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Depoimento de empresário que matou Marina Harkot é adiado - Notícias - R7 São Paulo

A primeira audiência do caso da cicloativista Marina Kholer Harkot foi encerrada no fim da tarde desta quarta-feira (24) sem o interrogatório do acusado do crime, o empresário José Maria da Costa Júnior, de 34 anos. O caso ocorreu em novembro do ano passado. 

Na sessão, cinco das dez testemunhas convocadas foram ouvidas. O julgamento começou às 13h30, no 2º andar do Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo. Das pessoas que não foram ouvidas, duas eram consideradas importantes: o manobrista do carro e a esposa de José Maria da Costa Júnior, acusado do atropelamento.

Também faltaram três outras testemunhas que a Promotoria desistiu por não ver relevância nestes depoimentos. Uma nova audiência será marcada para ouvir estas outras testemunhas e para o interrogatório do réu.

O acusado José Júnior, de 34 anos, também estava na sessão presencial. Ele é réu por três crimes: homicídio doloso (dolo eventual) — o MP considera que ele assumiu o risco de produzir o resultado da morte ao não prestar auxílio à vítima —, além de dirigir sob efeito de álcool e fugir do local do acidente.

Na próxima audiência, depois do interrogatório a fase de instrução do julgamento será encerrada com os debates. 

O empresário José Júnior dirigia uma Tucson quando atingiu Marina às 0h17h na avenida Paulo VI, em Pinheiros, zona oeste da capital. O suspeito ainda teria deixado de prestar socorro e fugido do local, segundo investigadores. Ele passou mais de 48 horas foragido até se entregar na delegacia na companhia de advogados.

O Ministério Público acusa José Maria de ter assumido o risco de matar Marina por ter dirigido embriagado e em alta velocidade. Na denúncia, o promotor Rogério Zagallo citou que radares detectaram a velocidade de 93 km/h nas proximidades dos fatos, em local com limite de 50 km/h.

"José Maria realmente assumiu o risco de causar a morte [...], sobretudo porque conduzia um veículo automotor embriagado, além de fazê-lo em velocidade absolutamente incompatível com a da avenida na qual ele transitava", afirmou. Atualmente, Fernando Bolque é o promotor que atua no caso.

A avenida em que Marina foi atropelada tem quatro faixas e a socióloga estaria pedalando na última, perto do parapeito.

Marina era ativista feminista e de movimentos que defendiam melhores políticas de mobilidade urbana. Levou sua luta também para a vida acadêmica. Formada em Ciências Sociais pela USP, era mestra e doutoranda pela FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP), onde atuava como pesquisadora colaboradora do LabCidade (Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade).

*Colaborou Mariana Rosetti, da Agência Record


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