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Medalha de prata nas Olimpíadas, ginasta Rebeca Andrade começou a carreira treinando em projeto social de Guarulhos, na Grande SP

Rebeca Andrade durante solo nas Olimpíadas de Tóquio — Foto: REUTERS/Lindsey Wasson

Rebeca Andrade durante solo nas Olimpíadas de Tóquio — Foto: REUTERS/Lindsey Wasson

Uma das favoritas a medalha na ginástica artística nas Olimpíadas de Tóquio, Rebeca Andrade, de 22 anos, iniciou a carreira no projeto social Iniciação Esportiva, da Prefeitura de Guarulhos, na Grande São Paulo. Lá, ela ganhou o apelido de "Daianinha de Guarulhos". A inspiradora, a ginasta Daiane dos Santos, conquistou nove medalhas de ouro em campeonatos mundiais no solo entre 2003 e 2006.

Rebeca começou a treinar aos 4 anos no Ginásio Bonifácio Cardoso. "A Rebeca desde pequena sempre foi muito travessa, tudo que ela fazia era pulando, ela levava muito jeito para a coisa, mas eu não tinha muita noção de como funciona as coisas, onde tinha ginásio", conta a mãe da ginasta, Rosa Rodrigues, de 51 anos.

Segundo Rosa, o acaso interveio, e a tia de Rebeca, que era funcionária pública, teve que cobrir a licença de uma outra pessoa que trabalhava no ginásio da cidade. Na semana em que a tia começou a trabalhar por lá, estavam abertas as inscrições para testes de novos atletas. Ela levou Rebeca, que na época tinha 4 anos, para se inscrever. Foi nesse dia de teste que ela levou o apelido de 'Daianinha'.

O passo seguinte foi dado por Mônica Barroso dos Anjos, técnica da equipe de ginástica de Guarulhos e árbitra internacional. Foi ela quem descobriu Rebeca na Iniciação Esportiva. Mônica treinou a jovem por um ano e meio. Em seguida, a encaminhou para o grupo de alto rendimento, onde Rebeca disputou competições representando Guarulhos, como o estadual, o brasileiro e até um interclubes em Cuba, em 2009.

Rebeca Andrade em Cuba em uma competição por Guarulhos — Foto: Arquivo pessoal

Rebeca Andrade em Cuba em uma competição por Guarulhos — Foto: Arquivo pessoal

"Me lembro que peguei na mãozinha dela e perguntei: 'Quer fazer o teste?'. Pedi para que ela pulasse no tablado e na hora eu brinquei: 'Uau! essa é a futura Daiane dos Santos!'. Depois pedi para ir para a barra, abrir espacate, dar estrelinha. Eu, que trabalho há muito tempo na área, já via que ela levava jeito, era veloz, explosiva, tinha o biotipo com muito músculo, bem definida."

Rebeca treinou por cinco anos, entre 2005 e 2010, no ginásio de Guarulhos com o projeto do município que atende crianças e jovens com idade entre 7 e 17 anos. Além da ginástica artística, há diversas modalidades, como futsal, voleibol, basquete, futebol, handebol e natação, entre outras. Atualmente, cerca de 5 mil jovens são atendidos pelo projeto.

Início de carreira

Rosa Rodrigues, que além de Rebeca tem outros sete filhos, conta que a família enfrentou dificuldades para que a jovem continuasse treinando. "No começo, eu trabalhava como empregada doméstica, então estava tudo certo. Mas teve uma época que as contas apertaram, e ela teve que parar de treinar por falta de condições financeiras. Mas quando retornou, não parou mais. Ia de ônibus e, quando não tinha dinheiro, ia a pé, mesmo com a distância do local do treino — cerca de 2 horas a pé."

Quando a jovem parou de frequentar os testes por falta de dinheiro, os treinadores de Rebeca criaram um esquema de rodízio para levá-la até o local. Na época, a Prefeitura de Guarulhos disponibilizou uma espécie de bilhete único para que os atletas frequentassem os treinos, porém, quando o valor disponível no cartão acabava, demorava muito tempo para cair a recarga novamente.

Apoio da família

Rosa conta que foi nesse período que o irmão de Rebeca, Emerson Rodrigues, hoje com 30 anos, comprou uma bicicleta para levar e buscar a atleta nos treinos. "No começo, ele levava ela a pé, mas teve a ideia de comprar a bicicleta em uma fábrica de reciclagem. Ela tinha entre 6 e 7 anos, e ele, cerca de 15."

Segundo ela, nos dias de treinos Emerson realizava apenas uma refeição por dia porque ele ficava esperando até o fim dos treinos e depois disso ia para a escola. "Ela almoçava no ginásio por ser atleta, depois disso os dois iam para a escola, ele não conseguia chegar a tempo de comer no local, só a noite, depois que chegava em casa".

Rosa conta que muitas pessoas ajudaram a família a pagar a condução para que a jovem não deixasse de treinar em Guarulhos. Havia até um motorista de ônibus que dava carona para Rebeca e Emerson sempre que encontrava os dois no caminho.

Olimpíadas de Tóquio

As apresentações que classificaram Rebeca Andrade para as finais da ginástica artística

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A ginasta conquistou vaga em três finais, incluindo a do solo, em que se apresenta ao som do funk "Baile de favela", e vai tentar ser a primeira brasileira medalhista olímpica na categoria.

Depois de duas cirurgias nos joelhos apenas neste ciclo olímpico, Rebeca se equiparou às melhores do mundo novamente. Ela se classificou para a final do individual geral na segunda posição, com 57,399 pontos, atrás da americana Simone Biles por 0,332 de diferença. Foi também a terceira colocada no salto e a quarta no solo. Biles não irá participar das competições desta quinta-feira (29).

“A expectativa é grande, só tenho alegria por ela estar lá, chegando na final. Para a gente isso já é motivo de orgulho. Agora, com mais chances de pódio e ouro, a expectativa é enorme, estamos ansiosos. Mas estou muito feliz, muito orgulhosa pela minha filha. O que mais me deixa alegre é como ela tá madura e firme”, afirma Rosa.

Rebeca participa, nesta quinta, às 7h50 (de Brasília), da final do individual geral. A decisão do salto vai ser disputada no próximo domingo (1º), e a do solo, na segunda (2).

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