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Ouriço resgatado de incêndio na Serra do Japi é alimentado com seringa em ONG de Jundiaí; vídeo

Animais da Serra do Japi são resgatados

Animais da Serra do Japi são resgatados

Um ouriço resgatado do incêndio que durou mais de uma semana na Serra do Japi, em Cabreúva (SP), recebe cuidados especiais da Associação Mata Atlântica em Jundiaí (SP). O fogo só foi controlado no nono dia, depois da chegada de chuva na cidade.

Segundo a ONG, ele teve diversas queimaduras e sofre com problemas na visão. O animal passa por um processo de reabilitação e é alimentado com uma seringa (veja acima).

Ouriço vítima de queimada foi resgatado na manhã desta segunda-feira (30) na Serra do Japi — Foto: Divulgação

Ouriço vítima de queimada foi resgatado na manhã desta segunda-feira (30) na Serra do Japi — Foto: Divulgação

Nesta quarta-feira (1º), as equipes continuam no local e fazem o trabalho de rescaldo e monitoramento da região. A queimada começou no dia 20 de agosto e devastou mais de 10 milhões de metros quadrados na serra, que é considerada uma das principais reservas da Mata Atlântica no Estado de SP.

Até o momento, 73 animais foram socorridos pela associação. A maioria deles ficou órfão durante o incêndio. De acordo com a ONG, o processo de reabilitação será longo e alguns deles podem não conseguir voltar ao seu habitat natural.

Animais foram afetados pelas chamas na Serra do Japi— Foto: Arquivo Pessoal

Animais foram afetados pelas chamas na Serra do Japi — Foto: Arquivo Pessoal

Além dos animais encontrados mortos, muitos outros foram socorridos com ferimentos e sinais de desidratação. A Associação Mata Ciliar montou uma base de apoio no local para atender os bichos.

Segundo apurado pela TV TEM, uma fêmea de cachorro-do-mato e uma irara foram atropeladas na Rodovia Edgar Máximo Zambotto. Já na terça-feira (24), quatro filhotes órfãos de cachorro-do-mato e dois filhotes de tapiti, também conhecidos como coelho-do-mato, foram encontrados sozinhos e levados para a base.

Filhote resgatado em incêndio na Serra do Japi — Foto: Divulgação

Filhote resgatado em incêndio na Serra do Japi — Foto: Divulgação

Um vídeo gravado por voluntários mostra uma família de saguis correndo pelas árvores na tentativa de escapar das chamas (veja abaixo).

Vídeo mostra saguis fugindo de incêndio na Serra do Japi em Cabreúva

Vídeo mostra saguis fugindo de incêndio na Serra do Japi em Cabreúva

Investigação

A Prefeitura de Cabreúva (SP), cidade mais afetada pelo fogo, informou que prepara um relatório para o Ministério Público para identificar e punir o responsável.

O secretário de Meio Ambiente municipal, Maxwell Cavalcante Rodrigues, disse que vai ouvir as equipes que atuaram na linha de frente do combate à queimada na serra, como bombeiros, Defesa Civil e equipe do helicóptero Águia, da Polícia Militar, para colher informações para a confecção de um relatório que será entregue ao Ministério Público.

Queimada destruiu grande área de mata na Serra do Japi, entre Jundiaí e Cabreúva — Foto: Aurélio Spina/Arquivo Pessoal

A suspeita é de que um curto-circuito em uma torre de transmissão de energia elétrica provocou todo o estrago. Agentes do Meio Ambiente estão fazendo o levantamento desse bioma para saber o que foi atingido, o que foi perdido.

"Esse relatório, a finalidade dele é demonstrar o real impacto causado pela queimada e tentar achar um possível culpado disso tudo", disse Maxwell.

O secretário informou ainda que agentes fizeram um trabalho intenso, antes de ocorrer o incêndio, para orientar a população para não fazer fogo ou queimada, principalmente, no período de estiagem.

Queimada na Serra do Japi, em Cabreúva — Foto: Fernanda Elnour/G1

Queimada na Serra do Japi, em Cabreúva — Foto: Fernanda Elnour/G1

De acordo com o ambientalista Flávio Gramolelli Junior, a área atingida abriga centenas de espécies de fauna e flora. "Muitas delas são endêmicas, só podem ser encontradas aqui. Isso demonstra a importância. As queimadas começam a desturir toda essa vida. Nós estamos destruindo um patrimônio genético, um patrimônio que é da humanidade", diz o ambientalista.

Ajuda do céu

A queimada na Serra do Japi começou no dia 20 de agosto e só foi dada como extinta depois da chuva da madrugada deste sábado (28). Segundo a Defesa Civil, choveu 21 mm em quatro horas na cidade.

A área atingida pelo incêndio na Serra do Japi, em Cabreúva, ultrapassou os 10 milhões de metros quadrados, segundo o levantamento da Defesa Civil municipal.

Chuva apagou fogo que devastou Serra do Japi, em Cabreúva (SP) — Foto: Reprodução/TV TEM

Chuva apagou fogo que devastou Serra do Japi, em Cabreúva (SP) — Foto: Reprodução/TV TEM

De acordo com o tenente do Corpo de Bombeiros, Flávio Medrado, o que dificultou o trabalho é que a área afetada é grande e de difícil acesso. A aeronave da Polícia Militar não vai até a cidade neste sábado por causa da chuva.

'Prejuízo incalculável'

No total, mais de 100 pessoas trabalharam para combater as chamas desde o início do fogo, no dia 20 de agosto, entre bombeiros, guardas municipais, equipes da Defesa Civil e voluntários.

Apesar de a área já ultrapassar os 10 milhões de metros quadrados, as equipes acreditam que os danos podem se entender ainda mais. O trabalho de rescaldo continua nesta quarta-feira (1º). Para o Secretário de Obras e Meio Ambiente da cidade, as consequências serão severas.

Helicóptero ajuda no combate às chamas na Serra do Japi — Foto: Arquivo Pessoal

"O prejuízo é incalculável. Se pegarmos a questão da parte de vegetação, foi bem triste de ver a situação. É quase uma situação pós-guerra. Porque o fogo passou e acabou com tudo", afirma Maxwell Rodrigues.

Uma fazenda teve 20 colmeias atingidas pelo fogo na região de Cabreúva. Segundo apurado pela TV TEM, o apicultor e dono da fazenda chegou a perder 800 quilos de mel durante o incêndio. As colmeias ficavam dentro de uma área de mata na propriedade.

Com queimada na Serra do Japi, colmeias são atingidas em fazenda de Cabreúva— Foto: Arquivo Pessoal

Com queimada na Serra do Japi, colmeias são atingidas em fazenda de Cabreúva — Foto: Arquivo Pessoal

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