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'Caiu na boca de criança e de idoso': atingidos por produto jogado por drone no evento de Lula e Kalil são ouvidos pelo MPF em Uberlândia

Vendedor autônomo Luis Fernando da Silva foi atingido por líquido despejado por drone; evento Lula e Kalil, UberlândiaTV Integração/Reprodução — Foto: TV Integração/Reprodução

Vendedor autônomo Luis Fernando da Silva foi atingido por líquido despejado por drone; evento Lula e Kalil, UberlândiaTV Integração/Reprodução — Foto: TV Integração/Reprodução

Cinco pessoasatingidas pelo líquido jogado por um drone na semana passada, no evento com Lula e Kalil, foram ouvidas nesta quarta-feira (22), em Uberlândia, pelo procurador da República, Onésio Soares Amaral.

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou procedimento por se tratar de uso de "aeronave", que é regulado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e, portanto, a atribuição de investigar é federal, de acordo com a procuradoria.

Entre as vítimas do ataque está o vendedor autônomo Luis Fernando da Silva. Em entrevista à TV Integração ele contou como foi o ataque a militantes que aguardavam o início do evento, no estacionamento do Centro Universitário do Triângulo (Unitri).

"Eu vi um drone sobrevoando, pensei que era do evento, mas logo ele se aproximou da gente e começou a jogar um líquido. Caiu em criança, idoso, caiu na boca de criança, de idoso que estava olhando para cima, caiu em cima de mim. É uma falta de respeito e ética do outro lado, disse.

Vendedor autônomo Luis Fernando da Silva foi atingido por líquido despejado por drone; evento Lula e Kalil, Uberlândia — Foto: TV Integração/Reprodução

Vendedor autônomo Luis Fernando da Silva foi atingido por líquido despejado por drone; evento Lula e Kalil, Uberlândia — Foto: TV Integração/Reprodução

O g1perguntou ao MPF se mais pessoas ainda serão ouvidas e quando, e também quais os próximos passos da investigação, mas o órgão respondeu que não poderia informar mais detalhes.

Na segunda-feira (20), o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) confirmou que o caso também será apurado na instância estadual.

Ministério Público Federal em Uberlândia - foto de arquivo — Foto: Rodrigo Scapolatempore/G1

Ministério Público Federal em Uberlândia - foto de arquivo — Foto: Rodrigo Scapolatempore/G1

Investigação no MPMG

O deputado federal Reginaldo Lopes (PT) protocolou denúncia, na segunda-feira (20), contra Rodrigo Luiz Parreira, Charles Wender Oliveira Souza e Daniel Rodrigues de Oliveira. Eles operavam o drone que jogou produto no público presente no evento, na quarta-feira passada (15).

De acordo com o deputado, o documento com a denúncia foi entregue ao procurador-geral do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Jarbas Soares Júnior. No vídeo publicado, Lopes classificou o fato como “ataque à nossa democracia”.

“Nós realizamos um ato com data e hora marcada para discutir o desenvolvimento socioeconômico do Triângulo Mineiro e um grupo de simpatizantes do presidente da República usou um drone para jogar agrotóxico, veneno, na nossa gente. É crime contra a saúde pública, crime de lesão corporal, formação de quadrilha, além da invasão do espaço aéreo sem autorização”, disse Reginaldo Lopes.

Também nas redes sociais, o procurador-geral do MPMG falou sobre o encontro com o deputado federal.

“É fundamental a ampla apuração dos graves fatos, tendo em vista que o Ministério Público é defensor do regime democrático e do direito fundamental à liberdade de expressão e de reunião”, afirmou Jarbas Soares Júnior.

Segundo o procurador, é necessária a devida apuração dos fatos com a realização de prova pericial no drone e no produto pulverizado.

“O certo é que o MPMG fará a apuração e que os responsáveis serão processados. Minas sempre foi um estado acolhedor, independentemente das questões políticas”, concluiu Júnior.

Soares Júnior também informou em uma rede social que o promotor de Justiça, Marco Aurélio Nogueira foi sorteado para apurar os fatos e contará com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Triângulo Norte.

Público disse que foi atingido por urina e fezes

Militantes aguardavam início do evento com Lula e Kalil quando foram atacados — Foto: Guilherme Gonçalves/g1

Militantes aguardavam início do evento com Lula e Kalil quando foram atacados — Foto: Guilherme Gonçalves/g1

O evento em Uberlândia reuniu os pré-candidatos à presidência da República e ao governo de Minas Gerais, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Alexandre Kalil (PSD). Pela primeira vez durante a pré-campanha, os políticos se reuniram publicamente. Na ocasião, Kalil oficializou aliança com Lula para as eleições em Minas Gerais.

Segundo os relatos dos militantes que estavam reunidos no estacionamento da Unitri, o drone teria jogado fezes e urina em cima deles.

"Quando o drone chegou a gente achou que era do evento, de repente começou a pulverizar alguma coisa muito fedida, tipo fezes, chorume", falou Mariana de Araújo, da organização.

"Eu estava na arquibancada e o drone apareceu. Pensei que era de filmagem, mas aí começou a cheirar ruim. Era um drone desses de bater veneno em plantação, e o pessoal começou a jogar coisas para ver se ele parava", disse o fretista Valdir Souza.

Na ocasião, Lula lamentou a agressão contra os militantes durante discurso no evento.

"Não pode ser um ser humano normal, um canalha que coloca um drone para jogar sujeira no povo aqui. Nós não vamos deixar barato. Esse cidadão não merece ser mineiro, porque se tem uma qualidade no povo mineiro é a tranqulidade".

Investigação

Segundo a Polícia Militar (PM), logo após o drone pulverizar o produto nas pessoas, Rodrigo Luiz Parreira, Charles Wender Oliveira Souza e Daniel Rodrigues de Oliveira foram detidos em flagrante, mas liberados após assinarem um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) para comparecerem posteriormente ao Juizado Especial Criminal.

À TV Integração, Benedito Vieira, advogado de Rodrigo Parreira, informou que o cliente não vai se manifestar ainda. A emissora e o g1 não conseguiram contato com a defesa dos outros dois citados.

Segundo informações do boletim de ocorrência registrado pela PM, Rodrigo Parreira disse aos policiais que o produto usado se chamava Target, e que seria inofensivo para o ser humano. Porém, de acordo com informações do fabricante, o atrativo orgânico para o controle de moscas não tem uso recomendado para dentro ou muito próximas de áreas residenciais e áreas sociais, devido ao odor específico para atração dos insetos.

Vídeo mostra a operação do drone

Operador de drone afirma que jogava veneno em cima de público em evento de Lula e Kalil

Operador de drone afirma que jogava veneno em cima de público em evento de Lula e Kalil

Um vídeo compartilhado nas redes sociais e em aplicativos de mensagens mostrou o que seria parte da operação do drone.

Um dos três homens, que chegaram a ser presos pela Polícia Militar (PM) em flagrante, afirmou no vídeo que eles estavam jogando veneno. Em outro trecho da gravação, o operador do drone disse que já havia despejado "dois litros". Veja a descrição do vídeo abaixo:

Homem 1: Na hora que acaba o veneno, apita?
Homem 2: Apita.
Operador: Está saindo muito, fii. Nossa, meu Deus do ceú!
Risos
Operador: O povo tá correndo, véi.
Homem 2: Acabou não, chefe?
Operador: Não, tem produto aqui ainda. Ó o povo, tacando trem lá, véi.
Homem 1: Levanta, levanta.
Operador: Tenho que levantar, o povo tá tacando trem.
Homem 1: Pode levantar. Joga pra cima do palco. Joga pra cima do palco.
Operador: Nossa, véi. Em cima do palco?
Homem 1: É! Lá no rumo daquelas caixas lá, isso!
Homem 2: Aumenta a vazão.
Homem 1: Aumenta a vazão.
Operador: Já tá no máximo aqui.
Homem 2: Uai, tá demorando demais.
Operador: Tá ué. É que tá saindo pouco.
Homem 1: Será que tem muito ainda?
Homem 2: Quantos litros têm?
Operador: Tem, nós jogou dois litros só, fii.
Homem 1: Roda mais para o lado da arquibancada.
Operador: A lá, caindo. Ó o pau lá, cê viu?
Homem 1: Dá mais uma volta, vai andando. Não fica parado não. Vai andando que eles não acertam. Não fica parado não.
Risos
Homem 1: Não fica parado não.
Homens 1 e 2: Sobe mais, sobe mais.

Polícia prende operadores de drone que atacou público de evento de Kalil e Lula em Uberlândia — Foto: Wladimir Raeder/Divulgação

Polícia prende operadores de drone que atacou público de evento de Kalil e Lula em Uberlândia — Foto: Wladimir Raeder/Divulgação

O que disse a Anac

Citada pelo Ministério Público Federal como responsável pela investigação do caso, a Anac informou que as forças policiais têm autonomia para realizar investigações sobre operações irregulares de drones que violem as esferas civis e penais.

Além disso, estão previstas nas legislações referentes às responsabilizações nas esferas civil, administrativa e penal, com destaque à inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas.

A Anac informou ainda que, as fiscalizações serão apuradas na esfera administrativa de atuação da agência, de acordo com as sanções previstas no Código Brasileiro de Aeronáutica.

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