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Farmácia de SP paga R$ 40 mil de indenização por homofobia - Notícias - R7 São Paulo

A rede de farmácias do Grupo Raia Drogasil S.A pagou R$ 40 mil de indenização após ter seus funcionários denunciados por praticarem homofobia contra o publicitário e empresário Galileu Nogueira. Ele afirma que tudo teve início no dia 26 de março de 2021 quando recebeu uma mensagem, enviada pela Droga Raia, via SMS, em que a rede o chamava de "Gaylileu".

Uma captura de tela feita por Galileu mostra o texto encaminhado pela rede de farmácias: "Gaylileu, a última compra do seu medicamento foi 24/02. Compre pelo site https://bit.ly/2C7rikZ ou na Droga Raia mais prox p(/sair envie PARE)".

Ainda segundo Galileu, em um primeiro momento acreditou que o erro de grafia no nome se tratava de descuido no momento da digitação. Mas logo entendeu como discriminação, devido a sua orientação sexual.

Ele relata que costumava receber mensagens da Droga Raia, mas, até aquele momento, todas traziam o nome dele da forma correta sem a adição do Y.

Na mesma publicação, Galileu conta que imediatamente pediu que retirassem o contato dele do sistema da farmácia, mas os atos homofóbicos aconteciam também fora do ambiente das mensagens

Em outro trecho, ele mostra registros de cupons de desconto que recebia quando ia até as lojas físicas. Nas imagens o nome dele aparece grafado com o Y antes do L.

Segundo Galileu, os funcionários das farmácias, que eram treinados para chamar os clientes pelo nome, evitavam ter a mesma ação com ele. E relata uma vez em que um atendente perguntou se o nome dele era Gaylileu mesmo.

A partir dessa ocasião ele abriu uma denúncia no canal de ética do Grupo RD (Raia Drogasil). O publicitário conta que ficou dois meses sem resposta até que recebeu uma ligação com um pedido de desculpa em que a rede se disponibilizava a entregar produtos para amenizar a situação.

A vítima então abriu um processo judicial com pedido de uma indenização de R$ 44 mil por danos morais, além de treinamento sobre homofobia para os funcionários e uma retratação. No dia 21 de março deste ano houve uma audiência de conciliação em que o grupo afirmou já dispor de treinamentos contra a LGBTQIA+fobia, pediu sugestões para novos treinamentos e ofereceu o valor de R$ 5.000 a Galileu.

O publicitário não aceitou o acordo e pediu por dois treinamentos na instituição, um sobre homofobia e o outro sobre a importância de respeitar nomes sociais — sendo que o segundo deve ser dado por transexuais e travestis.

Em nota, a Droga Raia afirmou que aceitou pagar um valor bem maior do que a sentença judicial determinou, para aceitar a sugestão de Galileu de encaminhar os valores à ONG Casa 1 (Centro de Cultura e Acolhimento LGBT).

"Ficamos satisfeitos com o desfecho, pois sabemos que isso poderá contribuir com a promoção contínua da diversidade, e porque estamos aprendendo juntos como construir uma sociedade mais inclusiva", informou a empresa.

A Droga Raia também adicionou que continuará a investir em treinamentos para conscientizar seus funcionários contra a discriminação.


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