Carregando...

Aposentada conclui curso de teatro na turma ‘Paulo Gustavo’ em RR e comemora: 'nunca é tarde'

Chaguinha se inspira em Paulo Gustavo para sua performance artistica — Foto: Divulgação/PMBV

Chaguinha se inspira em Paulo Gustavo para sua performance artistica — Foto: Divulgação/PMBV

Paulo Gustavo foi um ator e humorista que partiu cedo, aos 42 anos, vítima de Covid-19. Seus personagens jamais serão esquecidos e seu legado serve de motivação para muitos, como a aposentada Francisca das Chagas, mais conhecida como Chaguinha. Com 77 anos, a idosa concluiu um curso de teatro em Boa Vista e cita o artista como inspiração.

A turma de Chaguinha, com oito alunos com idades entre 18 à 77 anos, foi batizada em homenagem ao humorista. A formatura ocorreu no dia 11 de maio e teve como professor Marcelo Perez. A aposentada "deu um show" de interpretação dando vida à personagem Parimé, na peça "(Des)Encontros Calientes".

Ela, que atuava como servidora municipal de Boa Vista, conta que nunca pensou em atuar e que sequer foi a um teatro na vida, mas abraçou e desafio e hoje está muito orgulhosa de seu trabalho. O curso foi ofertado pelo Teatro Municipal, administrado pela prefeitura.

"Eu nunca imaginei que eu fosse ser atriz, foi de repente. Me deu vontade e eu fui me inscrever para ver como era. Eu nunca tinha visto, nem assistido nada no teatro. Para mim era algo de televisão e eu adorei a experiência, foi muita felicidade. Ninguém me chamou, eu mesmo me interessei", conta.

Para ela, se formar na turma Paulo Gustavo foi uma das maiores honras, tendo em vista que ela cita o ator como uma de suas inspirações.

"A alegria do teatro me inspirou a querer me inscrever, mas o Paulo Gustavo foi muito importante com seus personagens, da maneira como ele atuava e colocava viva e felicidade em sua arte", confessa.

O espetáculo de estreia de Chaguinha gira em torno de uma despedida de solteira ‘pra lá’ de atrapalhada, após o encontro entre amigas, ao acaso, em um bar chamado ‘Café Salsa Caliente’. Repleto de diálogos bem-humorados e boas sacadas, a peça foi construída com base em algumas histórias reais, protagonizadas pelos participantes.

A peça '(Des)encontros Caliente' aconteceu no dia 11 de maio — Foto: Divulgação/PMBV

A peça '(Des)encontros Caliente' aconteceu no dia 11 de maio — Foto: Divulgação/PMBV

De acordo com o professor e organizador da peça, Marcelo Perez, Chaguinha sempre foi muito empolgada e participativa na oficina. Por isso, foi uma felicidade dar aulas para ela.

"A Chaguinha é uma brincadeira, que pessoa maravilhosa que eu conheci. Desde o início da oficina se mostrou muito motivada com o teatro. Sempre participativa e muito agregadora. Durante os exercícios que exigiam um esforço físico maior, ela nunca reclamava. Pelo contrário, estava sendo alegre".

"A apresentação foi surpreendente. O domínio que ela teve das cenas em que participou, foi a prova do quanto ela se dedicou durante os encontros, tanto nos exercícios físicos quanto nos de improvisação, que deram a ela subsídios para se manter em cena inteira, tranquila, criativa e, ainda, se divertindo muito com tudo que acontecia", relata o professor.

Segundo Chaguinha, ela mesma participou da criação de seu personagem, que batizou em homenagem ao local em que nasceu: as margens do rio Parimé, em Roraima.

"Muita coisa do personagem fui eu quem criou, o professor ficava orientando nos ensaios como é que precisa fazer para funcionar na narrativa. Ele ajudou muito, foi muito importante. O personagem tem muito da minha imaginação, pois eu sou filha de nordestinos, mas nasci às margens do rio Parimé e foi por isso que eu decidi chamar o personagem de Parimé".

Mas ela confessa: o nervosismo tomou conta quando ela subiu ao palco pela primeira vez. Ela afirma que chegou até a errar as falas e as piadas que ela mesma criou para o personagem, mas nada que comprometesse o espetáculo, pois, segundo o próprio professor, ela é ótima em improvisação.

"Quando teve a estreia da peça, antes de entrar no palco, todos nós ficamos muito preocupados, pois estávamos nervosos, conversávamos baixinho, mas eu estava com muito frio na barriga. Teve uma hora que eu fui me apresentar com as colegas eu soltei um grito, pois com a gente gritando dá uma agitada, uma acordada, a gente fica mais corajosa. Dando risada e conversando, a gente vai se soltando. Valeu a pena!".

Chaguinha não fica quieta. Embora tenha idade avançada, está sempre ativa e procurando coisas novas para fazer, e o curso de teatro foi a prova disso.

"Eu vejo muitos idosos que não participam de nada, ficam só em casa. Eu tento fazer tudo o que eu quero fazer. Eu gosto muito de cuidar de plantas, de caminhar, do coral... eu digo que eu vou aproveitar cada minuto, pois eu acho que com 80 eu vou 'subir', pois velho não morre, velho sobe. Eu não paro, não gosto de ficar parada".

"Os meninos me chamam de velha, eu não sou velha não! Eu tenho muita idade e tô cheia de vida".

Segundo a aposentada, a lição desse novo desafio é a alegria e o sentimento de saber que está servindo de inspiração para outras pessoas.

"Para mim, foi uma alegria muito grande participar desse encontro. Melhor ainda servir de inspiração para as pessoas da minha idade, mostrando que nunca é tarde para começar. Eu adoro arte, coral, teatro... estou me sentindo muito bem de ter feito o curso com o professor Marcelo e com os colegas".

Chaguinha faz parte da primeira turma de teatro — Foto: Divulgação/PMBV

Chaguinha faz parte da primeira turma de teatro — Foto: Divulgação/PMBV

Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.


Deixe uma resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados*