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Prefeitura de SP prorroga por mais 30 dias prazo para consórcio finalizar reforma do Anhangabaú; obra já custa R$ 105 milhões

Entrega das obras do Anhangabaú é adiada pela quinta vez

Entrega das obras do Anhangabaú é adiada pela quinta vez

A Prefeitura de São Paulo prorrogou por mais trinta dias o prazo de execução do contrato da obra de reforma do Vale do Anhangabaú, no Centro da capital, que tinha sido prometida inicialmente para junho de 2020.

De acordo com o Diário Oficial, o Consórcio Central, responsável pela obra, terá até 31 de janeiro para finalizar a reforma, que inicialmente estava orçada em cerca de R$ 80 milhões, mas que já atingiu o valor de R$ 105 milhões.

Em carta enviada à prefeitura no dia 14 de dezembro de 2020, o consórcio afirma que essa quinta prorrogação é necessária por conta do funcionamento das fontes instaladas no projeto.

Em setembro do ano passado, um vídeo que mostra teste de luzes e fontes de água no local viralizou nas redes, gerando críticas ao projeto. O circuito de águas, que deveria apenas molhar o piso e recolher o excesso pelos ralos, não funcionava como deveria, e deixava a área alagada.

"A nova prorrogação é necessária para atender ao período de operação assistida para as fontes instaladas no projeto", diz o documento.

Inicialmente, as empresas que tocam a reforma pediram que a execução contratual fosse prorrogada até 28 de fevereiro, mas o 12º aditamento contratual, publicado pela prefeitura no Diário Oficial de 29 de dezembro, autorizou a prorrogação por apenas 30 dias, não 60 como queria o consórcio.

Por meio de nota, a prefeitura afirmou que o espaço ainda não tem data para abertura ao público por causa do agravamento da pandemia do coronavírus na cidade.

“A Prefeitura de São Paulo informa que o Vale do Anhangabaú permanecerá fechado devido ao agravamento do número de casos de pessoas infectadas pelo Covid-19. A prorrogação do contrato foi necessária para dar continuidade à operação assistida”, informou a gestão municipal.

Vista do Vale do Anhangabaú, no Centro de SP, durante reforma de revitalização, nesta segunda-feira (6) — Foto: Rodrigo Rodrigues/G1

Vista do Vale do Anhangabaú, no Centro de SP, durante reforma de revitalização, nesta segunda-feira (6) — Foto: Rodrigo Rodrigues/G1

Atrasos

Em setembro, a reportagem do G1 já tinha adiantado que a obra do Anhangabaú não ficaria pronta em 2020, mesmo a prefeitura mudando três vezes a data de entrega.

A reportagem foi baseada em documentos do próprio consórcio, mas a gestão Bruno Covas (PSDB) negou que haveria o terceiro atraso na entrega da obra e afirmou que a reforma seria entregue aos munícipes em 30 de outubro, em operação assistida das construtoras - o que não ocorreu.

Nos documentos obtidos pelo G1, as empresas FBS Construção Civil e a Lopes Kalil Engenharia, que formam o Consórcio Central, relataram à Secretaria Municipal de Obras (SPObras) problemas de alteração do projeto e com a pandemia do coronavírus, que atrasaram o cronograma de entrega.

Na véspera da suposta entrega de 30 de outubro, a gestão Covas afirmou que iria "aguardar o processo de homologação da empresa vencedora da concessão [privada] para abrir o espaço de forma segura, gradual e organizada à população".

Na mesma semana, o Consórcio Central tinha enviado uma nova carta à SPObras pedindo a quarta alteração na execução da obra para 31 de dezembro.

"Após o fim do processo de habilitação do concessionário, que deve ocorrer em meados de dezembro, o espaço será aberto gradualmente, de forma planejada e segura, e sua ocupação será organizada, com planejamento da ativação dos quiosques e demais espaços no entorno", disse a prefeitura em nota publicada em 29 de outubro.

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Obra do Vale do Anhangabaú nesta quinta-feira (29), véspera da entrega prevista pela Prefeitura de São Paulo. — Foto: Rodrigo Rodrigues/G1

Obra do Vale do Anhangabaú nesta quinta-feira (29), véspera da entrega prevista pela Prefeitura de São Paulo. — Foto: Rodrigo Rodrigues/G1

Alta dos custos

Por causa dos atrasos constantes, as obras de requalificação do Vale do Anhangabaú chegaram aos R$ 105,6 milhões, valor 32% maior do que o previsto inicialmente, de acordo com a Prefeitura de São Paulo.

A reconstrução do cartão-postal da cidade começou em junho de 2019. O contrato foi assinado em novembro de 2017 pelo valor deR$ 80 milhões.

Desde o início do serviço, o investimento já passou por ao menos doze termos de aditamento de contrato entre a gestão municipal e o Consórcio Central que elevaram os custos totais para R$ 93,8 milhões.

A Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb) alega que o novo aumento, de R$ R$ 11,8 milhões, corresponde a um reajuste que já estava previsto no contrato, pois a Lei das Licitações determina um acréscimo quando as obras ultrapassam os 12 meses de execução. Como o contrato foi assinado há 36 meses, este foi o terceiro reajuste de preço do tipo.

Trabalhadores concretam escada do Vale do Anhangabaú nesta quinta (29), véspera da entrega da obra prometida pela Prefeitura de SP. — Foto: Rodrigo Rodrigues/G1

Trabalhadores concretam escada do Vale do Anhangabaú nesta quinta (29), véspera da entrega da obra prometida pela Prefeitura de SP. — Foto: Rodrigo Rodrigues/G1

Após de reforma que custou mais de R$ 90 milhões, Anhangabaú será privatizado

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Histórico

OVale do Anhangabaú foi concedido para gestão e exploração comercial à iniciativa privada pelo prazo de 10 anos por R$ 6,5 milhões, a maior proposta feita na concorrência pública.

Na ocasião, o Consórcio Viaduto do Chá, formado pelas empresas G2P Partners e GMCOM Eventos e Projetos Especiais, apresentou a melhor proposta financeira e arrematou o espaço com ágio de 6.751% acima do esperado pela gestão municipal.

Pelo acordo, a concessionária terá que investir na manutenção e revitalização do espaço reformado e, em contrapartida, poderá explorar comercialmente a área.

No local deverão ser gratuitamente promovidas atividades culturais, educativas, esportivas ou recreativas, e quiosques serão alugados para comércio e alimentação.

O consórcio também deveráimplantar o Museu dos Direitos Humanos e Cidadania na Galeria Prestes Maia, que liga a Praça do Patriarca até o Anhangabaú, por baixo do Viaduto do Chá, agregando ao circuito de cultura e artes na região central de São Paulo.

Vista do Vale do Anhangabaú reformado no Centro de São Paulo — Foto: Celso Tavares/G1

Vista do Vale do Anhangabaú reformado no Centro de São Paulo — Foto: Celso Tavares/G1

O principal objetivo da reforma e da concessão, de acordo com a Prefeitura, é a revitalização da área e integração com o entorno, "transformando uma área que hoje é de trânsito, em destino", além de existir uma expectativa de benefício econômico de R$ 250 milhões por ano para os estabelecimentos do Centro, com aumento da circulação de pessoas, e R$ 46 milhões para os cofres públicos com outorgas, investimentos, desoneração e recolhimento de impostos.

Ilustração mostra expectativa da Prefeitura de São Paulo de como deve ficar área dos aspersores no novo Vale do Anhangabaú — Foto: Prefeitura de São Paulo/Divulgação

Ilustração mostra expectativa da Prefeitura de São Paulo de como deve ficar área dos aspersores no novo Vale do Anhangabaú — Foto: Prefeitura de São Paulo/Divulgação

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