ser tratada. Porque tem paciente passando por um momento difícil que a gente tem que entender".

Agora, ela segue esperando e buscando um doador, que quase foi a irmã Taynan Luisa Luciano de Oliveira, de 30 anos. Em novembro do último ano, Taynan se candidatou e fez os exames para testar a compatibilidade.

"A vontade sempre teve, só estava esperando o momento. Foram 46 tipos de exame, até o resultado final, que foi em junho, infelizmente, ela [Amanda] tem uma quantidade elevada de anticorpos, que não podemos compartilhar. Por conta disso a chance de rejeição era muito alta", conta Taynan.

Mas a esperança segue. "Se deus quiser, a gente tem esperança, todo mês", finaliza.

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