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Investigação da PF aponta que grupo de extermínio usava veículos da própria delegacia em homicídios

Polícia Federal faz operação contra policiais civis suspeitos de execuções

Polícia Federal faz operação contra policiais civis suspeitos de execuções

Os investigadores da Polícia Federal apuraram que agentes da Polícia Civil usavam veículos a serviço da própria delegacia para supostamente cometer homicídios em Palmas. Na manhã desta quarta-feira (22) a PF cumpriu mandados de prisão e buscas na investigação que apura a existência de um grupo de extermínio dentro da Divisão Especializada de Repressão a Narcóticos de Palmas (Denarc).

A TV Anhanguera e o g1 tiveram acesso à decisão do colegiado de juízes do Tribunal de Justiça, que autorizou a operação, chamada de Caninana. O documento revela detalhes da investigação.

Durante a operação foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão em diversos endereços ligados agentes e delegados da Polícia Civil do Tocantins. A sede da Denarc em Palmas também foi alvo. Cinco policiais tiveram as prisões preventivas decretadas e foram afastados das funções públicas.

Conforme a decisão, ao menos quatro carros foram identificados por câmeras de segurança e radares de trânsito após deixarem cenas de assassinatos. Os veículos descaracterizados eram acautelados, ou seja, eram utilizados pela Polícia Civil mesmo não estando registrados em nome do estado.

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"Os investigadores conseguiram posicionar veículos com as mesmas características em locais próximos e em horários compatíveis, permitindo que se traçasse a rota de fuga dos autores do delito. O que viabilizou a identificação das placas dos veículos utilizados nos delitos", diz trecho da decisão.

Mandados foram cumpridos na sede da Delegacia de Narcóticos — Foto: Reprodução

Mandados foram cumpridos na sede da Delegacia de Narcóticos — Foto: Reprodução

Os investigadores da Polícia Federal verificaram que o grupo trocava as placas dos veículos constantemente para tentar evitar a identificação. Uma das placas usada durante um duplo homicídio em Palmas, em março de 2020, chegou a ser encontrada posteriormente em uma viatura oficial da Denarc.

"Uma vez identificados os modelos dos veículos e o horário preciso das práticas criminosas através das câmeras de monitoramento foram requisitados os registros de autos de infração por excesso de velocidade, assim como o histórico de controle de tráfego por reconhecimento óptico de caracteres”, diz outro trecho do documento.

Um dos veículos identificados próximo às cenas de crimes chegou a ser encontrado no pátio da Denarc durante outra operação da Polícia Federal. Após a identificação dos carros, os investigadores conseguiram chegar até os suspeitos analisando os registros de abastecimento e de saída dos veículos.

Os cinco policiais que tiveram as prisões decretadas deverão ser transferidos para a Unidade Prisional de Segurança Máxima de Cariri do Tocantins, no sul do estado, e sejam colocados em celas separadas e individuais.

O que diz a defesa dos investigados e a Polícia Civil

O advogado que representa os investigados, Antônio Ianowich, afirmou que todos os agentes investigados estão se apresentando espontaneamente para dar cumprimento aos mandados de prisão.

“Nós não vamos comentar ainda o teor das acusações, primeiro porque não tivemos acesso aos altos. Vamos primeiro analisar do que eles estão sendo acusados, mas deixando claro que nenhum deles está se negando ou fugindo da atuação da Justiça. Todos cumprirão as decisões judiciais. Após termos acesso aos autos, respeitando o sigilo, a defesa vai se manifestar sobre o assunto”, afirmou o advogado.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirmou, em nota, que a Corregedoria-geral da Polícia Civil está acompanhando a operação e deve se manifestar em tempo oportuno.

A operação

A Polícia Federal cumpriu, nesta quarta-feira (22), mandados de busca e apreensão em uma operação para investigar um suporto grupo de extermínio dentro da Polícia Civil. As ordens de busca estão sendo cumpridas em dez endereços de agentes e delegados ligados à Divisão Especializada de Repressão a Narcóticos de Palmas (Denarc).

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirmou, em nota, que a Corregedoria-geral da Polícia Civil está acompanhando a operação e deve se manifestar em tempo oportuno.

A operação, denominada como Caninana, foi autorizada pelo colegiado de juízes do Tribunal de Justiça do Tocantins. Também foram autorizadas 14 medidas cautelares diversas da prisão, dentre as quais estão a suspensão da função pública dos investigados.

Um dos mandados de busca foi cumprido na sede da Denarc, na região norte de Palmas. Segundo as investigações, os policiais tinham um grupo de WhatsApp em que programavam o articulavam a morte de pessoas. Os alvos eram ex-presidiários e investigados por tráfico de drogas.

A investigação apontou que o grupo foi responsável por até duas dezenas de assassinatos praticados entre 2019 e 2020 no estado do Tocantins. A PF concluiu que a Denarc estava usando o aparato estatal para grampos ilegais, plantar drogas falsas, servir o governo e fazer limpeza social com um “código penal próprio”.

Um dos episódios investigados aconteceu no dia 27 de março de 2020, quando cinco pessoas foram mortas com indícios de execução nos bairros de União Sul e Jardim Aureny I, na região sul de Palmas.

O cumprimento de todas as ordens judiciais pela Polícia Federal foi acompanhado por equipes da Corregedoria da Polícia Civil. O nome da operação faz referência a um tipo de serpente encontrada na fauna brasileira, que se alimenta de animais menores da mesma espécie.

Início das investigações

Os indícios da existência de um grupo de extermínio na Polícia Civil do Tocantins começaram a ser investigados pela Polícia Federal durante as operações que levaram à renúncia do ex-governador Mauro Carlesse.

Na época, os investigadores descobriram que membros da Polícia Civil e da cúpula da SSP criaram um grupo de espionagem para monitorar investigações e cumprir ordens do ex-governador. Depois as investigações sobre as mortes foram desmembradas e deram origem à essa nova operação.

O ex-governador não é investigado nesta operação.

Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

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