Carregando...

Aquecimento global deve aumentar casos de pedra nos rins, diz estudo - Notícias - R7 Saúde

O aumento da temperatura provocado pelo aquecimento global deve elevar a incidência de pedras nos rins, segundo um estudo realizado na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, publicado recentemente na revista Nature.

De acordo com os pesquisadores, se nada for feito para frear as mudanças climáticas, os casos envolvendo cálculos renais devem crescer 3,9%. Em um cenário onde medidas de mitigação são adotadas, o aumento é de 2,2%.

Segundo o nefrologista Henrique Carrascossi, especialista pela SBN (Sociedade Brasileira de Nefrologia), o aumento do calor está diretamente relacionado com a formação das pedras nos rins devido a desidratação que o corpo sofre ao tentar manter a temperatura adequada.

“Normalmente temos um aumento de 30% de casos de cálculos renais durante o verão. Com o aumento da temperatura, as pessoas perdem mais líquidos pelo suor e acabam não ingerindo a quantidade suficiente para que haja um bom funcionamento renal”, explica.

As pedras são formadas por pequenos cristais de cálcio que normalmente já estão presentes na urina. Com a menor ingestão de líquidos, o corpo encontra dificuldade para diluí-los no volume urinário e então a pedra é formada.

“Em um dia muito quente se perde mais suor, o rim produz menos urina, esses cristais de cálcio acabam ficando muito concentrados e começam a grudar um no outro, formando o cálculo. Essa pedra tende a aumentar e causar cólica renal”, explica Carrascossi.

O especialista destaca que o sintoma mais comum do problema é a cólica renal, caracterizada pela dor súbita na região da lombar, geralmente em apenas um lado, acompanhada de suor, náuseas e vômitos.

“A cólica acontece porque essa pedra tenta sair pelo sistema da uretra, mas estando em um tamanho grande ela não vai passar pelo canal e acaba ficando enroscada nessa região, causando essa dor intensa. Em alguns casos, só o procedimento cirúrgico para a retirada do cálculo resolve o problema”, afirma o médico.

Mas, apesar de ser o sintoma mais comum, nem todo mundo com cálculos renais pode sofrer com cólicas. O especialista alerta para os casos em que a ocorrência de infecções urinárias constantes pode ser um indicativo do problema.

“A infecção ocorre pela presença de um corpo estranho no organismo e pode ser mais grave do que as cistites, por exemplo, que são infecções urinárias mais simples. A cada infecção que esse rim passa, ele acaba perdendo uma parte da função e isso, ao longo de alguns anos, pode fazer esse paciente chegar a um nível de precisar fazer um tratamento de diálise, mas isso não é comum [de acontecer]”, afirma o especialista.

Além disso, o tamanho da pedra e a região onde ela está localizada também pode provocar uma pressão no rim e causar a perda da função renal.

Segundo o nefrologista, o tripé da formação dos cálculos renais é a desidratação, o consumo excessivo de sódio e de carne vermelha. Para evitar que o corpo se desidrate, Carrascossi recomenda a ingestão de dois a três litros de água por dia, para garantir um bom volume urinário com a urina de cor transparente.

O sal e o sódio podem contribuir para a formação do cálculo, então é importante evitar o consumo exagerado de alimentos embutidos, enlatados, ultraprocessados e em conserva. 

“O excesso de proteína também acaba aumentando a formação de cálculo renal. Então é importante evitar muita carne vermelha, dando preferência para as menos gordurosas, como frango e peixe”, ressalta o especialista.

Investir em uma vida saudável e manter uma prática regular de atividade física para evitar o sobrepeso também contribui para impedir o problema de pedras nos rins.


Deixe uma resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados*