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"Alta de casos ainda não reflete fim de ano", diz coordenador do InfoGripe

Divulgado neste sábado (15), o Boletim InfoGripe da Fiocruz registrou um aumento de 135% na média móvel de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nas últimas três semanas, até 8 de janeiro, em relação às semanas finais de novembro.

O número foi qualificado como muito preocupante pela equipe que conduz o estudo, apresentado pela primeira vez depois da instabilidade nas plataformas do Ministério da Saúde, que durou mais de um mês. No entanto, pesquisadores entendem que o cenário ficará mais crítico na próxima semana.

Coordenador do InfoGripe e pesquisador do Programa de Computação Científica (PROCC/Fiocruz), Marcelo Gomes destaca que a data limite utilizada, de oito de janeiro, ainda não registra os casos de contágios ocorridos nas festas de Natal e, principalmente, Réveillon.

Isto ocorre por conta do tempo entre o contágio e o agravamento dos casos, a ponto de demandarem internação. Esses números devem aparecer já na edição da semana que vem.

O pesquisador reitera que dezembro é um período típico de aumento de interações sociais, com maior exposição na corrida ao comércio, além dos próprios eventos de confraternização, sejam eles familiares ou corporativos. Ele destaca que a informação precisa poderia ter auxiliado na tomada de decisões.

No entanto, com a indisponibilidade dos sistemas do Ministério da Saúde, após um ataque cibernético, os dados de vigilância epidemiológica ficaram indisponíveis.

“O que a gente está vendo nessa atualização são aumentos de casos graves ainda antes das celebrações de fim de ano. Isso mostra o quanto era importante a gente ter uma mobilização por parte de todos. Das autoridades públicas, do comércio, do setor privado, para uma comunicação adequada e medidas adequadas. Para que esse aumento, que foi muito forte ao longo do mês de dezembro, não gerasse um impacto ainda maior nas celebrações”, afirma.

O cenário analisado coincide com o avanço da variante Ômicrondo coronavírus, considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma linhagem de preocupação, por ser mais transmissível que as demais.

Segundo o Ministério da Saúde, ela já é prevalente no Brasil. No mesmo período, analisado pelo boletim, o país enfrentou ainda surtos e epidemias localizadas de Influenza A, que elevaram os índices de internação por SRAG.

“Infelizmente, o que a gente espera observar é um aumento ainda mais forte, uma aceleração ainda maior dessa taxa de crescimento, nos dados das próximas semanas. Consequência disto. Porque já vínhamos em uma tendência de aumento e tivemos, no final do ano, uma série de eventos e celebrações que, potencialmente, agravaram ainda mais o cenário”, conclui Gomes.


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