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Após treinador de vôlei ser preso por suspeita de abuso, atletas recebem medidas de proteção em SC

André Testa foi árbitro de linha nas Olimpíadas do Rio de Janeiro — Foto: Reprodução

André Testa foi árbitro de linha nas Olimpíadas do Rio de Janeiro — Foto: Reprodução

Dezesseis jogadores atuais de vôlei de São José, na Grande Florianópolis, receberam medidas de proteção após um treinador ser denunciado por atletas por estupro. A decisão judicial, divulgada nesta quinta-feira (18), impede que qualquer integrante da entidade esportiva tenha contato com eles, tratados como possíveis vítimas pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), ou com testemunhas.

O treinador, André Testa, é investigado por pelo menoscinco crimes, declarou a Polícia Civil. Entre eles, estão estupro de vulnerável e importunação sexual. Ele está preso preventivamente . A defesa do treinador disse que "a prisão preventiva é inoportuna e ilegal" [leia nota na íntegra abaixo].

Decisão

Dos 16 atletas, 11 são garotos e cinco, garotas. Eles estão alojados em alojados em duas casas pela entidade esportiva. A decisão judicial também autoriza total acesso da Assistência Social do município aos dois endereços e a toda documentação dos atletas.

No prazo máximo de 72 horas, a Secretaria de Assistência Social e São José deverá elaborar uma estratégia de abordagem dos adolescentes, de maneira a preservar a estabilidade, promover a escuta especializada e realizar o encaminhamento, com segurança e em curto espaço de tempo, às famílias de origem, custeando tais deslocamentos, se necessário.

André Testa foi juiz de linha nas Olimpíadas do Rio de Janeiro — Foto: Reprodução

André Testa foi juiz de linha nas Olimpíadas do Rio de Janeiro — Foto: Reprodução

A decisão determina, ainda, que o município nomeie um responsável legal pelos adolescentes, disponibilize monitores em tempo integral e assuma a manutenção das casas e o fornecimento de alimentação, produtos de higiene pessoal e de limpeza, além de outros itens que se afigurarem necessários à regular rotina, nos dois alojamentos e até que seja providenciada o encaminhamento às suas famílias.

Em nota, a Prefeitura de São José afirmou que acatou a decisão judicial. "A partir desta quarta-feira (17), à noite, assumiu, temporariamente, a manutenção da Casa Atleta, bem como o suporte assistencial aos atletas com aplicação das medidas protetivas necessárias".

Além do treinador, a Polícia Civil também investiga suspeitas de fraude com bolsas-atleta e coação de testemunhas.

Crimes

A delegada Marcela Goto, responsável pela investigação relacionada ao treinador, enumerou os crimes pelos quais o suspeito pode responder.

“Ele está sendo investigado pelos crimes de estupro de vulnerável, importunação sexual, artigo 232 do ECA [Estatuto da Criança e do Adolescente], porque ele constrangia os adolescentes perante outros atletas, o artigo 243 também do ECA, porque ele fornecia bebida [alcoólica] aos adolescentes, e o artigo 344 [do Código Penal], que é coação no curso do processo, porque ele passou a coagir as testemunhas para que não viessem prestar esclarecimentos nesta delegacia”.

Não há previsão de quando o inquérito deve ser concluído. A delegada informou, porém, que outras vítimas do suspeito podem encontrar em contato com a Polícia Civil através da Delegacia de Proteção da Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCami) de São José. O telefone da delegacia é (48) 3665-7210 e o email, dpcamisaojose@pc.sc.gov.br. O disque denúncia da Polícia Civil é o 181.

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As denúncias foram feitas por jovens que jogavam na Associação Desportiva e Cultural Terra Firme. As vítimas relataram que o treinador os manipulava a ponto de não compreenderem que ocorriam crimes contra elas (assista abaixo).

"Ele ganha muito a confiança e acabou abusando de mim. Eu era virgem na época. Foi a minha primeira vez", relatou uma das vítimas.

Vítimas denunciam treinador de vôlei por estupro em SC

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Rompimento

A Justiça determinou a queda da parceria do contrato entre a prefeitura e a associação que tocava o projeto de vôlei. Nesta semana, o município cumpriu essa decisão.

Projeto de vôlei é alvo de novas denúncias em São José

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Na manhã desta quinta, uma manifestação de pais e atletas ocorreu em São José. O grupo afirmou que o rompimento gerou uma insegurança em relação à continuidade do projeto de vôlei.

Em nota, a A Fundação Municipal de Esportes de São José afirmou que "os projetos de voleibol comunitário e de rendimento terão continuidade. As tratativas para contratação emergencial de nova organização social já estão avançadas".

O que diz a defesa

Os advogados Leandro Henrique Martendal e Marlon Charles Bertol, que atuam na defesa de André Testa, se manifestaram por meio de nota na semana passada. O g1 entrou em contato novamente com o escritório nesta quarta, mas a defesa preferiu não comentar o caso.

Confira abaixo o que diz a nota da semana passada.

"A prisão preventiva de André Wilson Testa é inoportuna, desnecessária e ilegal. A polícia apenas apresentou ilações e conjecturas e, com isso, não comprovou a imprescindibilidade da prisão preventiva, assim como não justificou o cabimento de outras medidas cautelares diversas da prisão.

André é inocente e não são procedentes as imputações. Conforme se comprovará no transcorrer do processo, há denuncismo de viés vingativo. Todas as informações colhidas até o presente momento foram produzidas sem que fosse oportunizado o direito ao contraditório."

O que dizem as entidades

A Associação Terra Firme afirmou que não concorda com esse tipo de situação, nenhum tipo de assédio, físico moral ou sexual, e que prontamente afastou o técnico para que as investigações fossem feitas sem qualquer interferência junto aos jogadores.

A Fundação Municipal de Esportes de São José também se manifestou. Por nota, disse que tomou conhecimento da denúncia informalmente em maio e que notificou imediatamente os responsáveis técnicos do projeto de voleibol e o professor foi afastado.

Já a Federação Catarinense de Voleibol não vai se manifestar no momento, pois desconhece os fatos e em nenhum momento recebeu algum tipo de denúncia. E espera que tudo seja esclarecido pelas autoridades competentes na forma da lei.

A Confederação Brasileira de Volêi (CBV) enviou nota dizendo que, diante das denúncias recebidas, a CBV determinou à Federação Catarinense de Voleibol o afastamento imediato do técnico das funções, além de suspender seu registro na entidade, até que os fatos sejam devidamente apurados.

A CBV reitera que repudia qualquer tipo de assédio, e trabalha de forma incessante por um ambiente pautado pela ética e pelo respeito, e livre de qualquer tipo de violência ou preconceito.

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