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Redução do tempo de isolamento não tem evidências científicas sólidas, diz Luana Araújo

O ministro da Saúde Marcelo Queiroga disse, na manhã desta sexta-feira (7), que o tempo de isolamento para pacientes assintomáticos que testam positivo para Covid-19 “possivelmente” será reduzido de dez para cinco dias.

Um dos argumentos utilizados por Queiroga é de que a medida também já foi adotada em outros países, como os Estados Unidos, por exemplo.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA encurtou, em dezembro, o tempo recomendado de isolamento para cinco dias, seguido por 5 dias de uso de máscara quando estiver perto de outras pessoas”

Em entrevista à CNN, a infectologista Luana Araújo argumenta que o CDC foi “extremamente criticado” ao anunciar essa mesma medida.

Luana Araújo
Luana Araújo, infectologista. / Reprodução CNN (07.jan.22)

“Ela não vem de evidências científicas sólidas, ela vem de necessidade. A variante Ômicron é tão transmissível e afeta de forma tão explosiva os países que está havendo uma baixa de profissionais”, explicou.

Ela comenta que, mesmo as autoridades americanas mantendo o período de isolamento em cinco dias, foi necessária a exigência do uso de máscaras por outros cinco dias.

A infectologista explica que a redução no tempo de quarentena não garante, por si só, que a pessoa possa sair sem riscos após o isolamento. “É preciso uma situação extra. A medida [redução do isolamento] tem muitos furos. Pode ser adotada em um processo emergencial, mas deve fazer parte de algo maior”, argumentou.

Luana também acredita ser necessário um programa de testagem gratuito com apoio de telemedicina para minimizar o impacto da redução do tempo de isolamento.

“Não adianta puxar uma medida de saúde pública do exterior – ainda assim extremamente questionável –, e não adaptá-la e contextualizá-la à situação brasileira”, disse.

“Não existe saúde pública sem dados”

Desde que sofreu um ataque cibernético em 10 de dezembro, a base de dados e consequentemente uma série de sistemas do Ministério da Saúde, que são utilizados para o monitoramento da pandemia, foram afetados.

Por exemplo, um dos principais boletins de monitoramento e vigilância no combate à pandemia da Covid-19 no país, o InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), está há um mês sem poder ser feito.

“A falta de dados nacionais é absurda num grau que é difícil descrever para as pessoas”, comenta Luana Araújo.

Ela compara a situação do apagão a tentar atravessar a rodovia Dutra com fluxo intenso de carros estando vendada e com os ouvidos tampados.

“As nossas perdas serão maiores porque nós não temos dados suficientes para lidar com o que está acontecendo. Não existe saúde pública sem dados”, declarou a infectologista.


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