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Ouvidoria pede inclusão de família agredida por PMs no ABC em programa de proteção após casa ser atingida por tiros

Casa de família que denunciou agressão de PMs durante abordagem na grande SP é atacada a tiros

Casa de família que denunciou agressão de PMs durante abordagem na grande SP é atacada a tiros

A Ouvidoria da Polícia pediu nesta terça-feira (31) à Polícia Civil que sugira ao Ministério Público (MP) a inclusão da família agredida na última sexta (27) por policiais militares no Programa de Proteção a Testemunhas e Vítimas. Na segunda (30), três dias após denunciarem as agressões dos policiais à Corregedoria da PM, a casa da família foi atingida por cinco tiros.

Vídeos gravados por testemunhas mostraram a violência policial (veja acima) durante abordagem em Santo André, no ABC Paulista. No sábado (28), quatro PMs que aparecem dando socos e chutes em quatro das vítimas foram presos preventivamente pela Justiça Militar. E outros três agentes da corporação estão afastados.

No domingo (29), as vítimas divulgaram à imprensa fotos dos ferimentos provocados pelos agentes e disseram estar "com medo de sair de casa" (veja abaixo).

Jovem mostra marcas nos pescoço e nas costas (da esquerda para a direita). Seu irmão (na última foto à direita)mostra o tornozelo sangrando. Segundo eles, as lesões foram causadas pelos PMs que aparecem agredindo eles e seus familiares num vídeo gravado em Santo André, durante uma abordagem — Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Jovem mostra marcas nos pescoço e nas costas (da esquerda para a direita). Seu irmão (na última foto à direita)mostra o tornozelo sangrando. Segundo eles, as lesões foram causadas pelos PMs que aparecem agredindo eles e seus familiares num vídeo gravado em Santo André, durante uma abordagem — Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Proteção a vítimas

Segundo a família, os atiradores estavam numa moto e num carro e um deles fez ameaças: "Vai morrer todo mundo". Até a última atualização desta reportagem, os criminosos não haviam sido identificados pela investigação.

Nenhum dos seis parentes que moram na casa se feriu, mas as marcas dos disparos ficaram no portão, no carro e nas paredes do imóvel. Depois disso, a Ouvidoria da Polícia, órgão que recebe denúncias sobre a atividade policial, decidiu tomar providências para tentar garantir a segurança da família.

"Considerando a gravidade dos acontecimentos que se deram após os fatos, sugerimos que seja proposto ao Ministério Público que as vítimas sejam inseridas no Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas ameaçadas", falou o ouvidor Elizeu Soares Lopes ao G1.

E completou: "Estou preocupado com a integridade física dessas pessoas. E para que amanhã ou depois não aconteça o pior, era importante que as autoridades pudessem se precaver".

O Programa de Proteção prevê, entre outras coisas, a permanência, em sigilo, da família em uma casa em outra cidade. Inclui também assistência e auxílio de moradia, saúde, educação, locomoção e alimentação, em parcerias com as redes públicas municipais e estaduais.

Portão da casa da família vítima de agressão policial é atingido por disparos três dias após denúncia em Santo André, ABC Paulista — Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Portão da casa da família vítima de agressão policial é atingido por disparos três dias após denúncia em Santo André, ABC Paulista — Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Agressão

Segundo testemunhas, a confusão com a PM na sexta começou após os agentes decidirem abordar um dos familiares, que estava sem documentos, em frente à casa onde mora. O jovem de 19 anos alega que foi chamado de "vagabundo" por um policial e que tomou um murro dele no rosto ao pedir respeito.

Os vídeos que circulam nas redes sociais mostram os PMs usando uma arma de choque para imobilizar o jovem. Depois o algemam e o levam preso para a delegacia sob a acusação de desacato e resistência à prisão. Ele foi solto depois.

Um PM ainda usa o mata-leão (golpe proibido pela PM) para imobilizar um dos rapazes pelo pescoço.

Outras duas mulheres que estavam dentro do imóvel afirmam ter sido ofendidas pelos PMs. As imagens mostram um dos agentes invadindo a casa.

Família que denunciou agressão por PMs tem casa alvejada no ABC, na madrugada desta segunda-feira (30)

Família que denunciou agressão por PMs tem casa alvejada no ABC, na madrugada desta segunda-feira (30)

Disparos

Na segunda-feira, a família foi acordada pelo barulho de disparos que perfuraram o portão e o carro que estava na garagem, danificando as paredes. Ninguém se feriu.

A Polícia Civil investiga o ataque e tenta identificar o autor ou os autores. O caso foi registrado pelas vítimas como ameaça e disparo de arma de fogo no 1º Distrito Policial (DP) de Santo André.

Marcas de tiros nas paredes da casa e no carro da família agredida por PMs em Santo André — Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Marcas de tiros nas paredes da casa e no carro da família agredida por PMs em Santo André — Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Família

Para as vítimas, a principal suspeita é a de que o atentado possa ter sido uma retaliação por parte de policiais militares.

"Desconfiamos que esse ataque possa ter sido cometido por outros PMs", disse um dos familiares ao G1.

"Essa retaliação que sofreram, além de inédita em casos do tipo, justifica ainda mais as prisões e a necessidade da corporação e da corregedoria investigarem se outros PMs fizeram esses ataques", disse o advogado Ariel de Castro Alves, presidente do Grupo Tortura Nunca Mais.

"Estudarei a possibilidade de entrar com uma ação cível para que as vítimas sejam indenizadas, visto que tiveram prejuízos físicos e emocionais", disse Fábio Gomes da Costa, advogado contratado pela família.

O G1 não conseguiu contato com as defesas dos policiais até a última atualização desta reportagem.

PM invade casa de família após agredir parentes de suspeito na rua em Santo André, ABC Paulista. No vídeo, mulher tenta escapar de PM que a agrediu — Foto: Polícia Militar/Divulgação

PM invade casa de família após agredir parentes de suspeito na rua em Santo André, ABC Paulista. No vídeo, mulher tenta escapar de PM que a agrediu — Foto: Polícia Militar/Divulgação

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