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Nunca estão sozinhos: namoradeiros usam inteligência para engatar uma relação atrás da outra

Mês de março reserva surpresas no amor
Mês de março reserva surpresas no amor
Foto: Divulgação/Unplash

A paulistana Julia*, de 22 anos, namora desde os 13. Depois do primeiro, que durou cerca de dois anos, ela emendou um relacionamento atrás do outro – sempre namoros sérios e com perspectiva de futuro. "Achei que eu ia me casar com cada um deles", confessa, rindo.

Pode até não parecer, mas essa coleção de ex-namorados tem sustentação científica e está associada à inteligência emocional. De acordo com o neurocientista Fabiano de Abreu, usamos a região do córtex pré-frontal ventromedial e adjacente do cérebro para nos relacionar, e essa área é responsável por processos cognitivos e emocionais. 

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Tudo isso quer dizer que, como se adaptam com mais facilidade e têm maior controle emocional e empatia, os namoradeiros e as namoradeiras colecionam relações com a mesma facilidade com que trocam de roupa porque são "mais fáceis de lidar". Essas pessoas dificilmente perdem o autocontrole.

"A extroversão é outro ótimo argumento para se relacionar e funciona bem aos interesses da conquista amorosa", aconselha o neurocientista.

Não deve ser à toa que Julia não passou muito tempo solteira. Extrovertida e alegre como se identifica, ela só lembra de ter passado dez meses solteira – se ignorarmos os "contatinhos" nesta conta –, porque logo começou um novo namoro. Desta vez, ainda mais sério: hoje, ela vive com o atual namorado e três cachorros, em um apartamento alugado no litoral paulista. 

"Gosto muito de companhia, prefiro estar com alguém do que sozinha", diz.

Nada a ver com idade

Engana-se quem pensa que a idade tem alguma relação com gostar de estar em um relacionamento sério. Mesmo que não se considere um namoradeiro oficial, o médico baiano Marcos Augusto, de 48 anos, conta que não passou nem sequer um ano de sua vida sem alguém ao seu lado.

Sempre em relacionamentos longos e romântico como diz ser, Augusto diz que toda sua busca é por alguém para dividir os momentos da vida. "Tristes ou felizes", completa. "Sigo enrolado, buscando alguém legal para casar e sossegar", revela.

Mas se, por um lado, gostar de namorar não tem a ver com idade, por outro, as vivências ajudam a repensar algumas decisões. Augusto diz, por exemplo, que percebeu com relacionamentos anteriores que as pessoas têm uma pré-definição do que gostariam que o outro fosse. E é quando essas expectativas não se sustentam que o relacionamento desaba junto. 

"[as pessoas] Não querem conhecer, querem aquilo que já conhecem", diz. 

Julia sabe o que é isso. Alguns namoros depois, ela admite que dispensaria alguns relacionamentos para passar mais tempo sozinha e se conhecer.  

"Acho que eu me interessava pelo melhor lado das pessoas no primeiro momento, mas com o tempo, a desilusão acontece", conclui.

Não precisa ficar só

Apesar da constatação de Julia, a psicóloga Vanessa Gebrim garante que o autoconhecimento não é alcançado necessariamente com a solidão, principalmente caso se trate de alguém que se relaciona tão bem com outras pessoas. No entanto, a especialista reforça que maturidade e autoconhecimento são determinantes em relações, principalmente as amorosas.

"Essas pessoas geralmente têm uma inteligência emocional muito boa e possuem mais recursos para responder de forma variada aos eventos externos. Elas conseguem se adaptar e ter uma resposta mais adequada aos conflitos", explica.

Ainda segundo a psicóloga, os namoradeiros tendem a ser pessoas mais coerentes, responsáveis e controladas. E, diferentemente do que possa parecer, engatar um relacionamento no outro não é sinal de carência. 

O neurocientista Fabiano de Abreu, que também estuda a área do comportamento humano, explica que a carência pode estar relacionada à baixa autoestima, o que vai totalmente na contramão dos namoradeiros, que tendem a ser pessoas mais esclarecidas com elas mesmas.

"A carência está relacionada a baixa autoestima, insegurança dos pais, pais inconstantes, superproteção na infância, situações de desamparo que causam impactos psicológicos, rompimento traumático, traumas de relacionamento", acrescenta. 

*O nome foi modificado para preservar a identidade da fonte.


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