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Polícia busca jovem que matou a mãe e usou a web para fingir luto no litoral de SP

Márcia Lanzane foi morta em dezembro de 2020, e filho foi indiciado por homicídio doloso — Foto: Reprodução/Facebook

Márcia Lanzane foi morta em dezembro de 2020, e filho foi indiciado por homicídio doloso — Foto: Reprodução/Facebook

A Delegacia de Guarujá, no litoral de São Paulo, realiza diligência visando a localização e prisão do jovem Bruno Eustáquio, de 23 anos, suspeito de matar a própria mãe, Márcia Lanzane, de 44 anos, segundo informou a Secretaria de Segurança Pública (SSP) ao G1 neste sábado (5). A Polícia Civil o indiciou por homicídio doloso, quando há intenção de matar, e, após solicitação da autoridade policial, a Justiça decretou a prisão preventiva do suspeito.

O crime ocorreu em dezembro de 2020. Na época, o suspeito chegou a fazer uma postagem nas redes sociais lamentando a morte da mãe. "Te amarei para sempre! Obrigado por tudo meu amor. Luto Eterno Rainha", diz a publicação.

A morte de Márcia comoveu diversas pessoas e uma página chegou a ser criada em uma rede social, com o nome "Justiça por Márcia Lanzane".

Em sua rede social, a vítima chegava a fazer homenagens ao filho. Em uma das postagens, feita em 2018, ela agradecia por tê-lo em sua vida e dizia que ele era sua força para viver, postando diversas fotos dos dois. Veja abaixo:

Márcia fazia postagem nas redes sociais em homenagem ao filho, a foto mostra uma das publicações, feita em 2018 — Foto: Reprodução/Facebook

Márcia fazia postagem nas redes sociais em homenagem ao filho, a foto mostra uma das publicações, feita em 2018 — Foto: Reprodução/Facebook

Investigação

Imagens obtidas pelo G1 na última quarta-feira (2) mostram o rapaz segurando o pescoço da vítima e a agredindo com socos dentro de casa, no bairro Sítio Cachoeirinha, antes da morte da mulher (veja vídeo mais abaixo; as imagens são fortes). Os vídeos do circuito interno de segurança do imóvel foram encontrados dentro do forno do fogão.

Jovem indiciado por homicídio doloso pela morte de mãe fez postagem após o crime em Guarujá, SP — Foto: Reprodução/Facebook

Jovem indiciado por homicídio doloso pela morte de mãe fez postagem após o crime em Guarujá, SP — Foto: Reprodução/Facebook

O advogado do suspeito, Anderson Real, disse que ele afirmou ter apertado o pescoço da mãe para imobilizá-la, não para matá-la, e que ela teve um "pequeno desmaio", ele saiu de casa em seguida e, quando voltou, encontrou ela morta (leia mais abaixo o que o advogado disse ao G1).

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O caso foi investigado pela Delegacia Sede de Guarujá. O inquérito policial com o indiciamento foi concluído em 31 de maio de 2021 e encaminhado à Justiça. A defesa dele afirma que ele está arrependido e que segurou o pescoço da mãe apenas para imobilizá-la (veja posicionamento na íntegra abaixo).

Atenção: Imagem forte — Foto: G1

Atenção: Imagem forte — Foto: G1

Imagens mostram momento em que jovem matou a própria mãe em Guarujá

Imagens mostram momento em que jovem matou a própria mãe em Guarujá

Suspeito ligou para amigos e familiares após morte da mãe

Na época do crime, familiares relataram à reportagem que o jovem teria ligado para amigos, desesperado, e acionado a polícia, afirmando que encontrou a mãe morta em casa. Segundo a Polícia Civil, o primo da vítima relatou que o jovem contou a ele que saiu de casa pela manhã para treinar, e que quando retornou encontrou a mãe caída no quarto dele, aparentemente sem vida.

Inicialmente, ele não contou aos policiais sobre ter envolvimento com a morte da mãe. A primeira suspeita dos investigadores surgiu ao notarem que Márcia havia morrido muitas horas antes de as equipes serem acionadas.

Filho chegou a lamentar morte da mãe nas redes sociais — Foto: Reprodução/Facebook

Filho chegou a lamentar morte da mãe nas redes sociais — Foto: Reprodução/Facebook

Ainda de acordo com a polícia, após suspeitarem das circunstâncias da morte, os investigadores foram até a residência da vítima e questionaram o filho. Ele alegou que teria sido uma morte acidental, após ele empurrá-la durante uma discussão. Em seguida, segundo ele informou às autoridades, Márcia teria caído e batido a cabeça.

No entanto, câmeras do circuito interno da casa mostram, na data do crime, o rapaz andando pela casa e entrando em um dos cômodos. Ele fecha a porta e, depois de quase duas horas, abre novamente.

Às 21h17, mãe e filho aparecem na porta e, segundos depois, entram em luta corporal. Os dois caem no chão, e o jovem fica em cima da mãe. Ele prende ela pelo pescoço e, logo em seguida, começa a dar socos nela. Depois disso, o jovem sai do quarto e segue para a sala, onde continua vendo televisão. Na manhã seguinte, ele ainda sai de casa, supostamente para ir à academia, e retorna.

Defesa diz que suspeito está arrependido

O advogado Anderson Real, que representa o filho da vítima, afirma que o jovem relatou que o HD das câmeras foi fornecido por ele.

"Após a morte, a polícia foi lá na residência, o levou para a delegacia e, durante o trajeto, questionou se não tinha câmera. Os policiais perguntaram onde estava o HD, e ele disse a verdade, que escondeu no forno porque estava com medo".

De acordo com Real, o filho de Márcia alega estar arrependido. "A versão dele é que, realmente, teve uma discussão, uma briga, arranhões, mas até então ele negava o estrangulamento. Agora, com as imagens, ele confessa que apertou o pescoço dela para imobilizar, e não para matar. Ele alegou que, depois disso, houve um pequeno desmaio da mãe, mas que ela não morreu naquele instante", diz.

"Ele afirma que chegou a voltar no quarto várias vezes depois disso para falar com ela, e que depois foi para a academia. Quando voltou, encontrou a mãe morta. Ele pediu ajuda para um amigo lhe explicar primeiros socorros, e depois acionou o Samu. Ele está totalmente arrependido pela briga que ocorreu com a mãe, e em nenhum momento tinha qualquer intenção de matá-la", diz o defensor.

Sobre a alegação da Polícia Civil de que Bruno passa a ser procurado, ele alega que "desde a época do ocorrido, ele se mudou da casa onde morava com a mãe, por pressões da família e ameaças em redes sociais, mas deixou o seu atual endereço disponível".

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