Carregando...

Apresentações e contato com o público fizeram falta para as juninas durante a pandemia

Os dois últimos anos não foram fáceis para quem trabalha na produção e apresentação das quadrilhas juninas por causa da pandemia da Covid-19. A redução no número de participantes na arena e a falta de contato com o público foram desafios que finalmente estão sendo superados com retorno das apresentações presenciais do 30º Arraiá da Capital.

Para dar boas vindas ao clima junino, o g1 conversou com representantes das nove quadrilhas que fazem parte do grupo especial do Arraiá da Capital. As entrevistas foram divididas em uma série de três reportagens para mostrar os desafios e como está sendo a preparação para esse retorno totalmente presencial.

O Arraiá da Capital será realizado de quarta-feira (22) até segunda-feira (27) no estacionamento do Estádio Nilton Santos, em Palmas. O evento será transmitido ao vivo pelo g1.

Confira como foi a preparação das juninas Pizada na Butina, Encanto Luar e Pula Fogueira.

Amor por cuscuz

A Pizada na Butina, junina que surgiu em Taquaralto, região Sul de Palmas, em 2009, participou de eventos e dos Arraiá da Capital apresentados através de lives durante a pandemia. Mas segundo Whallas Furtado, presidente da Pizada, a expectativa com relação a este pós-pandemia está totalmente diferente aos outros anos, no que diz respeito à preparação da equipe.

Dançarinos da Pizada na Butina durante ensaio — Foto: Whallas Furtado/ Divulgação

Dançarinos da Pizada na Butina durante ensaio — Foto: Whallas Furtado/ Divulgação

“A gente está com uma saudade enorme de dançar e estar perto do público. Há dois anos praticamente estávamos fazendo espetáculos individuais. Essa questão dos ensaios, dançar no dia a dia e da construção do espetáculo será diferente. E também tem a questão da ansiedade de pegar esse trabalho e colocar em quadra novamente”, conta.

Apesar de estar entre as medidas para evitar aglomerações a participação de apenas 16 casais em quadra, Furtado diz que há organização para que todos participem. “Conseguimos fazer uma divisão para que as pessoas possam dançar”.

O tema para este ano não poderia ser mais comum ao tocantinense: o amor ao cuscuz. “Vamos contar uma história de um casal em que o noivo é totalmente apaixonado por cuscuz, como uma obsessão, e a noiva já não conhece tanto. Vamos usar essa história para contar sobre o cuscuz, de onde veio, como é feito e o nome do tema é ‘cada qual com seu cuscuz”, conta o presidente.

A junina já venceu o Arraiá da Capital por três vezes consecutivas, nos anos de 2014, 2015 e 2016. Também já levaram título no Arraiá Brasil, competição nacional e competições estaduais. “Sempre falamos sobre temas que trazem o público para perto da gente. E mesmo sendo da região Sul, deixamos de ser só de Taquaralto pois há componentes de todas as regiões de Palmas" finaliza.

Vida do povo Romani na arena

A vida do povo cigano Romani será o tema central do espetáculo da Encanto Luar, junina que tem quase 10 anos de estrada e se apresenta no sábado (25). Segundo a presidente da junina, Léia Santos, os 16 casais se preparam diariamente para a apresentação do Arraiá, e que a expectativa é grande para a apresentação com público novamente.

“Estamos voltando à nossa normalidade, tentando recuperar o tempo perdido do grupo. Estamos com 45 a 50 pessoas ajudando diretamente o grupo", conta.

Encanto Luar se apresenta no sábado (25) — Foto: Divulgação

Encanto Luar se apresenta no sábado (25) — Foto: Divulgação

No período que antecedeu o Arraiá, a junina participou de apresentações e intensificou o esquema de ensaios. Para a apresentação em Palmas, a interação da equipe ocorre diariamente. "As expectativas são as melhores, estamos ensaiando todos os dias. Nesse período que a gente tem bastante apresentações, nos finais de semana de junho, mas temos que nos preparar para o Arraiá, temos ensaio diariamente. Estamos tentando colocar as coisas todas em ordem, trabalhando figurino, coreografia", explica.

As dificuldades enfrentadas pelo povo são inspiração para tratar do tema. "Estamos com a temática 'Romani, o povo esquecido', retratando e falando da vida do povo cigano. Um povo que é muito discriminado, que sofre muito preconceito. E a gente quer trazer a realidade do povo cigano para dentro da arena", conta Léia.

"Temos este tema lindo, pouco falado, mas que merece muito reconhecimento por parte da população. Nosso tema vem retratado bem forte tanto nas músicas quanto no figurino. Vamos trazer elementos das roupas ciganas. Nas músicas vamos trazer trechos de canções ciganas. Algumas coisas voltadas para o mundo junino, mas que também remeta à história cigana e à cultura deles" completa a presidente.

Criada no dia 14 de setembro de 2013, a Encanto Luar completará 10 anos de movimento junino no próximo ano e, desde então, não perdeu nenhuma edição do Arraiá. "A Encanto vem participando de todas as edições do Arraiá da Capital e de todos os circuitos juninos de Palmas. No Concurso Estadual de Juninas, participamos pela terceira vez".

Questionada sobre quais novidades dos figurinos que os casais mostrarão na arena, Léia faz mistério: "nosso figurino ainda não foi mostrado, então aí é surpresa".

Leis do coração

Através do São João, a Pula Fogueira, que se apresenta no domingo (26), vai contar uma história de amor e falar sobre as leis do coração. Segundo a presidente da junina Bruna Patrícia Martinovski dos Santos, o tema foi proposto ainda no início do ano e escolhido porque "não dá para falar de São João sem falar de amor", segundo ela.

"Vamos apresentar uma história de amor, como sempre, porque o São João se criou através do casamento caipira. Então não tem como não ter uma história de amor no meio dos nossos temas", revela Bruna, ressaltando a ansiedade em sentir novamente a torcida do público.

Equipe da Pula Fogueira após ensaio— Foto: Bruna Patrícia Martinovski/ Divulgação

Equipe da Pula Fogueira após ensaio — Foto: Bruna Patrícia Martinovski/ Divulgação

A história de amor será ambientada em uma vila de pescadores e tudo deve remeter a esse mundo. "A roupa vai ser retratada conforme falamos de um amor em uma vila de pescadores. Então vai ser bem temática, retratando mesmo algumas das indumentárias que os pescadores usam e algumas das músicas são temáticas, outras são de São João", completa a presidente.

Cerca de 50 pessoas, entre elas 16 casais de dançarinos, fazem parte da composição do grupo, fundado em outubro de 2011. Como apresentação no Arráiá se aproxima, os integrantes intensificaram os ensaios, que ocorrem diariamente em uma escola da região norte da capital.

Por questões financeiras, a junina entrou no circuito da competição somente em 2013, após esforço dos envolvidos na criação. Também conseguiu entrar no grupo especial em duas ocasiões: em 2015 e em 2019, onde permanece desde então.

Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

200 vídeos


Deixe uma resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados*