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Nível do sistema integrado de abastecimento da Grande SP é inferior a 40% pela primeira vez desde março de 2016

Reservatórios da Grande SP estão com baixa capacidade armazenada de água — Foto: Reprodução/EPTV

Reservatórios da Grande SP estão com baixa capacidade armazenada de água — Foto: Reprodução/EPTV

O sistema integrado de abastecimento da região metropolitana de São Paulo, formado por sete mananciais, registrou nesta quarta-feira (22) 39,8% de sua capacidade armazenada. Segundo levantamento feito pela GloboNews com base em dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), esta é a primeira vez que esse índice fica abaixo dos 40% desde a crise hídrica, que se estendeu entre o fim de 2014 ao primeiro trimestre de 2016.

A última vez que o sistema integrado contabilizou um volume armazenado nesse patamar foi 3 de março de 2016, com 39,6%. Poucos dias depois, durante uma palestra na Associação Comercial de São Paulo, no centro da capital paulista, o então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, declararia que a crise chegara ao fim com a seguinte declaração: “A questão da água está resolvida”.

Passados cinco anos e meio, o chamado sistema integrado da região metropolitana operado pela Sabesp é mais robusto e a dependência dos consumidores em relação ao Cantareira diminuiu.

A Sabesp informou por meio de nota que não há neste momento risco de desabestecimento e que a projeção para a Grande São Paulo aponta para "níveis satisfatórios dos reservatórios com perspectivas de chuvas" entre a primavera e o verão. (Leia íntegra da nota no fim desta reportagem.)

Desde abril de 2018, a partir do início da operação do sistema São Lourenço, a região metropolitana passou a contar com sete mananciais. Até então, eram seis. Antes da última crise hídrica, o Cantareira abastecia cerca de 9 milhões de pessoas. Hoje, são cerca de 7,3 milhões.

Por contar com um manancial a mais, o sistema integrado armazena hoje 781 bilhões de litros de água armazenados (47,5 bilhões de litros apenas no São Lourenço). No dia 3 de março de 2016, quando operava com 39,6% da sua capacidade, a disponibilidade era de 739,8 bilhões de litros de água.

4 reservatórios com menos da metade da capacidade

A GloboNews mostrou, em 22 de agosto, que Quatro dos sete mananciais responsáveis pelo abastecimento de água de toda a região metropolitana de São Paulo tinham menos da metade da capacidade armazenada, segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). É a primeira vez que isso ocorre nesta época do ano, segundo a própria Sabesp.

Àquela altura, o Guarapiranga chegou a 49,9% de sua capacidade. Um dia antes, esse sistema operava com 50,3% de volume armazenado.

Com isso, de acordo com os dados da Sabesp, quatro dos sete mananciais da Grande São Paulo têm atualmente menos da metade de sua capacidade de armazenamento. Os outros três são os seguintes: Alto Tietê (45,8%), Rio Claro (43,7%) e Cantareira (38,3%). Este último, o mais importante deles, foi o único a registrar estado de alerta.

O estado de alerta é caracterizado por volumes entre 30% e 39,9%. Para ser considerado normal, o volume de um reservatório tem de estar com pelo menos 60% de sua capacidade.

O sistema Cantareira armazenava, neste domingo, 376,58 bilhões de litros, 22% a menos do que um ano atrás (482,22 bilhões de litros).

A Sabesp disse em nota que “a queda no nível das represas é esperada e a projeção da Sabesp aponta níveis satisfatórios para os próximos meses, até 2022.”

Primeira vez

Desde 2018, quando o sistema São Lourenço entrou em operação e a Grande São Paulo passou a contar com sete mananciais em seu conjunto de represas para abastecimento, essa é a primeira vez nesta época do ano em que quatro deles operam com menos da metade de sua capacidade.

No dia 22 de agosto de 2020, por exemplo, o Cantareira era o único com menos da metade do volume armazenado (49,1%). Mesmo assim, não se encontrava em estado de alerta.

Na mesma data de 2019, nenhum dos sete mananciais operava com menos de sua capacidade armazenada.

Em 2018, eram apenas dois: o Cantareira (38,3%) e o São Lourenço (29,7%), que, por sua vez, operava havia menos de cinco meses e, por esse motivo, ainda não estava plenamente abastecido.

O que diz a Sabesp

Em nota, a Sabesp informou que os níveis dos reservatórios são satisfatórios.

“A Sabesp informa que a projeção para a Região Metropolitana de São Paulo aponta níveis satisfatórios dos reservatórios com as perspectivas de chuvas do final da primavera e início do verão, quando a situação será reavaliada. Não há risco de desabastecimento neste momento, mas a Companhia reforça a necessidade do uso consciente da água. O sistema que abastece a RMSP, composto por 7 mananciais, é integrado e flexível, o que permite transferências de água entre regiões, conforme a necessidade. A capacidade de transferência de água tratada entre os diversos sistemas de abastecimento foi quadruplicada em relação ao período anterior à crise hídrica de 2014/15, passando de 3 mil litros/segundo em 2013 para 12 mil l/s em 2021. Ao mesmo tempo, a capacidade de reservação de água tratada saltou de 1,7 bilhão de litros em 2013 para 2,2 bilhões de litros em 2021. Nesta quarta (22/9), o Sistema Integrado opera com 39,8% da capacidade, nível similar, por exemplo, aos 41,8% de 2018, quando não houve problemas no abastecimento. A Sabesp vem realizando nos últimos anos ações que dão mais segurança hídrica, como a ampliação da infraestrutura, integração e transferência entre sistemas, além de campanhas para o consumo consciente. *Toks para Economizar Água* A Sabesp está realizando mais uma campanha para engajar a população a usar a água de maneira consciente: “Toks para Economizar Água – Abriu, Usou, Fechou”. Veja o vídeo: https://youtu.be/rq8us_wEdo4. *#eucuidodaágua* Para engajar a sociedade no uso consciente da água, a Sabesp criou o hotsite www.sabesp.com.br/eucuidodaagua, que reúne informações e dicas em torno do assunto”.


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