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Pacientes com diabetes relatam falta de insulina nos postos de saúde da Grande SP

Pacientes relatam falta de insulina e dieta líquida em farmácias de alto custo de SP

Pacientes relatam falta de insulina e dieta líquida em farmácias de alto custo de SP

Pacientes diabéticos têm relatado a falta de insulina nas farmácias de alto custo e nos postos de saúde da região metropolitana de São Paulo.

Jaqueline Alcântara utiliza a insulina asparte, um tipo específico para quem tem que aplicar o remédio várias vezes ao dia. Sem o medicamento, ela passa mal e corre vários riscos, inclusive, o de ficar cega.

Uma caixa de insulina, que dura cerca de um mês, custa, em média, R$ 170. Jaqueline costuma retirar os remédios na farmácia de alto custo do Hospital Mário Covas, de Santo André, no ABC paulista, mas a última vez que conseguiu foi em março.

"Ninguém dá informação, nem nada. Pedem para aguardar e entrar em contato via telefone ou e-mail para ver se já chegou. Eu só tenho conseguido porque participo de uma associação para diabéticos em Santo André e um doa para o outro quando sobra", disse Jaqueline.

De acordo com a Associação de Diabetes do ABC há pelo menos 14 pacientes do grupo sem conseguir insulina, principalmente nos postos do Hospital Mário Covas, no AME Maria Zélia, que fica na região central da capital paulista, e na unidade Tenente Pena, no Bom Retiro.

"Essas questões burocráticas e administrativas, de desabastecimento, são possíveis de prever. Então é uma questão apenas de planejamento e organização para que não se falte esse tipo de remédio. Vai ser preciso fazer uma compra emergencial, e talvez ela custe até mais caro", disse o médico endocrinologista Marcio Krakauer, presidente da Associação de Diabetes do ABC e integrante da Sociedade Brasileira de Diabetes.

Krakauer orienta aos pacientes que, nesses casos, entrem em contato com seus próprios médicos para solicitar a troca do tipo de insulina. Ele disse que uma alternativa temporária à asparte poderia ser a insulina humana regular.

Questionada, a Secretaria Estadual da Saúde informou que as insulinas asparte e basaglar são de responsabilidade de aquisição e distribuição do Ministério da Saúde.

A pasta disse que tem cobrado o ministério sobre o reabastecimento, mas a pasta federal ainda não sinalizou novas entregas.

A reportagem pediu um posicionamento do Ministério da Saúde e aguarda retorno.

Paciente prepara insulina asparte para aplicação — Foto: TV Globo/Reprodução

Paciente prepara insulina asparte para aplicação — Foto: TV Globo/Reprodução

Faltam outros medicamentos

Depender de um remédio que controla funções vitais já é difícil; quando se trata de um filho acamado, mais ainda.

E abril deste ano, Patricia Ferreira Miranda reclamou da falta do fresubin energy, uma bolsa de nutrientes líquidos, da qual o filho, Willian, de 27 anos, se alimenta, por meio de sonda gástrica.

Na ocasião, a resposta da Secretaria Estadual da Saúde foi que a dieta, que ficou em falta por um mês, já estava disponível para a retirada, mas, na prática, nem todo mundo conseguiu.

"No mesmo dia eu fui lá e disseram que não tinha. Expliquei que participei da reportagem e me deram uma bolsa. Depois disso, não consegui mais. Sem reportagem a gente não consegue", disse Patrícia.

O Willian toma um litro da dieta por dia. Por mês, o gasto para mantê-lo alimentado chega a R$ 900. A Patrícia, que é condutora escolar e está há mais de um ano sem trabalhar, depende de ajuda. Ela só tem o alimento para mais nove dias.

Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde disse que a dieta Fresubin 1.5 não faz parte da lista de medicamentos definida pelo Ministério da Saúde para a distribuição no SUS, e que o estado fornece o item mediante solicitação individual, considerando os protocolos farmacêuticos.

A pasta disse que está tentando comprar a dieta, alega que depende da disponibilidade e dos prazos do fornecedor, e que vai comunicar a mãe de Willian quando o produto chegar. A secretaria orienta Patrícia a verificar junto aos médicos a possibilidade de alteração a dieta por outra equivalente.

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