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Novo medicamento recomendado pela OMS pode reverter quadro grave de Covid-19

Na edição desta sexta-feira (14) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes conversou sobre a nova orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que passou a recomendar dois novos medicamentos para o tratamento da Covid-19: o Baricitinibe e o Sotrovimabe.

Segundo o documento elaborado por especialistas do Grupo de Desenvolvimento de Diretrizes da OMS, o Baricitinibe pode ser utilizado em casos graves e críticos da doença, enquanto o Sotrovimabe serve para casos leves. As recomendações tem como base novas evidências de sete ensaios clínicos envolvendo mais de 4 mil pacientes em diferentes estágios da doença.

A apresentação da OMS também classificou como “recomendação fraca ou condicional” o uso do Remdesivir e da Ivermectina para casos em todas as escalas. A hidroxicloroquina recebeu o aviso de “forte recomendação contra [a utilização]”, bem como o plasma convalescente.

Para Fernando Gomes, os estudos apresentados pela organização são conclusivos e dão a segurança necessária para a utilização dos medicamentos. “O que a gente sabe é que existem indícios científicos, e agora com todas essas publicações e evidências, que dão a chancela e efetivam a possibilidade de falarmos que eles têm utilização prática com relevância no tratamento de pacientes com Covid-19 em situações específicas”, disse.

O neurocirurgião explicou a origem e funcionamento das duas substâncias. O Sotrovimabe, classificado como um anticorpo monoclonal, age com a produção de proteínas que se ligam especificamente a partes do vírus consideradas importantes para a reprodução no corpo humano – em especial a proteína spike.

O uso já está aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde setembro de 2021. “Quando você tem um indivíduo na fase viral da infecção, mas com grandes chances de evoluir para um quadro grave, você pode adotar este artifício.”

“Quando tomamos a vacina, nosso corpo produz anticorpos com a finalidade de neutralizar o papel do vírus. Nessa situação, em uma janela específica, o médico faz a aplicação deste medicamento no hospital, quando você percebe que o paciente pode virar a chave e entrar em uma situação mais grave. Por isso que tem que ser feito em hospital”, destacou.

Conhecido pela utilização no tratamento contra a artrite, o Baricitinibe pode atuar na regulação do processo de inflamação do organismo, que costuma ocorrer no sétimo dia de infecção e agravar o quadro. Estudos apontam que o remédio pode reverter quadros graves da doença e reduzir a necessidade de ventilação artificial. Assim como o Sotrovimabe, a substância recebeu aprovação da Anvisa em setembro.

Relembrando que a aplicação recomendada pela OMS só pode ser realizada sob supervisão médica – e que os medicamentos não são vendidos em farmácia – Gomes ressaltou que a medida é uma precaução para evitar o “uso indiscriminado” e também por uma questão emocional de pessoas que contraem a doença.

“Existem protocolos específicos com quadro clínico bem determinado para que se possa fazer utilização e colher os benefícios que foram obtidos nos estudos.”

O neurocirurgião também reconheceu que o custo dos tratamentos pode ser mais elevado que o usual e que fazem parte de um “pacote” dentro do período de internação. “Precisa que tenha a utilização bem apropriada para não ter um desperdício tanto financeiro quanto biológico”, finalizou.


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