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Não esperávamos uma variante tão transmissível quanto a Ômicron, diz médico

Confira orientações do Ministério da Saúde diante do diagnóstico de Covid-19O surgimento de uma variante do coronavírus tão transmissível quanto a Ômicron não era esperado, segundo o infectologista e professor da Faculdade de Medicina da USP, Álvaro da Costa.

Em entrevista à CNN Brasil, o médico afirmou que os dados até o momento indicam que a variante é “muito menos graves. Mas não dá para afirmar com certeza ainda porque pessoas não vacinadas podem evoluir para uma forma mais grave da doença”.

“A principal característica dela é ser muito transmissível, a gente não esperava uma variante com esse potencial devastador de transmissão”, diz.

Nesse sentido, as projeções atuais são de que o Brasil enfrente um revés na situação sanitária, com um aumento de casos e óbitos devido à Ômicron.

“É difícil acreditar que só tivemos um óbito por Ômicron no Brasil. Os dados de quantidade de casos, testagem, internação e óbitos estão muito defasados. Quem é médico, atende os pacientes, já via o aumento de casos muito antes dos boletins do Ministério da Saúde, e é muito ruim não ter esses dados porque dá a impressão que as coisas estão fluindo de um jeito mais brando”, afirma.

Segundo o infectologista, nesse momento os não imunizados ou com imunização incompleta representam o maior número de pessoas que estão internadas em UTIs, precisando de oxigênio.

Em geral, a lotação maior tem se concentrado nos pronto-socorros, e a recomendação atual é que eles sejam procurados apenas caso os sintomas persistam ou se agravem, já que os vacinados têm, em geral, um quadro mais leve.

“Geralmente temos visto pacientes com um estado preservado, muito diferente do que a gente viu nas ondas anteriores da Covid-19, quando os pacientes já chegavam graves, com falta de ar, precisando colocar no oxigênio, necessitando que já encaminhasse para a UTI”, diz.

Nesse cenário, pessoas com comorbidades, não vacinadas ou de imunização incompleta são as mais ameaçadas pela Covid-19.

“Quando começa a ter muito caso, mesmo da variante Ômicron, começa a ter mais caso grave, claro que em uma proporção menor do que a gente viu nas primeiras ondas, mas começa a nos preocupar porque começa a aparecer pacientes que precisam internar”.

À CNN, Costa também falou sobre a dificuldade de planejamento devido à falta de dados a nível federal, a necessidade de orientar a população sobre a realização de autotestes e a impossibilidade de criar “protocolos seguros” para o Carnavaldiante do cenário atual.

“Aqui em São Paulo já estamos nos preparando para não sermos pegos de surpresa, como aconteceu anteriormente, quando teve falta de leitos, de oxigênio. É muito improvável que a gente chegue nesses momentos, mas já há preocupação de aumentos de internação”, diz.

Confira orientações do Ministério da Saúde diante do diagnóstico de Covid-19

*(Sob supervisão de Elis Franco)


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